sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

No Jardim com as Mangas Carlotinhas




Acabei a minha limpeza de final de ano - digo, parte dela. Faz calor.  Ainda cansada e suada, abro a geladeira e pego algumas deliciosas mangas Carlotinha - aquelas pequenininhas que tem um tom alaranjado forte, e são macias e doces, doces - e vou lá para fora, sentar na grama com uma faquinha de cozinha.

Manga é fruta para se comer no quintal. Tem que deixar o sumo escorrer pelos braços, sujar o rosto, ficar cheia de fiapos entre os dentes. Comer manga com garfo e faca causa uma drástica redução no sabor da fruta. Não tem graça.

Lembro-me que quando eu comecei a trabalhar, lá pelos idos dos meus dezenove, vinte anos, eu e meu namorado (atual marido) costumávamos sair do trabalho ainda com dia claro (era horário de verão) e comprávamos um saco enorme dessas mangas. Ao chegarmos em minha casa, eu as descascava e fazia sorvete. Duas horas depois, nós desfrutávamos daquela iguaria deliciosa, que é o sorvete de mangas Carlotinhas. Dá um pouco de trabalho descascá-las e picá-las em número suficiente para fazer um bom sorvete, pois elas são bem pequenas, mas vale a pena. Eu fazia assim:

Após descascadas e picadas, eu as colocava com um fiozinho de água no liquidificador; mas um fiozinho de nada, só para dar consistência para bater. Depois, eu despejava nas forminhas. Não colocava leite, aúcar, nada. Eram cubinhos da pura fruta. Bom demais!

As mangas contém vitamina C e são ricas em iodo. Quem tem problemas de tireoide, deve consumi-las em abundância. Também ajudam bastante a quem tem o intestino preso. Além de consumidas puras ou em forma de sorvete, ficam deliciosas quando usadas no preparo de  molhos para acompanhar truta e salmão, e também em sucos e saladas de frutas. 

Quando estive no Pará - terra conhecida pela variedade de frutas que a gente não encontra por aqui - havia mangueiras frondosas plantadas ao longo de quase todas as ruas em Belém. As mangas caíam no chão e apodreciam. O mais intrigante, é que quando pedíamos suco de mangas em restaurantes ou lanchonetes, ninguém tinha... tinham laranja, graviola, cupuaçu, abacaxi, limão, enfim, todas as frutas imagináveis, menos a manga. 

Até mesmo o ouro, quando em grandes quantidades, perde o valor.



domingo, 22 de dezembro de 2013

VÁ TOMAR BANHO!






Nessas épocas festivas e cansativas, de muitas compras, faxinas, comemorações, festas no escritório, amigos (e inimigos) ocultos, etc, é essencial estar em dia consigo mesmo.

Daí, nada melhor do que um bom banho para descarregar as impurezas (físicas e astrais)!

Pesquisando na rede, encontrei algumas receitas muito interessantes de banhos para ajudar a cuidar do corpo e da alma; aqui estão algumas delas:

GUINÉ


BANHO DE DESCARREGO (do blog CPJA - Centro Pai João de Angola)

(LIMPEZA FORTE)

Desfie um pedaço de fumo em corda coloque 7 folhas de picão roxo ferva-os(neste caso não faça por maceração ou infusão, ferva a erva e o fumo junto), desligue o fogo, coe e acrescenta 1/2 copo de vinagre branco, e um punhado de sal grosso.Tome o seu banho de higiene, de preferência com sabão da costa ou de coco, em seguida jogue o banho dos ombros para baixo, e novamente tome banho com o sabão da costa. Ponha uma roupa clara e vai dormir, você verá como vai se sentir bem melhor, pois este banho tira toda a negatividade, pelo fator de ser um banho muito forte, aconselho tomar (banhar-se) somente uma vez por mês. 

Aproveite essas dicas:

É importante tomar um banho de ervas após o banho de sal grosso, pois este banho vem com a função de repor as energias que foram neutralizadas pelo sal.

Deve-se tomar cuidado com a “coroa”, não jogando o sal grosso na cabeça, salvo orientação das Entidades Espirituais.

Pode-se utilizar pedaços de carvão nas solas dos pés durante o banho de sal grosso. O carvão vem com a função de peneirar as energias, deixando somente as energias más serem neutralizadas.


