quarta-feira, 31 de julho de 2013

Produtos de limpeza






Produtos de Limpeza 

Eu não conseguia limpar vidros. Apesar de agora eu conseguir, não significa que eu goste de fazê-lo. Antes, eu comprava aqueles produtos industrializados, que besuntavam o vidro de tal maneira, que eu demorava muito tempo esfregando para conseguir tirar o produto e ver do outro lado da janela. Depois, seguindo conselhos, comecei a usar vinagre e álcool diluídos em água, mas o resultado também não foi lá essas coisas; até que alguém me ensinou: "Use apenas água pura! Passe um pano para tirar o pó, e depois, um pano com água; em seguida, seque com um tecido que não solte pelinhos." Fiz, e deu certo! O vidro fica limpinho e sem marcas.



Sabe aqueles desodorizadores sanitários? Eu sempre uso. Usava aquele mais antiguinho, em formato de pedra, que a gente deixa pendurado na beiradinha do vaso. Um dia, vi na televisão o anúncio sobre um que era em bastão, colocado dentro de um recipiente todo furadinho. mas... eca! E depois, na hora de trocar o bastão? Temos que pegar naquela coisa gosmenta, cheia de xixi... deixei de lado. Daí, fiquei sabendo de uma outra marca famosa, também em bastão, mas que deixou uma mancha verde no meu vaso sanitário que até hoje - anos depois - não saiu!

Outro dia, comprei um que é de colar por dentro do vaso. Até que estava indo bem, mas ele começou a gastar, e foi virando uma coisa gosmenta e escorregadia, dando um aspecto horrível ao vaso sanitário. Resultado: estou de volta à velha pedrinha! Muito mais higiênica, prática e duradoura, não mancha e nem fica gosmenta.



Já ouviram falar de cera líquida com Teflon? Não comprem! Na minha outra casa, eu usei este produto. Na hora, o chão ficou maravilhoso, um verdadeiro espelho! Mas alguns dias depois, a coisa começou a soltar às camadas, como se o chão estivesse cheio de fita adesiva. Além do mais, ficou tudo arranhado! Horrível!... Quase acabou com o meu sinteco, e demorou meses para sair. O produto que eu comprei especialmente indicado para remover este tipo de cera, removeu também o que restava do sinteco. Saudades da boa e velha cera em pasta... dava um trabalhão para espalhar e lustrar, mas dava certo. Graças a Deus, minha casa atual não precisa ser encerada - a não ser as escadas de madeira, que eu encero duas vezes ao mês com cera líquida vermelha - sem Teflon. 


Para limpar mofo do box, eu costumava comprar um produto muito eficiente, porém, caríssimo, em spray. Ninguém mais tem tempo ou paciência para ficar esfregando com escovinha, não é?  Eu espirrava o produto, e dez minutos depois, sem o menor esforço, enxaguava bem e pronto! Tudo branquinho e sem mofo. Um dia, o produto caríssimo estava em falta no supermercado, e eu levei cloro comum. Descobri que faz exatamente o mesmo efeito, e custa muito, mas muito menos! E é bem menos agressivo às nossas mucosas.

Aprendi em uma revista que para deixar um cheirinho gostoso e suave na casa, ao passar o pano úmido, colocar antes na água uma tampinha de amaciante. Dá certo! Também é ótimo para passar no tapete, com uma escovinha, após o aspirador de pó. Depois, secar com um pano macio.

E durante a limpeza... nada melhor que abrir todas as janelas e deixar arejar!




terça-feira, 30 de julho de 2013

É Batata!


Este é um texto sobre batatas. Isso mesmo! Ao pé da letra.
Porque hoje eu estava cozinhando o almoço, quando pensei: por que não preparar um purê de batatas? 
Minha história com as batatas é antiga. Sou uma ativa defensora e admiradora delas, desde pequenininha, quando minha mãe dava-me comida na boca: caldinho de feijão, arroz e purê de batatas, que era o único legume que eu aceitava. Só quando já estava adulta aprendi a apreciar os demais legumes.

