terça-feira, 20 de agosto de 2013

Depois do Almoço






Depois do Almoço


Sábado passado, fomos almoçar em casa de minha sogra; depois do almoço, nós nos sentamos na varanda dos fundos da casa, as pernas ao sol, olhando o céu que estava absurdamente azul, enquanto descansávamos do almoço.

Foi quando ouvi a corneta e o pregão do homem que vende picolés, e o garotinho da vizinha desceu as escadas de casa, acompanhado de uma senhora, para comprar picolés. Fiquei com inveja dele... me deu uma saudade enorme dos tempos de criança!

Tarde de verão escaldante; nós, brincando no quintal após chegarmos do colégio. De repente, a cornetinha do sorveteiro, anunciando: "Tem de milho-verde, creme-holandês, morango, coco e chocolate!" Eu e minha irmã corríamos para catar moedinhas de dentro das gavetas, enquanto Seu Orlando, o sorveteiro, nos aguardava na rua. Às vezes ele nos pedia um copo d'água, suado e cansado de subir a ladeira carregando a caixa de isopor cheia de picolés, debaixo daquele solão!

Não eram os maravilhosos picolés da Kibom, e sim, uns picolés meio-aguados, feitos em casa. Meu favorito era o de creme holandês, uma mistura de groselha com leite, que tinha um cremezinho que se acumulava na base. Era o mais doce de todos. Depois que Seu Orlando ia embora, soprando sua cornetinha, eu e minha irmã nos sentávamos nas escadas de casa, olhando a rua e tomando nossos picolés.

Acho que estou ficando velha mesmo!



Escrito em 11/10/2010

5 comentários:

  1. Ai Ana,isso não é velhice,não!É sensibilidade!Que linda essa história e tb me fez voltar á infancia e aos ambulantes da rua.Tinha um que fazia o algodão doce na hora...rss...isso é que é ser velha!Esse seu novo blog está muito bonito!Vou procurar seu livro na Amazon tb!Bjs e boa semana pra vc,

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  2. que velha nada , essas recordações são preciosas, eu me lembro que comprava uns picolés redondos de groselha e sem embalagem , eu e meu irmão adorávamos, e uma parte da infância que não tem preço , lá os sonhos eram muito reais, acreditávamos em mágicas, , acreditávamos em papai noel , e que o mundo era maravilhoso. está muito lindo seu texto , muito lindo ! bjo . olguinha

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  3. Ana,

    Que engraçado, viajei no tempo e fiquei curiosa querendo saber onde morava na infancia. Existia um sorveteiro que tambem passava e usava a corneta para se anunciar. Ele vendia...ahhh... que saudades... milho-verde, creme-holandês (este nunca mais vi), e os demais sabores. O nome Orlando... vc morou em Macae?!

    Beijos

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    1. Olá, Sissym. Não, sempre morei em Petrópolis! 'Seu' Orlando passava quase todos os dias no verão, e o 'seu' Guedes, do leite. Bons tempos!

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    2. Havia, naquela época que era realmente uma cidade pequena, uma quitanda perto de casa. Um barato! Os sacos de grãos ficavam lado a lado no centro da loja, os balções com ovos frescos, quando não galinhas vivas (rsss), legumes frescos... muito bacana. Ahhh... creme-holandês, fiquei realmente com saudades!
      Beijos

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