terça-feira, 26 de novembro de 2013

COISAS DE QUINTAL


Quintal ou jardim: qual a diferença? Segundo o dicionário:
Quintal – pequena quinta; pequeno terreno com horta, junto a uma casa; pomar.
Jardim: local onde se cultivam flores; terreno onde se cultivam plantas para recreio ou estudo.

Bem, para mim, um quintal é um pequeno jardim. Tem aquele cantinho com os vasos de plantas. Tem uma vassoura velha encostada em um canto de parede. Tem um pedacinho de grama, ou um chão cimentado bem varridinho. Com certeza, formigas, joaninhas, passarinhos e o som do rádio do vizinho.
Pode ser que haja um varal, onde a roupa limpa da casa balance contente ao sol, ao sabor do vento.
Quando eu era pequena, no nosso quintal tinha uma pequena churrasqueira improvisada, feita por meu pai com tijolos e chapas de ferro , em volta da qual a família se reunia aos domingos. Ah, e tinha cães e gatos! Que graça teria, se não fossem eles?

No chão de terra batida, as linhas da amarelinha riscada por mim e por minha irmã, e também as marcações para o jogo de bolinhas de gude. Tinha canteiros com dálias, margaridas e bocas-de-leão debaixo das janelas da frente da casa. Em uma pequenina gruta, na lateral do terreno, colocamos uma miniatura de Nossa Senhora. Gostávamos de por flores para ela, e acendíamos velas.
Ficava no quintal a ‘oficina’ de meu pai, um barracão de zinco onde ele fazia suas grades e portões de ferro. Eu adorava ficar lá quando chovia, pois o barulho da chuva batendo nas folhas de zinco era tudo de bom! Mas sob o calor do verão, era insuportável... quando meu pai não estava usando a oficina, eu fazia dela a minha casa de bonecas.


No nosso quintal tinha uma coisa que eu amava, e até hoje, quando eu vejo um, se possível, penduro-me nele: um balanço, feito por meu pai.
Era no quintal que nos reuníamos para comer frutas – mangas, laranjas, melancias, jabuticabas, tangerinas, ameixas e uvas – e fazíamos a maior sujeira: cascas e caroços por todo lado! E nós, lambuzados.
Eu gostava de chegar da escola, mudar de roupa e ir sentar no chão do quintal, calçando meus chinelos de borracha. Jogava vôlei com a parede, pulava corda, andava em meu velocípede, e quando já estava mocinha, colocava o biquine e estendia uma toalha no chão para tomar sol e ficar ‘morena.’
É tão bom ter um quintal! Para mim, ele é o lugar para onde estendo minhas raízes, ou elas ficariam emaranhadas e atrofiadas no vaso-casa.


domingo, 24 de novembro de 2013

A Cachorrinha que Pensava Ser Menina



Porque casa sem bichinhos é um pouco mais triste, uma homenagem aos bichinhos da minha casa:







A Cachorrinha que Pensava ser Menina


Era uma vez, lá em casa
Uma linda cadelinha
Que gostava de sentar-se
No banquinho, como gente.

Se não estava muito quente,
Ela deitava-se ao sol,
De barriguinha pra cima,
A brincar, toda contente!



Gostava de cavar buracos
E enterrar suas coisinhas:
Um pedacinho de pão
Um biscoito quebradinho
E uma casca de mamão.

Na pontinha do focinho,
De terra, um grande torrão!
Uma buraco no jardim
Bem juntinho do banquinho!




A menina cachorrinha
Travessa, como ela só
Sacudia-se da terra
E soltava muito pó...

Se passasse lá na rua
Algum outro cachorrinho
A menina se agitava,
Latia, e muito rosnava...
Mas era apenas firula,
A menina cachorrinha
Não mordia - só brincava!

No quintal , a passear
E a aprontar mil travessuras
A menina cachorrinha
A quem todos adoravam
Ganhava muitos carinhos
Por causa de sua fofura.




Quando dormia, sonhava,
Mexia todo o corpinho,
E latia, bem baixinho
Como um cachorrinho que chora...

Quem sabe, enquanto dormia,
A cachorrinha sonhava
Com seu amiguinho Aleph
Que já tinha ido embora?


Aleph

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Minha Árvore de Natal




Esta é a minha árvore de natal. Mais um ano em que eu a enfeito... e mesmo sem muita vontade, acho essencial que a gente tenha uma árvore de natal em casa, pois ela nos lembra coisas boas: solidariedade, amor, outros natais felizes que já tivemos. Para mim, a árvore de natal representa também a esperança.

Apesar de ter tido muitos acontecimentos tristes próximos à época do natal, eu não vou deixar de enfeitar minha casa nunca! Faço-o não somente por mim, mas em lembrança aos que já se foram e não estão mais presentes fisicamente. E cada enfeite que eu penduro na árvore, dedico a cada pessoa que amo, um pensamento de saúde, prosperidade e alegria. Porque é exatamente isto que eu desejo a todos, e apenas isto.

Agora, minha sala de estar está bem mais bonita e aconchegante.




segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Casa de Chá



Quem não aprecia um bom chá indiano, inglês ou de outras nacionalidades, acompanhado de um delicioso pudim de pão e vinho, ou de biscoitinhos de canela e gengibre, ou de uma deliciosa fatia de bolo? E tudo isso durante uma tarde chuvosa, em um dos recantos mais deliciosos de Petrópolis - Itaipava?

E mais: tudo servido com o maior carinho e atenção aos detalhes!