Voltando ao purê: esqueça a forma tradicional de preparar o purê, com leite e manteiga. Fica bom, mas ele acaba azedando, e não fica com o mesmo sabor, se sobrar do almoço para o jantar. Ao invés disso, amasse as batatas e ponha creme de leite puro. Ele fica delicioso e consistente, exatamente como aquele purê de batatas do filme Contatos Imediatos do Terceiro Grau. E tende a resistir até o jantar!

Mas, caso sobre algum e você não deseje repetir a dose, jogue um ou dois ovos inteiros no que sobrou, acrescente mais tempero, algumas colheres de trigo, queijo ralado e bastante salsa e cebolinha picadas; mexa muito bem, e frite às colheradas. É uma delícia!



Quem resiste a uma maionese de batatas em dias de calor? Com maçã picadinha é dez... batatas ficam maravilhosas de qualquer maneira. Fritas, então, nem se fala! E danem-se as calorias! Eu costumo fervê-las e depois prepará-las ao forno, gratinadas com bastante queijo. Fica chique! Também fica muito bom preparar uma sopa de batatas, deixando-as cozinhar até desmanchar, e depois colocar couve picada bem fininha. 

Existem mil e uma maneiras de preparar batatas. Mesmo quando estou de dieta, jamais deixo de comê-las. Basta não comer arroz, macarrão ou feijão junto com elas, e não vamos engordar.

Jamais conheci alguém que não gostasse de batatas. Ou melhor, apenas uma pessoa: um amigo que morou algum tempo na Inglaterra. Ele disse que serviam batatas religiosamente todos os dias, e ele já não aguentava mais. Por fim, na hora das refeições ele saía de fininho e ia comer biscoitos em seu quarto. Eu acho que eu ia adorar morar na Inglaterra, não só pelo clima, mas pelas batatas também.


Quando eu era bem pequena, espetava uns palitos de fósforos nas batatas cruas, e fazia porquinhos. Pena que minha mãe acabasse sempre servindo os meus porquinhos no almoço. Foi uma época um tanto traumática, ver meus amigos boiando na água fervente...

Batatas são batata, quando se quer preparar uma refeição às pressas, pois elas são muito versáteis. Por exemplo, quando chega alguém de surpresa para o almoço, é só fazer um nhoque de batatas e jogar um molho de carne-moída por cima. 

Em tempo: quando vier a Petrópolis, não deixe de comer as batatas infladas do Majórica; são batatas fritas que ficam com uma bolha de ar bem no meio. Já tentei fazer em casa, mas não consegui.

domingo, 28 de julho de 2013

Uma Casa



Mudamos dentro de uma casa. Ela vê passarem os anos. Ela nos observa, desde o momento em que chegamos ao mundo e começamos a abrir os olhos e perceber a vida além de nós. A casa escuta nossas primeiras palavras e recebe nossos primeiros passos. Ela nos vê ao vestirmos o primeiro uniforme da escola. Cuida com carinho dos nossos primeiros tombos, e depois, de nossas desilusões amorosas e amores platônicos da adolescência.

A casa fica, quando vamos embora, cedendo o espaço a outros que chegam. Guarda em si as memórias de todos que nela moraram. Nós podemos não saber, mas ela sabe. Ela viu, ouviu, calou entre suas paredes tudo sobre cada vida que abrigou. E as famílias e as gerações vão se renovando. A casa permanece, mesmo quando sua estrutura é modificada. 

E a casa nos recebe, assim que chegamos, novos habitantes cheios de sonhos e esperanças. 

É nas cortinas de uma casa que enxugamos as nossas lágrimas de decepção. Ela é sempre fiel, sempre acolhedora, sempre amiga, mesmo quando todos já se foram - por imposição da vida e da morte ou por livre e espontânea vontade. Podemos nos sentir sozinhos dentro de uma casa, mas é porque não prestamos atenção o suficiente para percebermos que uma casa está viva. Ela respira. Ela existe. Ela acolhe e consola. A casa nos aguarda pacientemente, quando decidimos nos perder pelo mundo, e jamais se ressente se demoramos voltar ou se não voltamos nunca mais.

