terça-feira, 22 de outubro de 2013

Durante a Noite





Acordei com a tempestade. Da minha fronha cor-de-rosa e confortável, onde eu apoiava meu rosto, via os relâmpagos que cruzavam o céu lá fora, e ouvia o barulho da chuva torrencial que era despejada com força nas telhas. Corri lá para baixo, e resgatei minha cadela, que já estava apavorada na varanda da frente.

Mal abri a porta, e ela entrou, indo alojar-se no tapete do meu quarto. Passamos a noite assim, juntas, ambas unidas pela tempestade que caía.

E a casa silenciosa estalava ao som dos trovões, a cama tremia, a paisagem vista pela vidraça tornava-se dia de repente. E eu pensei nas tantas pessoas que, àquela hora, ao invés de se sentirem seguras em suas casas, estariam de olhos arregalados de terror, prontos a correr assim que as sirenes de advertência soassem...

Algumas casas não são seguras. Muitas casas. A maioria delas, talvez. E as pessoas que nelas vivem estão em constante estado de alerta. E quando tudo cai, - se elas sobrevivem - recomeçam  suas vidas construindo novas casas em locais ameaçados. E  assim é suas vidas, um contaste ciclo de perder tudo, refazer tudo e viver morrendo de medo...

Será diferente algum dia?



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