CATINGA-DE-MULATA


BANHO PARA TER PROSPERIDADE - da revista Bons Fluidos

Ferver 3 punhados de sal grosso, 3 folhas de guiné, 1 maço de catinga-de-mulata e 1 maço de hortelã em um litro d'água.
Derrame a mistura , após morna, do pescoço para baixo após o banho normal. Mentalize que toda a energia negativa está deixando seu corpo.


ESPADA DE SÃO JORGE



BANHO REVITALIZANTE

Num dia de lua minguante
3 litros de água
uma folha de espada de são jorge
arruda - macho
arruda - fêmea
guiné
rosas brancas
quebra-tudo
aguapé
hortelã
Ferva tudo, coe e faça o banho antes de se deitar. Recolha o que sobrar desse banho e jogue no jardin. Esse banho só pode ser feito por mulheres.


SÁLVIA


BANHO PARA DESANUVIAR A MENTE

meio maço de Sálvia
nove folhas de louro
nove galhos de manjericão
três colheres de sopa de cravo (em pó é o ideal)
Ferver o louro com o cravo até que a água tonalize de amarelo, deixe esfriar e coloque numa bacia específica para banhos, macerando então as ervas frescas até que se pareçam oxidadas (fiquem esmagadinhas, escuras). Deixe em exposição ao luar, e acrescente uma peça de ouro, retirando no dia seguinte e tomando o banho da cabeça aos pés.

Importante:

Devolva todo o material utilizado a natureza, deixando aos pés de uma árvore ou enterrando, a mesma que ofereceu parte de si com amor, agradece.


ARRUDA

AS ERVAS CITADAS SÃO FACILMENTE ENCONTRADAS EM FEIRAS E CASAS DE UMBANDA - OU QUEM SABE, NO SEU JARDIM.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Creme de Confeiteiro



Ontem, quando acordei, eu não estava bem. Marasmo se instalando... o dia, apenas no começo. O que fazer para que ele não se estragasse? 

Olhei para fora; a manhã estava fria e cinzenta, e até minha cadelinha parecia chateada. Nem mesmo os passarinhos tinham aparecido, talvez por causa da ventania forte que soprava.

Lembrei-me do meu livro de receitas, o "Dona Benta." Uma edição nova, que comprei há pouco tempo. Minha mãe já possuía um livro destes, o dela, tão antigo, que a capa estava desbotada, e quase já não se viam as figuras: uma velha senhora segurando um bolo todo confeitado, enquanto um menino a observa de olhos compridos.

Fui para a cozinha. Mas não sem antes chamar a Latifa, minha cadelinha, para acompanhar-me. Coloquei um velho tapete de lã para ela deitar-se junto a porta, e olhei em volta: tinha algumas maçãs e bananas. Trigo. Açúcar. Pensei em fazer uma torta. 

A massa pronta, a cozinha aquecida pelo calor do forno, os aromas... as frutas picadas sobre a massa. Levei tudo ao forno, mas achei que faltava ainda alguma coisa. Folheei o livro, procurando por uma receita de um creme para cobrir a torta... achei uma muito fácil e rápida, de creme de confeiteiro. Fica exatamente igual aos recheios dos sonhos da padaria, e coberturas de cucas e pães doces:

-duas gemas
-três colheres de trigo
-meia xícara de açúcar
-essência de baunilha
-duas xícaras de leite.

Peneirar os sólidos, e juntando as gemas, a baunilha e o leite, levar ao fogo até ferver. Se der pelotas, passar na peneira novamente depois de pronto. A torta pronta, joguei o creme por cima.

Ficou tão bom, que eu e meu aluno, que chegou logo depois, consumimos metade da torta. Depois, meu marido consumiu quase todo o restante, e hoje de manhã, ainda tinha uma fatia que devorei com uma boa xícara de café.

Tédio? Para onde ele foi?





Publicado no Recanto das Letras

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Purê de Cenoura




Uma receitinha que eu mesma inventei, mexendo aqui e ali com uma receita original. O purê de cenoura é ótimo para acompanhamentos para carnes, mas confesso que prefiro servi-lo como prato principal (estou me tornando vegetariana). Vamos lá:

-Seis cenouras grandes, descascadas e picadas em rodelas
-Uma batata grande, descascada e picada  (ajuda a dar ponto ao purê)
-Duas folhas de louro
-Sal à gosto
-Uma pitada de noz moscada, se desejar um sabor mais acentuado
-Uma lata de creme de leite sem a metade do soro.

