domingo, 5 de outubro de 2014

DO PÓ AO PÓ







DO PÓ AO PÓ... PÔ!
(CRÔNICA ESCRITA EM UM PERÍODO DE OBRAS NA CASA - OS CÃES MENCIONADOS ERAM MEUS QUERIDOS E SAUDOSOS ROTTWEILERS, ALEPH E LATIFAH)


Ai, ai... há muito desisti de lutar contra a poeira... ela se deita suavemente sobre tudo o que me cerca, deixando os móveis translúcidos e o piso, cheio de pegadas. A obra, que deveria terminar em um mês, talvez se estenda por três ou quatro... 

Vou passando, respirando o pó (nem espirro mais, pois já me acostumei) e de vez em quando, baixa um "Caboclo Trabaiador" (geralmente, nos finais de semana) e decido jogar água na varanda e nas escadas, passar pano na casa toda, retirar pelo menos um pouco da poeira, para que durante os finais de semana, possamos viver em um local mais ou menos limpo...

Mas dizem que do pó viemos, e ao pó voltaremos. Só não pensei que fosse tão cedo! Sinceramente, o mal é necessário, mas não vejo a hora de ter a minha casa todinha para nós de novo, limpinha, sem açúcar derramado na mesinha da cozinha, sem bate-bate- de martelos, sem sacos de entulho na garagem, e especialmente, sem poeira!




Qual é o pó? Bem, acostumei-me com silêncio e privacidade! E não tenho tido nem uma coisa, nem outra, apesar do rapaz que trabalha aqui - o Almir - ser uma pessoa educadíssima, discreta e de inteira confiança.

Mas tenho saudades de poder olhar pela vidraça da janela e ver - literalmente, enxergar - o lado de fora... receber meus alunos e ouvi-los novamente dizer o quanto minha casa é organizada, silenciosa e aconchegante... mas vai valer a pena esperar.

Até o pelo dos cachorros está empoeirado! Morro de dó, ao olhar aquelas caras pretas e translúcidas, deitados no meio do pó de cimento - pois não ficam no canil durante o dia, preferindo a varanda, que é mais fresca. A água deles é trocada a cada uma ou duas horas, pois se eu não fizer isso, fica uma nata grossa de pó boiando sobre ela.



Terça-feira passada, nem precisei brigar com eles para dar banho: só chamei, e ambos submeteram-se voluntariamente, acho que cansados de carregar quilos de poeira no lombo! Não sei porque, mas depois do banho, eles ficaram bem mais serelepes, como se estivessem mais leves!

Mas a poeira pode ser encarada de uma forma filosófica; por exemplo, dá para fazer alguns desenhos de casinhas com montanhas atrás na mesinha de vidro da sala. Não preciso preocupar-me em varrer, pois de nada adianta, então tenho uma boa desculpa para relaxar e ser natural e literalmente... relaxada! Com isso, sobra mais tempo para escrever, dormir, preparar minhas aulas. 

Lembrei-me até daquela velha piada, em que duas mineirinhas preparavam café na cozinha da fazenda; a primeira pergunta: "Pó Pô o pó?" A segunda responde: "Pó! Pó pô o pó!"

E querem saber? Até que ficou bonitinho, o sol desenhado com o dedo na vidraça.




4 comentários:

  1. Nao acho nada pior que obra com a gente dentro de casa... o desgaste é muito grande, e ate que vejamos tudo lindo com o final da obra... tem que se ter muita paciencia...

    Beijos...

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  2. Estou vivendo momentos parecidos com o seu, só que a poeira vem da obra do meu vizinho.A tal da obra está rolando a meses e o pior é que eu tenho asma!
    Beijos
    Amara

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  3. A Frida do meu blog é em homenagem a Kahlo... adoro essa mulher forte que superou a si mesma...

    Beijos...

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