terça-feira, 27 de maio de 2014

Evitando o trabalho Caseiro


Há tanto a ser feito em uma casa! E se as coisas forem acumulando, ficará cada vez mais difícil colocar tudo em ordem... procuro fazer um pouquinho a cada dia, mas sem neuras: quando não estou com vontade, eu vou lá para fora escrever poemas, e pronto! 

Ou então, pego meu E-reader e escolho um bom livro para ler. 

Outra forma saudável de evitar o serviço caseiro, é sair para dar uma volta à pé. Ver coisas. Ver paisagens e pessoas. Sempre volto com a alma refrescada dessas andanças. Também gosto de passar um tempo com minha cadelinha acariciando sua barriga, ou sentar-me com ela na grama. 

Um bom filme na TV também pode ser uma ótima maneira de evitar o serviço caseiro. Confesso que fico tão absorvida em boas histórias, que se alguém falar comigo é capaz de eu não escutar.

Gosto também de andar pela casa (enquanto a pilha de roupas para passar me espera lá fora) e estudar novas posições para os móveis, ou novas cores para as almofadas... mesmo que eu não esteja disposta a fazê-lo naquele dia, as ideias ficam guardadas, em gestação. 

Também costumo pegar o telefone e telefonar às minhas irmãs para bater papo furado. Um bom papo furado também ajuda bastante neste importante exercício da procrastinação.

Assim, vou fazendo as coisas aos poucos, pois a vida é bem mais do que lavar, limpar, cozinhar, varrer e passar. Estas são atividades secundárias (embora necessárias).



quinta-feira, 22 de maio de 2014

Bichos em Casa


Na foto: Latifah, em primeiro plano, e nosso saudoso Aleph... imagem de 2008.



"Não quero mais bichos. Eles dão muito trabalho, e quando se vão, a gente fica sofrendo... este é meu último cachorro/gato/passarinho/peixe..." 

Você se identificou com esta declaração? Quantas vezes você já disse sobre bichos: "este é o último?" E logo depois, passou por uns olhos apaixonantes e pidões, cativantes e doces... e pronto: foi o suficiente para começar tudo de novo? 

Bichos dão trabalho, ficam doentes e morrem antes da gente. Causam muitos sofrimentos quando vão embora e muitas preocupações quando viajamos ou precisamos nos ausentar de casa por um tempo relativamente longo. Mas por que não conseguimos resistir a eles? Qual a magia de um bichinho de estimação?

Para mim, eles trazem doçura à vida, alegria à casa. Uma casa sem bichos parece que fica faltando alguma coisa... a gente anda por ela e não vê nenhum pelo ou pena, nenhuma cadeira mordida ou almofada no cantinho. Não há buracos no quintal, cocôs no gramado, plantas comidas, sofás arranhados. A gente acorda de noite e não há nenhum rom-rom por perto, nem o som da respiração de um cão. Não se escutam latidos ou portas sendo arranhadas. De manhã, nenhum som de alguém clamando por comida e carinho.

Uma casa sem bichos é quase triste... mas eu já prometi a mim mesma que a Latifa é minha última cadelinha. Eu tinha dito o mesmo quando o Aleph ficou mais velho, até que ela apareceu, presenteada por amigos. Os dois encantaram nossas vidas por sete anos, até que ele se foi, e ela ficou sozinha, e se não fosse por ela, teria sido bem mais difícil suportar a perda dele; agora, idosa, tem nos dado muitas preocupações com exames, crises de falta de ar, clínicas veterinárias e noites sem sono devido aos problemas nos pulmões. Já choramos muitas vezes, perdemos as esperanças, recuperamos as esperanças. E afirmamos, veementemente, que nunca mais teremos bichos em casa; afinal, bichos vivem um bom tempo, e logo seremos cinquentões... teremos tempo, saúde ou paciência, daqui a dez anos? E se precisarmos nos mudar para um apartamento?

Nunca mais teremos bichos em casa. Mas hoje meu marido me falou de uns cães para doação que viu no jornal local. Havia uma cadela Rottweiler, e um lindo cão vira-latas também, e... acho melhor corrigir a minha afirmação: "Nunca mais é tempo demais!"


domingo, 18 de maio de 2014

Domingo de Manhã




Acordo mais tarde, por volta das oito da manhã. O marido ainda dorme. 

Olho lá para fora, abrindo uma greta entre as cortinas, e vejo o gramado cheio de folhas secas esperando para serem varridas. Silêncio, pois quase todo mundo dorme até mais tarde aos domingos.

Desço; na sala, a baguncinha deixada pelo sábado: almofadas espalhadas, coisas em desordem sobre a mesa de centro. Pelos de cachorro no assoalho. Na cozinha, algumas louças que não foram lavadas. Abrir janelas, arrumar tudo?... Espreguiçar-me. Hoje, não vou sair para caminhar... preguiça. Tempo nublado, friozinho leve...

A casa no domingo de manhã é sempre tão serena! Não há a preocupação de correr para arrumar tudo antes dos alunos começarem a chegar. Posso andar pela casa de pijamas e chinelos, espreguiçando-me calmamente, ou sentar-me na varanda com um livro por uma boa meia-hora... quem sabe, uma ou duas? Depois eu arrumo; depois eu faço tudo. Depois...

Há que se aproveitar a vida, e para mim, aproveitar a vida significa desfrutar desses momentos pequenininhos, em silêncio, só os passarinhos e raios ainda úmidos do sol... andar pela minha casa, a casa que eu conheço e aprendi a amar. Olhar nos olhos do meu cão ainda cheios de soninho, acariciar a sua barriga, ver se aquela rosa  já abriu.

Depois, fazer café e sentar-me ao computador, ainda com a xícara, para escrever um pouquinho. 