Cozinhar a cenoura e a batata junto com o sal e as folhas de louro. Depois de bem cozidas, escorrer a água (que pode ser usada para cozinhar arroz ou, após fria, para regar plantas). Bater a mistura no liquidificador com a noz moscada e o creme de leite, sem as folhas de louro. Levar ao fogo para reaquecer, e servir antes de levantar fervura. Se achar necessário, coloque mais sal.

Bom demais! Gosto de comer este purê com arroz branco e omelete. 




domingo, 8 de dezembro de 2013

Dias Úmidos

Vista da minha varanda; lá embaixo, os telhados do Orquidário Binot


Os telhados ainda estão úmidos de chuva. Os troncos das árvores tem aquela cor marrom-profunda, entrecortada por ranhuras verde-musgo aveludadas. O céu estende suas pesadas nuvens cinza-chumbo sobre a paisagem, como a mostrar o que ainda está por vir. Pássaros apressados servem-se das frutas que estão no comedouro, antes da chuva chegar.

De vez em quando, um vento repentino espalha o cheiro de terra molhada pelo ar. Aspiro sua refrescância, deixando-me envolver por seus dedos de gaze. Sob o gramado verde-claro, a terra preta e encharcada distribui sua fertilidade a cada fio de grama, a cada arbusto, a cada flor.

Correm fios dágua prateados sobre a superfície de pedra da montanha. Passa uma borboleta distraidamente, cruzando a jardim com seu vôo vacilante. Da mata fechada, mais umidade e silêncio.

Gosto de estar do lado de fora nestes dias cinzentos e úmidos, pois sinto-me mais viva e bem-disposta. O calor torna-me lânguida demais, exausta ao menor movimento. Nasci para o frio. Nasci para respirar este cheiro de terra molhada e musgo. Nasci para a escuridão de dias cinzentos como este. Certamente, aprecio a beleza de um dia de sol e céu azul, mas tiro minha energia do vento, das nuvens e da chuva. Secas demoradas deixam minha mente poeirenta e infértil, e meus movimentos áridos e lerdos.

Adoro encher os meus pulmões de ar fresco, úmido, com cheiro de terra e tronco molhados. Gosto de passar a mão sobre o musgo que cresce nos muros, e pisar descalça na grama macia e molhada. Gosto de acordar durante a noite e ver a lua-cheia semi-escondida entre nuvens pesadas e caprichosas.

Gosto da escuridão do inverno e dos dias curtos. Aprecio estar envolvida em cachecóis e agasalhos macios, ao andar pelas ruas varridas pelo vento gélido do inverno. Gosto de expor-me ao sol dos meses de junho e julho, que apenas aquece, sem fazer suar e sem deixar a pele avermelhada.

Hoje estou assim, introspectiva.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Primeira Geladeira a Gente Nunca Esquece







Nossa... este título deve soar jurássico para quem é jovem hoje. Mas quando eu era bem pequena , não era muito comum as pessoas de classe média  terem geladeiras em casa. Quem tinha, de vez em quando ficava responsável por guardar alguma coisa para o vizinho, ou de fornecer o gelo para as festinhas.

Nossa primeira geladeira, foi uma Cônsul azul-clarinha. Acho que eu tinha uns quatro anos de idade na época, mas eu me lembro muito bem de meu pai chegando em casa e dizendo à minha mãe que comprara uma geladeira nas Casas Xavier.

Logo depois, veio também o nosso primeiro liquidificador, e chegamos à era dos sucos e sorvetes. Maçã no liquidificador era uma verdadeira delícia, e picolé de groselha com leite, uma iguaria!

Meu pai tinha muitos ciúmes das coisas que comprava, pois o fazia sempre com muitas dificuldades, às vezes, dividindo os pagamentos em 24 vezes no crediário. Quem ousasse esbarrar em sua geladeira, ouviria um sermão zangado. 



Sabendo disso, minha irmã mais rebelde, sempre que chamada a atenção ou se desentendia com meu pai, fingia esbarrar na geladeira 'sem querer.' Ele quase tinha uma crise! Uma vez, o esbarrão acidental foi tão forte, que a geladeira balançou e saiu do lugar... como ela apanhou!