 Se abandonada, ela apenas morre. Silenciosamente. Sem fazer qualquer reivindicação. Deixa caírem vagarosamente  as suas partes, uma a uma, por trás das portas e janelas cerradas. Entrega as suas estruturas ao vento, à chuva, à umidade. Sem qualquer apego. Permanece calada durante anos e anos, até que alguém resolva qual será o seu destino, ao qual elas se entregam. Mas se alguém optar por abrir-lhes as janelas e portas, arejá-la, cuidar dela, limpá-la e amá-la, a casa responde sempre, dando em troca a sua alma renovada e acolhedora.

Uma casa não tem ressentimentos. Ela nos aceita, quer sejamos crianças, jovens ou velhos. Ela não liga para os nossos roncos à noite, não se escandaliza quando reclamamos alto porque não sabemos aonde foi que deixamos nossos óculos, e nem se ressente quando estamos tristes. A casa não indaga; não quer saber os nossos motivos, não nos exige nada... mas alegra-se quando nos lembramos de cuidar um pouco dela de vez em quando.

Pois até mesmo uma casa se abre ao amor verdadeiro.



quinta-feira, 25 de julho de 2013

A Casa Onde Morei





A Casa Onde Morei

Novamente, chego à mesma velha e conhecida rua. Anoitece. A casa, com seu telhado em "V" invertido no alto da colina, é apenas uma sombra escura contra o céu.
O portão range quando o abro. Conheço este ruído. Vagarosamente, começo a subir os degraus. Conheço também cada pedra, sei onde cada degrau é mais alto ou mais baixo. Posso subí-los mesmo durante a mais negra escuridão. Quando chego em frente à casa, deparo com as duas janelas da frente escancaradas e negras, como se fossem dois olhos sem órbitas a me fitarem. Já está quase totalmente escuro. O silêncio é total, e não há luzes na casa. 
Entro. Deparo com uma sala sem móveis, fantasmagórica. Onde está minha mãe? E meu pai? Onde estão meus irmãos? Testo o interruptor, apenas para confirmar: não há luz. Meus passos ecoam no chão de assoalho. 
A velha e pesada mesa de madeira ainda está na cozinha. Sobre ela, uma vela acesa. Súbito, a porta da cozinha se abre, e entra meu pai. Mas ele apenas me fita, sem nada dizer. Está muito sério e parece zangado. pergunto-lhe o que quer, ele não responde. Percebo que só posso vê-lo da cintura para cima, a parte de baixo do seu corpo se desvanece aos poucos. Assusto-me, afinal de contas, lembro-me de que ele está morto há muitos anos. Mas antes que eu possa ter qualquer reação, ele vira-me as costas e sai. A chama da vela oscila. Vejo a porta entreaberta do quarto que foi de meu avô. Eu a empurro, e ela chora. Lá dentro, de pé no canto da parede, meu avô é apenas uma sombra indistinta. Não posso ver seus olhos. Logo, ele some.
A escuridão agora é total. Saio pela porta dos fundos. Vejo as folhas das bananeiras brilhando, mas não há luar. De repente, vejo meus gatos, que me rodeiam, miando desesperados: Loretta, a gatinha que perdeu um olho; Frieda, a que gostava de comer as esponjas de lavar louça. Dirceu, o gato preto que caçava borboletas. Gugu, o rajado, meu preferido. Barbarella. Pedro, Amarelo, Mimi. Há também outros gatos que já foram meus. Tenho que alimentá-los. mas lembro-me que estão mortos. Mortos não comem. Choro de saudades deles.