Pressa? Pra quê?


sexta-feira, 16 de maio de 2014

O Estigma da Dona-de-casa





A moça, constrangida ao responder à pergunta sobre sua profissão, disse quase entre os dentes, rosto corado: "Não trabalho." Diante do olhar espantado de sua interlocutora, arrematou: "Sou dona-de-casa." A outra ergueu as sobrancelhas, e após um minuto de silêncio constrangedor (durante o qual poderíamos imaginar o que ia nas cabeças de ambas), ela respirou fundo, deu um sorriso amarelo e pediu licença.

A primeira, dona-de-casa, decidiu ficar em casa e dedicar todo o seu tempo para cuidar dos filhos; a outra, preferiu seguir sua carreira, dividindo-se entre casa, marido, filhos e trabalho (não necessariamente nesta ordem).

Cada uma fez a escolha que melhor lhe coube; eu não saberia dizer qual das duas está certa ou errada; mas acho que ambas merecem ser respeitadas. 

Por que essa indignação contra a mulher que resolveu não trabalhar fora e ter uma carreira importante? Será que a função das donas-de-casa não é importante? Não entendo o motivo que algumas pessoas encontram de censurar as mulheres que decidiram viver uma vida mais simples, fora do mercado de trabalho estressante e competitivo. Bem, adrenalina não é para qualquer um! E podem acreditar, o trabalho dentro de uma casa pode ser bastante árduo, e igualmente importante.

Acho que as donas-de-casa estão se tornando uma espécie em extinção, por puro preconceito! Quem fica em casa sente-se diminuída diante das que trabalham fora. Ora, é apenas uma escolha diferente, que não significa ser "Amélia!"

Que cada uma de nós tenha o direito de ser feliz como bem escolher; se passamos anos tentando sair daquele estado de submissão aos homens, por que não respeitarmos o direito de cada uma de viver a vida que desejar? Por que as  mulheres estão se tornando censuradoras de mulheres?



segunda-feira, 12 de maio de 2014

O Mundo Começa na Calçada de Casa



Quer um mundo melhor e mais justo? Olhe para a sua calçada. Aquela, bem em frente à sua casa. Ela está suja ou esburacada? Se estiver, pegue uma vassoura e uma pá de cimento e vá la fora consertá-la. Capine em volta.

 Agora, olhe para o seu quintal. Cuide do seu jardim, retirando as ervas daninhas e fazendo o melhor para recuperar-lhe a beleza, replantando flores e cuidando das plantas já existentes.

Como estão as suas crianças? Você está passando para elas valores importantes, como respeito e solidariedade ao próximo, ou está ensinando-lhes a serem preconceituosas e cheias de si? Você impõe-lhes a disciplina necessária para que respeitem os espaços alheios ou dá-lhes a ideia errônea de que elas tem direito a tudo, e que para isso, devem passar por cima de quem estiver em seu caminho?

Limpe a sua casa, conserte e varra a sua calçada, eduque as suas crianças, faça o  melhor dentro de sua casa, e assim todo mundo terá um planeta melhor e mais justo.


quarta-feira, 7 de maio de 2014

Sensações




Ainda agorinha fui até a cozinha preparar o café, e vi que o pote de pó estava vazio. Fui lá fora e peguei mais um pacote na despensa, e ao colocar o pó que estava no pacote dentro do pote, esqueci-me de retirar a colher dosadora, que fica sempre lá dentro.

Após um momento de autocensura, sem pensar duas vezes, enfiei a mão no pó de café, a fim de pegar a colher dosadora, e a sensação que tive foi nova e surpreendente.

Você já enfiou a mão dentro de um pote de café, mexendo os dedos bem devagar, acariciando o pó e sentindo o aroma maravilhoso que ele exala? E ao retirar a mão, o cheirinho fica na pele... adorei.



sábado, 3 de maio de 2014

Bagunça

Isto não é normal!


Assistindo a um programa na Discovery Home and  Health sobre bagunceiros e acumuladores compulsivos, fiquei pensando sobre o que leva as pessoas a acumularem tantos objetos, que torna-se impossível circular pelo espaço da casa ou até mesmo, limpá-la. Neste programa que assisti, havia uma família - pai, mãe, três filhos pequenos - circulando no meio da bagunça e da sujeira, passando por cima de pilhas e pilhas de caixas vazias, roupas, brinquedos, livros e outros objetos. A cozinha era imunda, e achei um absurdo que alguém com um pingo de juízo pudesse cozinhar a comida de suas crianças no meio daquela imundície. 

Acredito que a casa reflete aquilo que está por dentro de seus moradores. O excesso de organização e limpeza também pode ser patológico. É mais do que normal, em uma casa, haver objetos fora do lugar ou uma poeirinha aqui e ali. Mas a bagunça desmedida, daquelas que vi no programa, pode causar doenças e afasta as pessoas.

Depois da casa em ordem, os proprietários encantaram-se e perderam-se em "Ahs!" e "Ohs!" de contentamento. Mas eu fico me perguntando se, daqui a algum tempo, a bagunça não terá se re-estabelecido, já que é preciso arrumar a bagunça interior para que a exterior possa ser arrumada.

Há alguns programas de televisão que contemplam pessoas com uma casa novinha em folha. Mostram o 'antes' e o 'depois' das casas. Às vezes, os organizadores do programa voltam às casas doadas alguns anos depois e constatam que a bagunça e a sujeira se re-estabeleceram. Há gente que se cerca de feiura, desordem e destruição voluntariamente, o que acredito ser uma doença da alma. Elas mostram, do lado de fora, como estão por dentro. Acredito que é preciso um trabalho psicológico árduo e até mesmo, dolorido, para que elas possam aprender a habitar seu espaço de forma saudável.