Aquela geladeira azul ficou conosco mesmo depois que todos os meus irmãos mais velhos casaram-se e saíram de casa. Jamais teve qualquer tipo de problema. Hoje em dia, essas coisas tem prazo de validade curto. Quando eu me casei, ela ainda existia, mas foi desativada quando minha mãe mudou-se para a casa de minha irmã. Acho que eles a doaram a uma família carente. Mas sempre me vem à mente a imagem da cozinha de nossa casa, com a mesa de madeira no meio, as quatro cadeiras, a geladeira azul no cantinho, o janelão aberto sobre o fogão também azul. Ali, naquela cozinha, aprendi a ler e escrever.

A geladeira azul como testemunha da história de nossa família.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quando a Casa Não nos Cabe





Existem momentos em que a casa torna-se opressiva demais. Pode acontecer pouco antes de fases de transformações em nossas vidas. Parece que algo nos diz que alguma coisa está para acontecer, e vamos ficando ansiosos, pois não sabemos se é bom ou ruim. Andamos pela casa, e parece que ela nos sufoca. As paredes parecem ter encolhido e se curvado em nossa direção. Tudo fica menor, mais abafado e opressivo.

O remédio, nessas horas difíceis, é abrir todas as portas e janelas, e fazer uma boa limpeza física: juntar baldes, panos, vassouras, aspirador de pó. Depois de limpar tudo bem limpinho, passar na casa (ou borrifar) uma mistura de água, onde foi fervido louro e acrescentada uma porção de sal grosso e um limão cortado em quatro. Passar / borrifar a mistura em todos os cômodos, visualizando uma limpeza espiritual. Enquanto isso, fazer sua oração preferida. No final, acender um incenso ou queimar um bulbo de cebola, se você tiver uma lareira.

Lembro-me de que antes de mudar-me de casa, sempre sinto uma coisa estranha, mesmo antes da ideia de mudança ser sequer pronunciada em voz alta. Quando morei na minha última casa, coisa de alguns meses antes de pensarmos em mudança, eu andava pelos cômodos e não me sentia neles. Era como se a casa não fosse minha. Havia no ar um cheiro de despedida e melancolia. Logo, meu marido e eu nos interessamos pelo terreno desta casa onde hoje moramos e o compramos, reformamos e nos mudamos algum tempo depois.

Mas às vezes, a opressão que sentimos dentro de uma casa pode ser devido a alguma energia ruim acumulada, que nós trouxemos de algum lugar (ou alguém trouxe). Pode ser um pensamento ruim que de longe nos enviaram. Podem ser os resquícios da atmosfera pesada desencadeada por algum acontecimento ruim em uma casa próxima, do qual nem temos conhecimento. É aí que a limpeza espiritual funciona. De qualquer forma, pensamento limpo sempre abre caminhos. 

Quando as coisas emperram, é hora de parar, olhar em volta, sentir as energias. De repente, nossos planos começam a 'dar para trás.' Aparecem obstáculos inesperados em tudo. Ooops... ora de parar, repensar caminhos e limpar tudo!

Assim, quando a casa não nos cabe, abramos nossas portas e janelas, façamos uma limpeza, e quem sabe, lá no jardim, sob o céu e as estrelas, possamos reencontrar a paz que nos falta? 

Dar uma volta a pé, sair um pouco, fazer umas comprinhas, ir a um salão de beleza, também ajudam. Acredito que muitas vezes, quando a paz nos falta, a aflição transmite-se de nós para o ambiente em que estamos. Também pode ser isso. Para reequilibrarmos a energia da casa, precisamos começar por nós mesmos. Limpezas astrais funcionarão por pouco tempo, se não olharmos para dentro de nós mesmos.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

COISAS DE QUINTAL


Quintal ou jardim: qual a diferença? Segundo o dicionário:
Quintal – pequena quinta; pequeno terreno com horta, junto a uma casa; pomar.
Jardim: local onde se cultivam flores; terreno onde se cultivam plantas para recreio ou estudo.

Bem, para mim, um quintal é um pequeno jardim. Tem aquele cantinho com os vasos de plantas. Tem uma vassoura velha encostada em um canto de parede. Tem um pedacinho de grama, ou um chão cimentado bem varridinho. Com certeza, formigas, joaninhas, passarinhos e o som do rádio do vizinho.
Pode ser que haja um varal, onde a roupa limpa da casa balance contente ao sol, ao sabor do vento.
Quando eu era pequena, no nosso quintal tinha uma pequena churrasqueira improvisada, feita por meu pai com tijolos e chapas de ferro , em volta da qual a família se reunia aos domingos. Ah, e tinha cães e gatos! Que graça teria, se não fossem eles?