Aparecem meus cachorros: Fox, Rex, Bolinha, Susi, Fábrica (ela sempre paria muitos filhotes), Jolie, Fifi, Dédi (Dead, em Inglês, pois ele era muito feio), Bob, Mim e muitos outros. Sinto muito ter que ir embora e deixá-los sozinhos naquela casa vazia e escura. Mas não posso cuidar deles, e eles não podem vir comigo. 
Preciso ir embora. A melancolia que me invade é indescritível. Chamo por nomes. Apenas o eco da minha própria voz responde. Grito o nome da nossa vizinha. Olho por cima do muro, mas a casa dela está vazia e escura, como a minha. Apenas D. Delfina, a sogra, que era cega e muito idosa, e andava segurando-se nas paredes da casa a fim de se guiar, passa por mim. Mas ela some, antes de fazer a curva em volta da casa. Alguém aparece à janela. Reconheço Tamico, o irmão da vizinha, que morreu de tuberculose quando eu tinha cinco anos. Nunca mais eu me lembrara dele desde então!
Como os outros, ele some.



Passam de mãos dadas D. Lourdes e seu marido, Moacir. Caminham como num transe e passam por mim sem me cumprimentarem, desaparecendo contra a parede da casa.
Meu tempo está acabando. Cruzo a lateral escura da casa, correndo para o quintal da frente. Começo a descer os degraus lentamente. Olho para cima mais uma vez, e todos os animais me olham, sentados nos degraus. ter de deixá-los presos ali parte meu coração. Grito: "Eu volto para cuidar de vocês, prometo!"
Desperto.



terça-feira, 23 de julho de 2013

Casa Vazia





CASA VAZIA


Quando nos mudamos para esta rua, há seis anos, logo percebi que teria bons vizinhos. Todos estão sempre prontos a ajudar, respeitam a privacidade uns dos outros e convivem de maneira gentil. É claro, descobrimos mais afinidades com alguns do que com outros, mas de maneira geral, somos todos bons vizinhos.

A casa ao lado da minha, era ocupada por uma família: mãe, pai, dois filhos, alguns empregados... e -acho- uma dezena de cães! Adoro cães, e eles não me incomodam ao latir, a menos que eu perceba que são latidos de angústia, o que nunca foi o caso. Meu marido às vezes reclamava do barulho dos cães, pois um deles latia compulsivamente quando os donos estavam ausentes. Este latido também me incomodava, pois era de tristeza...mesmo sabendo que o caseiro vinha todos os dias cuidar de tudo, meu coração murchava quando ele começava a latir.

Há pouco tempo, percebi que os jarros de plantas que marcavam o portão da casa, desapareceram. Caminhões de mudança carregavam, aos poucos, objetos e mobília. É lógico, percebi que meus vizinhos estavam indo embora. Bem, eles não eram, exatamente, grandes amigos, já que nem sequer se despediram dos outros vizinhos. Ou de nós. Não posso dizer que sinto saudades deles.

Mas a casa vazia me incomoda. Não ouço mais os carros chegando em casa à noite, nem os cães latindo. Foram-se os vasinhos de flores e casinhas de passarinho pendurados no madeiramento do telhado da garagem. O alarme não dispara mais no meio da noite porque alguém se esqueceu de desligá-lo antes de sair para uma volta no jardim. Acabou o movimento de crianças indo e chegando da escola, ruídos delas em volta da piscina. À noite, olho para o outro lado e está tudo escuro. Bem mais silencioso, mas escuro...




Quando eu ainda era uma adolescente, e todas as minhas irmãs já tinham se casado, meus pais pegaram pneumonia ao mesmo tempo, e uma de minhas irmãs, que morava perto de um hospital, achou melhor ficarmos com ela até que nossos pais se curassem. Ficamos morando no centro da cidade durante mais ou menos um mês. Um dia, minha mãe me pediu que eu fosse em casa pegar algumas coisas. Quando cheguei lá, levei um choque: O mato havia crescido tanto, que tive que atravessá-lo para chegar até a porta da casa. Quando entrei, o soalho de madeira estava todo mofado, coberto por uma camada de pelos verdes, e as roupas da casa cheiravam a mofo.

Logo percebi o que significa uma casa estar morrendo! Imediatamente, eu e minhas irmãs abrimos as janelas e começamos a faxinar, lavar, esfregar, encerar. Quando meus pais voltaram, estava tudo limpinho de novo.

