sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

No Jardim com as Mangas Carlotinhas




Acabei a minha limpeza de final de ano - digo, parte dela. Faz calor.  Ainda cansada e suada, abro a geladeira e pego algumas deliciosas mangas Carlotinha - aquelas pequenininhas que tem um tom alaranjado forte, e são macias e doces, doces - e vou lá para fora, sentar na grama com uma faquinha de cozinha.

Manga é fruta para se comer no quintal. Tem que deixar o sumo escorrer pelos braços, sujar o rosto, ficar cheia de fiapos entre os dentes. Comer manga com garfo e faca causa uma drástica redução no sabor da fruta. Não tem graça.

Lembro-me que quando eu comecei a trabalhar, lá pelos idos dos meus dezenove, vinte anos, eu e meu namorado (atual marido) costumávamos sair do trabalho ainda com dia claro (era horário de verão) e comprávamos um saco enorme dessas mangas. Ao chegarmos em minha casa, eu as descascava e fazia sorvete. Duas horas depois, nós desfrutávamos daquela iguaria deliciosa, que é o sorvete de mangas Carlotinhas. Dá um pouco de trabalho descascá-las e picá-las em número suficiente para fazer um bom sorvete, pois elas são bem pequenas, mas vale a pena. Eu fazia assim:

Após descascadas e picadas, eu as colocava com um fiozinho de água no liquidificador; mas um fiozinho de nada, só para dar consistência para bater. Depois, eu despejava nas forminhas. Não colocava leite, aúcar, nada. Eram cubinhos da pura fruta. Bom demais!

As mangas contém vitamina C e são ricas em iodo. Quem tem problemas de tireoide, deve consumi-las em abundância. Também ajudam bastante a quem tem o intestino preso. Além de consumidas puras ou em forma de sorvete, ficam deliciosas quando usadas no preparo de  molhos para acompanhar truta e salmão, e também em sucos e saladas de frutas. 

Quando estive no Pará - terra conhecida pela variedade de frutas que a gente não encontra por aqui - havia mangueiras frondosas plantadas ao longo de quase todas as ruas em Belém. As mangas caíam no chão e apodreciam. O mais intrigante, é que quando pedíamos suco de mangas em restaurantes ou lanchonetes, ninguém tinha... tinham laranja, graviola, cupuaçu, abacaxi, limão, enfim, todas as frutas imagináveis, menos a manga. 

Até mesmo o ouro, quando em grandes quantidades, perde o valor.



domingo, 22 de dezembro de 2013

VÁ TOMAR BANHO!






Nessas épocas festivas e cansativas, de muitas compras, faxinas, comemorações, festas no escritório, amigos (e inimigos) ocultos, etc, é essencial estar em dia consigo mesmo.

Daí, nada melhor do que um bom banho para descarregar as impurezas (físicas e astrais)!

Pesquisando na rede, encontrei algumas receitas muito interessantes de banhos para ajudar a cuidar do corpo e da alma; aqui estão algumas delas:

GUINÉ


BANHO DE DESCARREGO (do blog CPJA - Centro Pai João de Angola)

(LIMPEZA FORTE)

Desfie um pedaço de fumo em corda coloque 7 folhas de picão roxo ferva-os(neste caso não faça por maceração ou infusão, ferva a erva e o fumo junto), desligue o fogo, coe e acrescenta 1/2 copo de vinagre branco, e um punhado de sal grosso.Tome o seu banho de higiene, de preferência com sabão da costa ou de coco, em seguida jogue o banho dos ombros para baixo, e novamente tome banho com o sabão da costa. Ponha uma roupa clara e vai dormir, você verá como vai se sentir bem melhor, pois este banho tira toda a negatividade, pelo fator de ser um banho muito forte, aconselho tomar (banhar-se) somente uma vez por mês. 

Aproveite essas dicas:

É importante tomar um banho de ervas após o banho de sal grosso, pois este banho vem com a função de repor as energias que foram neutralizadas pelo sal.

Deve-se tomar cuidado com a “coroa”, não jogando o sal grosso na cabeça, salvo orientação das Entidades Espirituais.