No chão de terra batida, as linhas da amarelinha riscada por mim e por minha irmã, e também as marcações para o jogo de bolinhas de gude. Tinha canteiros com dálias, margaridas e bocas-de-leão debaixo das janelas da frente da casa. Em uma pequenina gruta, na lateral do terreno, colocamos uma miniatura de Nossa Senhora. Gostávamos de por flores para ela, e acendíamos velas.
Ficava no quintal a ‘oficina’ de meu pai, um barracão de zinco onde ele fazia suas grades e portões de ferro. Eu adorava ficar lá quando chovia, pois o barulho da chuva batendo nas folhas de zinco era tudo de bom! Mas sob o calor do verão, era insuportável... quando meu pai não estava usando a oficina, eu fazia dela a minha casa de bonecas.


No nosso quintal tinha uma coisa que eu amava, e até hoje, quando eu vejo um, se possível, penduro-me nele: um balanço, feito por meu pai.
Era no quintal que nos reuníamos para comer frutas – mangas, laranjas, melancias, jabuticabas, tangerinas, ameixas e uvas – e fazíamos a maior sujeira: cascas e caroços por todo lado! E nós, lambuzados.
Eu gostava de chegar da escola, mudar de roupa e ir sentar no chão do quintal, calçando meus chinelos de borracha. Jogava vôlei com a parede, pulava corda, andava em meu velocípede, e quando já estava mocinha, colocava o biquine e estendia uma toalha no chão para tomar sol e ficar ‘morena.’
É tão bom ter um quintal! Para mim, ele é o lugar para onde estendo minhas raízes, ou elas ficariam emaranhadas e atrofiadas no vaso-casa.


domingo, 24 de novembro de 2013

A Cachorrinha que Pensava Ser Menina



Porque casa sem bichinhos é um pouco mais triste, uma homenagem aos bichinhos da minha casa:







A Cachorrinha que Pensava ser Menina


Era uma vez, lá em casa
Uma linda cadelinha
Que gostava de sentar-se
No banquinho, como gente.

Se não estava muito quente,
Ela deitava-se ao sol,
De barriguinha pra cima,
A brincar, toda contente!



Gostava de cavar buracos
E enterrar suas coisinhas:
Um pedacinho de pão
Um biscoito quebradinho
E uma casca de mamão.

Na pontinha do focinho,
De terra, um grande torrão!
Uma buraco no jardim
Bem juntinho do banquinho!




A menina cachorrinha
Travessa, como ela só
Sacudia-se da terra
E soltava muito pó...

Se passasse lá na rua
Algum outro cachorrinho
A menina se agitava,
Latia, e muito rosnava...
Mas era apenas firula,
A menina cachorrinha
Não mordia - só brincava!

No quintal , a passear
E a aprontar mil travessuras
A menina cachorrinha
A quem todos adoravam
Ganhava muitos carinhos
Por causa de sua fofura.




Quando dormia, sonhava,
Mexia todo o corpinho,
E latia, bem baixinho
Como um cachorrinho que chora...

Quem sabe, enquanto dormia,
A cachorrinha sonhava
Com seu amiguinho Aleph
Que já tinha ido embora?


Aleph

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Minha Árvore de Natal




Esta é a minha árvore de natal. Mais um ano em que eu a enfeito... e mesmo sem muita vontade, acho essencial que a gente tenha uma árvore de natal em casa, pois ela nos lembra coisas boas: solidariedade, amor, outros natais felizes que já tivemos. Para mim, a árvore de natal representa também a esperança.

Apesar de ter tido muitos acontecimentos tristes próximos à época do natal, eu não vou deixar de enfeitar minha casa nunca! Faço-o não somente por mim, mas em lembrança aos que já se foram e não estão mais presentes fisicamente. E cada enfeite que eu penduro na árvore, dedico a cada pessoa que amo, um pensamento de saúde, prosperidade e alegria. Porque é exatamente isto que eu desejo a todos, e apenas isto.

Agora, minha sala de estar está bem mais bonita e aconchegante.