Estou falando do Benedicto Chá, uma casa de chá especial. Desde o momento em que se entra, já se percebe que ali é como se fosse a casa do proprietário, e que a maior preocupação dele, é fazer você sentir-se bem vindo.


Se você não gosta muito de chá (se bem que eu duvido que, ao ler a variada carta que o Benedicto apresenta, você não fique curioso para experimentar alguns), pode tomar seu café tradicional, expresso ou capuccino. E eles sabem explicar direitinho a origem, história e característica de cada chá que servem por lá. Tudo ao som de boa música antiga, como sucessos de Frank Sinatra. Uma tarde para lembrar.

Um lugar para sentir-se em casa. Fica no primeiro piso do Shopping Vilarejo.




quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Revista Bons Fluidos




Adoro ler a revista Bons Fluidos! Na verdade, atualmente é a única que leio. Ao invés de reportagens falando de corrupção e crimes, ela só fala do que é bom: casas, emoções, viagens, lugares encantadores, modos de vida, pessoas inteligentes, filosofia... das imagens às reportagens, tudo é muito belo, feito com muito bom gosto e carinho. 




Entre meus favoritos, está o colunista Carlos Solano.



 Ele fala sempre de casas, como melhorar a energia, ensina simpatias e truques para fazer com que as nossas casas sejam sempre encantadas. Criou um personagem (ou será que ela é real?) chamada Dona Francisquinha, que é uma senhora que faz a limpeza na casa onde ele vive; através dela, ele transmite suas receitas de bem viver, orações e dicas de limpeza astral - e física.




Carlos Solano é um poeta. Seus textos muitas vezes emocionam, levando o leitor às lágrimas, pois Dona Francisquinha é tão forte, sábia e real, que suas falas penetram no âmago do leitor. Imperdível.



Para quem gosta de casas, boas energias e cultura, Bons Fluidos é um pacote e tanto. Eu a leio há muitos anos, e acompanho as transformações pelas quais ela vem passando. Sempre atual, agradável, leve. Uma leitura inteligente.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Casa Dentro de Mim






Limpar a casa por fora e não limpá-la por dentro: um grande erro que eu - que todos nós - muitas vezes cometemos. Melhor deixar de lado a neurose de uma casa imaculadamente limpa e perfeita, como se fosse casa de revista, e deixar com que as coisas demonstrem sua personalidade. Vale lembrar que mania de limpeza também não é saudável!

Mas manter limpa a minha casa interior deve ser meu maior objetivo, e confesso que não venho cuidando muito bem deste meu lado... acho que  preciso ficar mais atenta àquilo que permito que entre em minha casa interior. Pois então, nesta semana que principia, quero ter me mente uma vassoura à porta desta casa, que espante para longe toda energia ruim vinda do ego que tente invadir minha paz: uma vassoura atenta e eficaz, que eu possa utilizar em meus próprios pensamentos e julgamentos.

O mal mais perigoso e ferino, não vem de fora; ele vem de dentro de mim mesma, ele cresce nos pensamentos ruins que deixo que se criem em minha cabeça, nos julgamentos apressados que faço, e principalmente, nas coisas que eu deixo que me afetem (e a maior culpada sou mesma, pois para que alguma coisa entre me minha casa, ela precisa de minha permissão).

Gostaria de adquirir mais serenidade, e transformar-me em meu principal abrigo, em minha própria fortaleza, de modo que nada que acontecesse aqui fora, intencional ou não, pudesse tirar-me do meu eixo central. E mesmo que eu caia uma milhão de vezes, continuarei sempre tentando, pois eu sou importante para mim.



quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Espaço




Caibo toda dentro de minha casa. Conheço a amo cada espaço, cada canto, cada vão de parede. Até mesmo as gotas de chuva que batem na minha vidraça, tem um som diferenciado das gotas que caem em outras vidraças. Aqui eu tenho aquela falsa sensação de estar segura e protegida - falsa, pois a partir do momento em que estamos nesse mundo, as injúrias podem entrar até mesmo pela janela de casa quando menos se espera. Mas pelo menos, aqui, terei a certeza e o consolo de não tê-las convidado.

Sozinha em minha casa, eu consigo ser feliz por muito mais tempo. Ela me conhece. Acima de tudo, ela me respeita e me aceita como sou. Aqui em minha casa, durante a maior parte do tempo, entram as sensações que eu convido. E quando não desejo ser vista, eu fecho as portas e as janelas (raras ocasiões).  Aqui eu posso existir plenamente, sem a preocupação de estar incomodando ou esbarrando em outras existências. Daqui para o mundo, é só um passo, que eu só dou quando quero.

Às vezes, a paciência com a maldade e a mesquinhez de algumas pessoas torna-se curta; explodo, e minhas paredes contém minha explosão sem que eu necessite contaminar o ar alheio. E quando termina meu desabafo, limpo tudo - o espaço físico, mental e espiritual - e continuo meu dia.

Caibo toda dentro de minha casa: corpo, alma, pensamento. Aqui, eu sou livre. Aqui, eu sou feliz.




segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A Casa e o Amor




Uma casa é como o amor,
Morre a míngua, se deixada
Suja, só, abandonada,
Sem carinho, sente dor...

Uma casa é coisa viva,
Quer ser vista, visitada,
Necessita ser amada,
Gosta de sentir-se ativa.

Uma casa tem em si
A energia sempre viva
Daqueles que a habitam.

Seja boa ou seja má,
Já se sente, na entrada,
As emanações que ficam.