Uma casa vazia, ou um coração vazio: sinônimo de angústia. Tomemos sempre cuidado para que nunca sejamos tomados pelo mofo da indiferença e da falta de amor.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

DIAS DE VENTO







Libra é um signo do ar. Eu sou de libra, portanto, amo o vento. Gosto de sentar-me no jardim em dias de vento e conversar com ele, que me responde através dos sons de meus sinos de vento.
Ontem - terça feira - foi meu dia de faxina. Enquanto varria, aspirava, tirava o pó e esfregava, abri todas as janelas e portas da casa e pedi ao vento que me ajudasse. Eu limpava a sujeira física, e ele percorria os cantos, sacudindo as cortinas e banindo energias negativas acumuladas, ocasionais espíritos das trevas e maus pensamentos. 
Pus cobertores, almofadas, edredons e travesseiros ao sol, na varanda, e o vento sacudiu-lhes a poeira e os prováveis ácaros.
Ele passava assoviando, levando consigo para bem longe todas as impurezas. Eu cantava, e ele respondia. Ficamos nessa pareceria por toda a tarde. 
Quando finalmente terminamos, acendi alguns incensos pela casa e pelo jardim, e ele soprou o cheiro pelos quatro cantos, ajudando a perfumar tudo e acalmar as energias. 
Agradeci ao vento pela grande ajuda, enquanto ia fechando as portas e janelas, cerrando algumas cortinas e chamando São Jorge e meu Anjo Guardião para que Eles reenergizassem a casa toda.
O sol já ia se despedindo, e dentro da casa limpa e refrescada, paz e silêncio. Tomei uma chuveirada bem quente, coloquei uma roupa limpa e agradeci a todos os meus ajudantes.
Em resposta, o vento assoviou de leve pela greta da janela.



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sobre Passar Roupas




Sobre Passar Roupas


Quando não gostamos de fazer alguma coisa, existem técnicas neurolinguísticas avançadas, nacionais e importadas, para nos ajudar a fazer com que elas tornem-se suportáveis - ou quem sabe, agradáveis. Uma vez, li em um livro zen que todo mundo deveria fazer, todos os dias, alguma coisa da qual não gosta, como disciplina de espírito. 

Bem, depende da coisa! Imaginem só, se um heterossexual convicto decide disciplinar o espírito cedendo aos domínios da carne como se fosse um homossexual, ou vice-versa? Não daria certo... Ou se a sogra decide fazer faxina na casa da nora todo final de semana, apenas pela disciplina espiritual? As delegacias andariam ainda mais cheias!

Bem, mas vamos voltar a falar das coisas simples, pois nem toda frase de efeito é necessariamente prática. Quais são, afinal, as vantagens de se passar roupas?

1) A roupa fica passada, e a gente não fica andando por aí feito um maltrapilha.

2) Podemos exercitar o braço direito. É bom trocar de vez em quando, para exercitar o braço esquerdo também.

3) Podemos aproveitar para ouvir um pouco de música; basta pegar o CD portátil e tentar relaxar... de repente, podemos cantar junto! E bem alto! Quem canta, seus males espanta, e quem sabe, alguém escuta e se oferece para passar a roupa no nosso lugar, contanto que paremos de cantar?

4) Quando a gente termina e põe tudo arrumadinho no armário, fica tudo bonitinho e cheiroso, e por algum tempo, se houver visitas intrometidas na casa, elas elogiarão a sua organização.

5) A gente tem tempo para pensar nas coisas. Bem, nem sempre isso será positivo... se você estiver meio-brigada com o cara-metade, pode sentir-se tentada a queimar aquela camisa caríssima, favorita dele... OK, só um pouquinho, ali nas costas. Ele vai vestir e nem vai perceber (só os outros).

Pensando bem, passar roupa até que é bom... não é não?