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Casa de Chá



Quem não aprecia um bom chá indiano, inglês ou de outras nacionalidades, acompanhado de um delicioso pudim de pão e vinho, ou de biscoitinhos de canela e gengibre, ou de uma deliciosa fatia de bolo? E tudo isso durante uma tarde chuvosa, em um dos recantos mais deliciosos de Petrópolis - Itaipava?

E mais: tudo servido com o maior carinho e atenção aos detalhes!



Estou falando do Benedicto Chá, uma casa de chá especial. Desde o momento em que se entra, já se percebe que ali é como se fosse a casa do proprietário, e que a maior preocupação dele, é fazer você sentir-se bem vindo.


Se você não gosta muito de chá (se bem que eu duvido que, ao ler a variada carta que o Benedicto apresenta, você não fique curioso para experimentar alguns), pode tomar seu café tradicional, expresso ou capuccino. E eles sabem explicar direitinho a origem, história e característica de cada chá que servem por lá. Tudo ao som de boa música antiga, como sucessos de Frank Sinatra. Uma tarde para lembrar.

Um lugar para sentir-se em casa. Fica no primeiro piso do Shopping Vilarejo.




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Revista Bons Fluidos




Adoro ler a revista Bons Fluidos! Na verdade, atualmente é a única que leio. Ao invés de reportagens falando de corrupção e crimes, ela só fala do que é bom: casas, emoções, viagens, lugares encantadores, modos de vida, pessoas inteligentes, filosofia... das imagens às reportagens, tudo é muito belo, feito com muito bom gosto e carinho. 




Entre meus favoritos, está o colunista Carlos Solano.



 Ele fala sempre de casas, como melhorar a energia, ensina simpatias e truques para fazer com que as nossas casas sejam sempre encantadas. Criou um personagem (ou será que ela é real?) chamada Dona Francisquinha, que é uma senhora que faz a limpeza na casa onde ele vive; através dela, ele transmite suas receitas de bem viver, orações e dicas de limpeza astral - e física.




Carlos Solano é um poeta. Seus textos muitas vezes emocionam, levando o leitor às lágrimas, pois Dona Francisquinha é tão forte, sábia e real, que suas falas penetram no âmago do leitor. Imperdível.



Para quem gosta de casas, boas energias e cultura, Bons Fluidos é um pacote e tanto. Eu a leio há muitos anos, e acompanho as transformações pelas quais ela vem passando. Sempre atual, agradável, leve. Uma leitura inteligente.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Casa Dentro de Mim






Limpar a casa por fora e não limpá-la por dentro: um grande erro que eu - que todos nós - muitas vezes cometemos. Melhor deixar de lado a neurose de uma casa imaculadamente limpa e perfeita, como se fosse casa de revista, e deixar com que as coisas demonstrem sua personalidade. Vale lembrar que mania de limpeza também não é saudável!

Mas manter limpa a minha casa interior deve ser meu maior objetivo, e confesso que não venho cuidando muito bem deste meu lado... acho que  preciso ficar mais atenta àquilo que permito que entre em minha casa interior. Pois então, nesta semana que principia, quero ter me mente uma vassoura à porta desta casa, que espante para longe toda energia ruim vinda do ego que tente invadir minha paz: uma vassoura atenta e eficaz, que eu possa utilizar em meus próprios pensamentos e julgamentos.

O mal mais perigoso e ferino, não vem de fora; ele vem de dentro de mim mesma, ele cresce nos pensamentos ruins que deixo que se criem em minha cabeça, nos julgamentos apressados que faço, e principalmente, nas coisas que eu deixo que me afetem (e a maior culpada sou mesma, pois para que alguma coisa entre me minha casa, ela precisa de minha permissão).

Gostaria de adquirir mais serenidade, e transformar-me em meu principal abrigo, em minha própria fortaleza, de modo que nada que acontecesse aqui fora, intencional ou não, pudesse tirar-me do meu eixo central. E mesmo que eu caia uma milhão de vezes, continuarei sempre tentando, pois eu sou importante para mim.



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Espaço




Caibo toda dentro de minha casa. Conheço a amo cada espaço, cada canto, cada vão de parede. Até mesmo as gotas de chuva que batem na minha vidraça, tem um som diferenciado das gotas que caem em outras vidraças. Aqui eu tenho aquela falsa sensação de estar segura e protegida - falsa, pois a partir do momento em que estamos nesse mundo, as injúrias podem entrar até mesmo pela janela de casa quando menos se espera. Mas pelo menos, aqui, terei a certeza e o consolo de não tê-las convidado.