Pode-se utilizar pedaços de carvão nas solas dos pés durante o banho de sal grosso. O carvão vem com a função de peneirar as energias, deixando somente as energias más serem neutralizadas.


CATINGA-DE-MULATA


BANHO PARA TER PROSPERIDADE - da revista Bons Fluidos

Ferver 3 punhados de sal grosso, 3 folhas de guiné, 1 maço de catinga-de-mulata e 1 maço de hortelã em um litro d'água.
Derrame a mistura , após morna, do pescoço para baixo após o banho normal. Mentalize que toda a energia negativa está deixando seu corpo.


ESPADA DE SÃO JORGE



BANHO REVITALIZANTE

Num dia de lua minguante
3 litros de água
uma folha de espada de são jorge
arruda - macho
arruda - fêmea
guiné
rosas brancas
quebra-tudo
aguapé
hortelã
Ferva tudo, coe e faça o banho antes de se deitar. Recolha o que sobrar desse banho e jogue no jardin. Esse banho só pode ser feito por mulheres.


SÁLVIA


BANHO PARA DESANUVIAR A MENTE

meio maço de Sálvia
nove folhas de louro
nove galhos de manjericão
três colheres de sopa de cravo (em pó é o ideal)
Ferver o louro com o cravo até que a água tonalize de amarelo, deixe esfriar e coloque numa bacia específica para banhos, macerando então as ervas frescas até que se pareçam oxidadas (fiquem esmagadinhas, escuras). Deixe em exposição ao luar, e acrescente uma peça de ouro, retirando no dia seguinte e tomando o banho da cabeça aos pés.

Importante:

Devolva todo o material utilizado a natureza, deixando aos pés de uma árvore ou enterrando, a mesma que ofereceu parte de si com amor, agradece.


ARRUDA

AS ERVAS CITADAS SÃO FACILMENTE ENCONTRADAS EM FEIRAS E CASAS DE UMBANDA - OU QUEM SABE, NO SEU JARDIM.



segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Creme de Confeiteiro



Ontem, quando acordei, eu não estava bem. Marasmo se instalando... o dia, apenas no começo. O que fazer para que ele não se estragasse? 

Olhei para fora; a manhã estava fria e cinzenta, e até minha cadelinha parecia chateada. Nem mesmo os passarinhos tinham aparecido, talvez por causa da ventania forte que soprava.

Lembrei-me do meu livro de receitas, o "Dona Benta." Uma edição nova, que comprei há pouco tempo. Minha mãe já possuía um livro destes, o dela, tão antigo, que a capa estava desbotada, e quase já não se viam as figuras: uma velha senhora segurando um bolo todo confeitado, enquanto um menino a observa de olhos compridos.

Fui para a cozinha. Mas não sem antes chamar a Latifa, minha cadelinha, para acompanhar-me. Coloquei um velho tapete de lã para ela deitar-se junto a porta, e olhei em volta: tinha algumas maçãs e bananas. Trigo. Açúcar. Pensei em fazer uma torta. 

A massa pronta, a cozinha aquecida pelo calor do forno, os aromas... as frutas picadas sobre a massa. Levei tudo ao forno, mas achei que faltava ainda alguma coisa. Folheei o livro, procurando por uma receita de um creme para cobrir a torta... achei uma muito fácil e rápida, de creme de confeiteiro. Fica exatamente igual aos recheios dos sonhos da padaria, e coberturas de cucas e pães doces:

-duas gemas
-três colheres de trigo
-meia xícara de açúcar
-essência de baunilha
-duas xícaras de leite.

Peneirar os sólidos, e juntando as gemas, a baunilha e o leite, levar ao fogo até ferver. Se der pelotas, passar na peneira novamente depois de pronto. A torta pronta, joguei o creme por cima.

Ficou tão bom, que eu e meu aluno, que chegou logo depois, consumimos metade da torta. Depois, meu marido consumiu quase todo o restante, e hoje de manhã, ainda tinha uma fatia que devorei com uma boa xícara de café.

Tédio? Para onde ele foi?





