terça-feira, 26 de agosto de 2014

Varandas - croniquinha





Um dos meus lugares favoritos em casa, são as minhas varandas. Em uma delas eu me deito na rede para pensar na vida e descansar. Fecho os olhos e me deixo aquecer pelo sol de inverno, e às vezes, chego a dormir. Na outra, que fica no segundo andar, tomamos sol de manhã e apreciamos a paisagem. Não consigo mais conceber a minha casa sem uma rede, e isso vem desde a última casa onde moramos. Lá, a rede ficava sob um Bougainville vermelho escuro, e às vezes, enquanto eu balançava, caiam algumas flores sobre mim e Aleph, meu cão e fiel companheiro, que estava sempre por perto. Ele gostava de deitar-se sob a rede, e quando de repente ele se levantava para ir latir na cerca, quase me derrubava... boas lembranças!

Hoje, a minha casa tem estas duas varandas: uma no andar superior e outra à porta de entrada, onde passo mais tempo. Ali, eu pendurei garrafinhas para os beija-flores, casinhas que são ocupadas todo ano por um casal de cambaxirras, alguns enfeites e castiçais com velas que eu acendo em noites especiais. A cadeira de balanço que eu pintei (da qual o Mootley, nosso novo cão, tomou posse e cuja almofada hoje está suja de terra e cheia de marcas de patinhas) fica no andar de baixo, e gosto de sentar-me ali quando a tarde começa a morrer para escutar o canto das cigarras e pássaros nas árvores e na mata em frente. Às vezes, quando é lua cheia, olho sobre meu ombro esquerdo e posso vê-la surgir.

A varanda é o lado de fora mais interior da casa, pois é nela que eu construo a maioria dos meus sonhos e  revivo as lembranças. Eu e meu marido gostamos de passar bastante tempo à varanda, conversando. Nas noites de verão, abundam os vaga-lumes, morceguinhos que se alimentam do que sobrou do néctar dos beija-flores, mariposas com desenhos intricados sobre as asas  e algumas pálidas lagartixas. De lá, olhamos as folhas das árvores na mata em frente a casa, banhadas pela claridade do luar. É lindo... tudo tão cheio de vida e de beleza...

Lembro-me da varanda de um dos prédios onde uma de minhas irmãs morou. Adorávamos ficar lá, olhando o movimento da cidade! Petrópolis é uma cidade muito bonita, e de tardinha, o céu ficava tingido de laranja, as luzes dos faróis e lanternas dos carros lá em baixo, as pessoas indo para suas casas... não resisto a uma varanda!

Em uma rua próxima daqui, onde existem algumas casinhas de construção antiga, a gente percebe a importância que as varandas tinham antigamente: todas as casinhas tem uma! São construções simples mas encantadoras, cada qual com a sua varandinha. 

A varanda é a parte da casa onde o tempo passa mais devagar.



Um comentário:

  1. Leio seus posts e sempre uma coisa me passa pela cabeça... que vc deve ser uma pessoa muito especial...

    Beijos, Ana...

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