Sozinha em minha casa, eu consigo ser feliz por muito mais tempo. Ela me conhece. Acima de tudo, ela me respeita e me aceita como sou. Aqui em minha casa, durante a maior parte do tempo, entram as sensações que eu convido. E quando não desejo ser vista, eu fecho as portas e as janelas (raras ocasiões).  Aqui eu posso existir plenamente, sem a preocupação de estar incomodando ou esbarrando em outras existências. Daqui para o mundo, é só um passo, que eu só dou quando quero.

Às vezes, a paciência com a maldade e a mesquinhez de algumas pessoas torna-se curta; explodo, e minhas paredes contém minha explosão sem que eu necessite contaminar o ar alheio. E quando termina meu desabafo, limpo tudo - o espaço físico, mental e espiritual - e continuo meu dia.

Caibo toda dentro de minha casa: corpo, alma, pensamento. Aqui, eu sou livre. Aqui, eu sou feliz.




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Casa e o Amor




Uma casa é como o amor,
Morre a míngua, se deixada
Suja, só, abandonada,
Sem carinho, sente dor...

Uma casa é coisa viva,
Quer ser vista, visitada,
Necessita ser amada,
Gosta de sentir-se ativa.

Uma casa tem em si
A energia sempre viva
Daqueles que a habitam.

Seja boa ou seja má,
Já se sente, na entrada,
As emanações que ficam.




quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Um Pouquinho de Feng Shui Não Faz Mal...



Para quem não sabe, Feng Shui é uma arte milenar chinesa de harmonização de ambientes. Existem muitos livros a respeito no mercado, então não vou me estender em explicações, mas aconselho a qualquer pessoa que leia um destes livros.

É claro, como tudo na vida, existem certas crenças que esta filosofia defende nas quais eu não creio, e que acho até exageradas. Cada um julgue por si mesmo. Mas em algumas delas, eu acredito piamente. Por exemplo: na energia emanada pelos ambientes e pelas pessoas que neles transitam, trabalham ou vivem. Na influência que as cores tem sobre a vida das pessoas e na importância da ordem, da limpeza e da organização.

Quem nunca entrou em uma sala ou na casa de alguém, e imediatamente teve um forte sentimento de desconforto, sonolência ou até mesmo náusea ou dores de cabeça? É a energia estagnada no local. Principalmente após alguma briga ou discussão, ou se as pessoas que ali vivem não tem como hábito a harmonia e a sinceridade.

O Feng Shui ensina que as cores e a arrumação dos ambientes tem influência direta na vida das pessoas, e nisso eu acredito piamente. Por exemplo, não gosto de entrar em escritórios cinzentos. Já trabalhei em uma sala cor-de-gelo, sem janelas, onde pilhas de livros empoeirados iam até o teto. Vivia desanimada, sonolenta, e com fortes dores de cabeça. Acho que era a síndrome do edifício doente. 

Se prestarmos atenção, veremos que pessoas que não se cuidam, negligenciando a aparência física e a saúde, e ainda afirmam que "não ligam para esse tipo de bobagem", são desorganizadas, tem a vida tumultuada, e a auto estima geralmente muito baixa, mesmo que tentem disfarçar, fazendo crer que se acham o máximo.




O acúmulo de coisas velhas, gastas e em mau estado, que não se usam mais, pode comprometer seriamente o progresso e até mesmo a saúde de uma pessoa. O universo segue uma ordem, existe um ciclo contínuo de ir e vir, e quando acumulamos coisas, interrompemos este ciclo, e consequentemente, o que deveria vir de bom para nós acaba não vindo. Por falta de espaço.

Tenho como hábito sempre doar alguma roupa toda vez que compro uma nova peça. Também doo livros e utensílios domésticos, toda vez que compro coisas novas. Nunca acumulo coisas que não uso mais. E aquilo que eu doo, eu o faço sem medos ou arrependimentos.

Também acho importantíssimo cultivarmos o hábito de agradecer, sempre, em todas as ocasiões, mesmo pelas coisas mais simples para as quais a maioria das pessoas não dá importância, como dormir em uma cama aquecida, ter água no chuveiro ou um pãozinho e café com leite de manhã. Quem vive reclamando nunca sai do sufoco. 