Publicado no Recanto das Letras

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Purê de Cenoura




Uma receitinha que eu mesma inventei, mexendo aqui e ali com uma receita original. O purê de cenoura é ótimo para acompanhamentos para carnes, mas confesso que prefiro servi-lo como prato principal (estou me tornando vegetariana). Vamos lá:

-Seis cenouras grandes, descascadas e picadas em rodelas
-Uma batata grande, descascada e picada  (ajuda a dar ponto ao purê)
-Duas folhas de louro
-Sal à gosto
-Uma pitada de noz moscada, se desejar um sabor mais acentuado
-Uma lata de creme de leite sem a metade do soro.

Cozinhar a cenoura e a batata junto com o sal e as folhas de louro. Depois de bem cozidas, escorrer a água (que pode ser usada para cozinhar arroz ou, após fria, para regar plantas). Bater a mistura no liquidificador com a noz moscada e o creme de leite, sem as folhas de louro. Levar ao fogo para reaquecer, e servir antes de levantar fervura. Se achar necessário, coloque mais sal.

Bom demais! Gosto de comer este purê com arroz branco e omelete. 




domingo, 8 de dezembro de 2013

Dias Úmidos

Vista da minha varanda; lá embaixo, os telhados do Orquidário Binot


Os telhados ainda estão úmidos de chuva. Os troncos das árvores tem aquela cor marrom-profunda, entrecortada por ranhuras verde-musgo aveludadas. O céu estende suas pesadas nuvens cinza-chumbo sobre a paisagem, como a mostrar o que ainda está por vir. Pássaros apressados servem-se das frutas que estão no comedouro, antes da chuva chegar.

De vez em quando, um vento repentino espalha o cheiro de terra molhada pelo ar. Aspiro sua refrescância, deixando-me envolver por seus dedos de gaze. Sob o gramado verde-claro, a terra preta e encharcada distribui sua fertilidade a cada fio de grama, a cada arbusto, a cada flor.

Correm fios dágua prateados sobre a superfície de pedra da montanha. Passa uma borboleta distraidamente, cruzando a jardim com seu vôo vacilante. Da mata fechada, mais umidade e silêncio.

Gosto de estar do lado de fora nestes dias cinzentos e úmidos, pois sinto-me mais viva e bem-disposta. O calor torna-me lânguida demais, exausta ao menor movimento. Nasci para o frio. Nasci para respirar este cheiro de terra molhada e musgo. Nasci para a escuridão de dias cinzentos como este. Certamente, aprecio a beleza de um dia de sol e céu azul, mas tiro minha energia do vento, das nuvens e da chuva. Secas demoradas deixam minha mente poeirenta e infértil, e meus movimentos áridos e lerdos.

Adoro encher os meus pulmões de ar fresco, úmido, com cheiro de terra e tronco molhados. Gosto de passar a mão sobre o musgo que cresce nos muros, e pisar descalça na grama macia e molhada. Gosto de acordar durante a noite e ver a lua-cheia semi-escondida entre nuvens pesadas e caprichosas.

Gosto da escuridão do inverno e dos dias curtos. Aprecio estar envolvida em cachecóis e agasalhos macios, ao andar pelas ruas varridas pelo vento gélido do inverno. Gosto de expor-me ao sol dos meses de junho e julho, que apenas aquece, sem fazer suar e sem deixar a pele avermelhada.

Hoje estou assim, introspectiva.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A Primeira Geladeira a Gente Nunca Esquece







Nossa... este título deve soar jurássico para quem é jovem hoje. Mas quando eu era bem pequena , não era muito comum as pessoas de classe média  terem geladeiras em casa. Quem tinha, de vez em quando ficava responsável por guardar alguma coisa para o vizinho, ou de fornecer o gelo para as festinhas.

Nossa primeira geladeira, foi uma Cônsul azul-clarinha. Acho que eu tinha uns quatro anos de idade na época, mas eu me lembro muito bem de meu pai chegando em casa e dizendo à minha mãe que comprara uma geladeira nas Casas Xavier.

Logo depois, veio também o nosso primeiro liquidificador, e chegamos à era dos sucos e sorvetes. Maçã no liquidificador era uma verdadeira delícia, e picolé de groselha com leite, uma iguaria!