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Batendo um Bolo





BATENDO UM BOLO

Hoje acordei com vontade de comer bolo. Não aqueles bolos maravilhosos que compramos na padaria, embalados em saquinhos plásticos e cheirando a pecado. Não; queria um bolo simples. Um bolo-família, como os da Tia Rosa.

Lembrei-me da época em que ela nos fazia suas visitas, trazendo sempre um saco de maçãs. Conversa vai, conversa vem... quatro horas da tarde. Boa hora para tomar um café. Café com bolo. Ela dizia:
"Ruth (minha mãe), pega os ingredientes que eu vou bater um bolo." E minha irmã e eu ficávamos sentadas à mesa da cozinha perto dela, enquanto nossa mãe untava a forma e batia as claras em neve à mão, pois não tínhamos batedeira. Tia Rosa colocava as gemas e o açúcar, misturava bem, formando uma farofa, depois acrescentava a manteiga, o leite, e finalmente, o trigo. Batia vigorosamente. Batia também nas nossas mãos ansiosas por enfiar o dedo na massa: "Assim desanda a massa", ela dizia, fingindo que estava zangada.

Enquanto isso, o sol de final de tarde entrava pela janela da cozinha.
Depois, ela acrescentava o fermento, as claras em neve e esquentava o forno. Derramava a massa na forma untada, picava maçãs por cima... e minha mãe preparava o café no coador de pano.

Se uma de nós abrisse a porta da cozinha, ela ralhava, dizendo: "Fecha a porta, ou o bolo embucha! Não se abre porta em cima de forno quente, menina!"

Os bolos da Tia Rosa tinham sempre uma fofura que até hoje, não consegui copiar. Hoje de manhã, tentei seguir os mesmos passos que ela, rigorosamente, mas cometi um pequeno erro, eu acho: usei a batedeira. Ao invés de maçãs, bananas. Esquentei o forno, derramei a massa na forma untada. Após dez minutos, o cheiro já começava a se espalhar pela casa. O tempo todo, parecia que ela estava de pé atrás de mim, dizendo: "As claras ainda não estão no ponto. Pique as bananas mais fininhas. Unte bem a forma."

Sempre há um pouco de ansiedade nos segundos que antecedem a retirada de uma forma de bolo do forno. Estará murcho? Graças a Deus, saiu uma cuca de bananas quase perfeita. Só seria perfeita se a Tia Rosa a tivesse feito. Coei o café (na cafeteira elétrica, filtro de papel) e comecei meu dia com uma grossa fatia de bolo.





Afazeres






AFAZERES


O dia nasce, impreterivelmente, desbancando o sono e o cansaço. Olho da janela e vejo que o quintal precisa ser varrido, e a grama, limpa. Os pássaros comeram todas as bananas, e a água dos colibris deve ser trocada.

Preparo o café, enquanto ligo o computador e checo meus e-mails. Logo depois, vou lá para fora, dar o lanchinho dos cães, o remédio, o bom dia. Carinho matinal. Tomo meu café, e nisso, chegam os pedreiros. 

Ligar para minha irmã, ver se ela está bem. Lavar a louça da preguiça noturna. Preparar o almoço, varrer a casa, fazer a cama. Roupas para passar... tudo de novo! Quanto mais as passo, mais a pilha cresce...

Bom dia ao vizinho; como ele está de saúde? Recupera-se? Sim, agora está tudo bem. Mais um dia. 

Devo limpar os armários da cozinha e espalhar neles alguns cravos, contra as formiguinhas. Não é que funciona mesmo? Coloquei dois no açucareiro, e os sucos e cafés ficam com um gostinho ao fundo... ainda bem que gosto de cravos. 

Muitos afazeres... toda uma semana deixada para trás, quando quase nada foi feito, limpo ou arrumado. Ainda preciso preparar a aula da noite. Encomendar a ração dos cães... Nossa, quanta poeira sobre a mesinha da sala! Vamos limpando!

Água. Sabão. Colocar os panos de limpeza de molho no alvejante. Sou - volto a ser - uma dona de casa. Meus tempos de heroína acabaram.