A vida nos traz aquilo que atraímos pela força do pensamento, e embora pareça um cliché de livro de auto ajuda, esta é a mais pura verdade. Quem duvida, que experimente, mas que o faça de boa vontade e disposto a acreditar. De nada vale dizer que tudo isso é bobagem, como aquelas pessoas que vivem não gostando sem nem ao menos provar.

Acho que o caminho para um mundo melhor começa dentro de nossas casas. Se somos felizes e vivemos em harmonia com nossas famílias, se mantemos nossa casa e nossa calçada limpas, se cuidamos da rua onde moramos e respeitamos o trabalho alheio, enfim, se cuidamos da nossa própria vida da melhor maneira possível, o resultado há de ser bom. quer você acredite ou não em Feng Shui.




quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Trabalhar em Casa









Trabalho em casa há quase nove anos. E nesse tempo, descobri muitas vantagens a esta minha opção:

-Nada de enfrentar as agruras do clima: calor demais, chuva, sol forte, frio intenso - logo de manhã cedo.
-Sem ônibus lotados e engarrafamentos.
-Menor custo com lanches e roupas.
-O prazer de criar o próprio horário de trabalho, e de fazer o trabalho da maneira que considero adequada e mais eficiente, sem precisar dar satisfações a chefes que, muitas vezes, criam expectativas impossíveis e estabelecem metas estressantes.
-Estar em minha própria casa o tempo todo, e aproveitar os intervalos para cuidar dela, ler um bom livro, ficar no jardim, criar novas aulas.

Mas nem tudo são flores... é preciso pensar em várias coisas antes de se tomar a decisão de trabalhar em casa. Quem não gosta de ficar sozinho, jamais deve fazer esta opção! Teremos menos tempo para sair, e portanto, precisamos administrar bem esse pouco tempo em que estamos na rua para que façamos tudo o que for necessário.

Perdemos contato com os colegas de trabalho, pois não fazemos mais parte de um grupo. É preciso empenhar-se bastante, se quisermos manter amizades.

Ficar em casa também provoca uma certa acomodação contra  a qual muitas vezes precisamos lutar... por exemplo, se temos um compromisso marcado e começa a chover, logo pensamos em adiá-lo ou cancelá-lo. Mas temos que lutar contra essa preguicinha. 

Mas quando eu coloco vantagens e desvantagens na balança, as primeiras contam muito mais. Nada como poder administrar o próprio tempo e escolher como desejo trabalhar!

Outro cuidado a ser tomado, é não deixar que o trabalho se misture à rotina da família; estabelecer horários para dedicar-se a ambos devidamente é muito importante! Nada de deixar o maridão de lado... e tomar muito cuidado para não fazer do pijama sua roupa de trabalho! Cuidar da aparência continua sendo importante quando se trabalha em casa.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Casa em Ritimo de Natal






Mais uma vez, abrimos os olhos e estamos quase em novembro! Hora de começar a pensar no Natal - arrumar a árvore e a casa para recebê-lo - mas principalmente, arrumar o espírito. 

Existe algo diferente com o natal, e fico pasma quando alguém me diz que não aprecia esta data. Bem, eu compreendo que ela nos traz recordações de pessoas que já se foram e de natais nos quais havia mais convidados à mesa... mas a vida é assim, ela tem seus ciclos, suas perdas. Precisamos aceitar os adeuses que ela nos impõe.

Foram-se meus pais, meu sobrinho, meu sogro. Mas nós ainda estamos aqui. No Natal do ano passado, minha mãe estava desacordada em um hospital. Foi um dos meus piores natais. Ela se foi na noite  de ano novo, mas eu ainda estou aqui!

Eu sempre tenho o hábito de, ao montar a árvore, dedicar um enfeite a cada pessoa da família e aos amigos. E mesmo que eles não estejam mais aqui, nada me impede de continuar fazendo a mesma coisa. Posso continuar pedindo que,estejam aonde estiverem, eles estejam bem.

Não quero amargar a vida, não desejo tornar-me uma pessoa triste, taciturna e saudosa. Quero continuar sentindo a magia que há na vida, na natureza, nas datas especiais. Todo mundo deseja estar feliz a maior parte do tempo, e eu não sou exceção.

Portanto, continuarei enfeitando a casa - e agora, os blogs - para receber o natal.