Meu pai tinha muitos ciúmes das coisas que comprava, pois o fazia sempre com muitas dificuldades, às vezes, dividindo os pagamentos em 24 vezes no crediário. Quem ousasse esbarrar em sua geladeira, ouviria um sermão zangado. 



Sabendo disso, minha irmã mais rebelde, sempre que chamada a atenção ou se desentendia com meu pai, fingia esbarrar na geladeira 'sem querer.' Ele quase tinha uma crise! Uma vez, o esbarrão acidental foi tão forte, que a geladeira balançou e saiu do lugar... como ela apanhou!

Aquela geladeira azul ficou conosco mesmo depois que todos os meus irmãos mais velhos casaram-se e saíram de casa. Jamais teve qualquer tipo de problema. Hoje em dia, essas coisas tem prazo de validade curto. Quando eu me casei, ela ainda existia, mas foi desativada quando minha mãe mudou-se para a casa de minha irmã. Acho que eles a doaram a uma família carente. Mas sempre me vem à mente a imagem da cozinha de nossa casa, com a mesa de madeira no meio, as quatro cadeiras, a geladeira azul no cantinho, o janelão aberto sobre o fogão também azul. Ali, naquela cozinha, aprendi a ler e escrever.

A geladeira azul como testemunha da história de nossa família.



segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Quando a Casa Não nos Cabe





Existem momentos em que a casa torna-se opressiva demais. Pode acontecer pouco antes de fases de transformações em nossas vidas. Parece que algo nos diz que alguma coisa está para acontecer, e vamos ficando ansiosos, pois não sabemos se é bom ou ruim. Andamos pela casa, e parece que ela nos sufoca. As paredes parecem ter encolhido e se curvado em nossa direção. Tudo fica menor, mais abafado e opressivo.

O remédio, nessas horas difíceis, é abrir todas as portas e janelas, e fazer uma boa limpeza física: juntar baldes, panos, vassouras, aspirador de pó. Depois de limpar tudo bem limpinho, passar na casa (ou borrifar) uma mistura de água, onde foi fervido louro e acrescentada uma porção de sal grosso e um limão cortado em quatro. Passar / borrifar a mistura em todos os cômodos, visualizando uma limpeza espiritual. Enquanto isso, fazer sua oração preferida. No final, acender um incenso ou queimar um bulbo de cebola, se você tiver uma lareira.

Lembro-me de que antes de mudar-me de casa, sempre sinto uma coisa estranha, mesmo antes da ideia de mudança ser sequer pronunciada em voz alta. Quando morei na minha última casa, coisa de alguns meses antes de pensarmos em mudança, eu andava pelos cômodos e não me sentia neles. Era como se a casa não fosse minha. Havia no ar um cheiro de despedida e melancolia. Logo, meu marido e eu nos interessamos pelo terreno desta casa onde hoje moramos e o compramos, reformamos e nos mudamos algum tempo depois.

Mas às vezes, a opressão que sentimos dentro de uma casa pode ser devido a alguma energia ruim acumulada, que nós trouxemos de algum lugar (ou alguém trouxe). Pode ser um pensamento ruim que de longe nos enviaram. Podem ser os resquícios da atmosfera pesada desencadeada por algum acontecimento ruim em uma casa próxima, do qual nem temos conhecimento. É aí que a limpeza espiritual funciona. De qualquer forma, pensamento limpo sempre abre caminhos. 

Quando as coisas emperram, é hora de parar, olhar em volta, sentir as energias. De repente, nossos planos começam a 'dar para trás.' Aparecem obstáculos inesperados em tudo. Ooops... ora de parar, repensar caminhos e limpar tudo!

Assim, quando a casa não nos cabe, abramos nossas portas e janelas, façamos uma limpeza, e quem sabe, lá no jardim, sob o céu e as estrelas, possamos reencontrar a paz que nos falta? 

Dar uma volta a pé, sair um pouco, fazer umas comprinhas, ir a um salão de beleza, também ajudam. Acredito que muitas vezes, quando a paz nos falta, a aflição transmite-se de nós para o ambiente em que estamos. Também pode ser isso. Para reequilibrarmos a energia da casa, precisamos começar por nós mesmos. Limpezas astrais funcionarão por pouco tempo, se não olharmos para dentro de nós mesmos.