domingo, 29 de junho de 2014

Respondendo a Dois E-mails Sobre Como Limpar as Energias de Uma Casa




Recentemente, recebi, através deste blog, dois e-mails de uma mesma pessoa; um deles, pedindo-me conselhos sobre como 'limpar' a energia de uma casa, e o outro, sobre como livrar-se da influência negativa de uma pessoa da família - alguém muito próximo cujo relacionamento ela não pode evitar, e que parece não gostar dela, e por isso, deseja-lhe o mal. 

Bem, eu não sou especialista em nenhum destes assuntos. O que eu faço em minha casa, é através de coisas que li  em livros e artigos de revistas e que usei em momentos difíceis; algumas destas coisas deram certo, e outras, não. Eu acredito que estamos todos cercados de energias emanadas por outras pessoas, e que todos nós absorvemos e emanamos energias. Nada há de sobrenatural nisto, é apenas uma condição de estarmos vivos e o resultado de interagirmos o tempo todo uns com os outros. Quem nunca sentiu-se imediatamente em paz ao adentrar uma casa ou espaço público? E quem nunca sentiu-se subitamente mal ou inquieto na presença de alguém, ou ao entrar em alguma casa?

 Certo é que nem todos gostarão de nós, assim como também não seremos capazes de gostar de todos. O problema, é quando, além de uma pessoa não gostar de outra, deseja prejudicá-la por este motivo, ou a inveja devido a ciúmes de seu sucesso ou relacionamentos. Daí, segundo aprendi, cria-se um vínculo forte com esta pessoa, através do qual são lançados maus pensamentos, desejos de vingança, e tentativas de influenciar tal pessoa a agir de forma contrária ao que ela normalmente agiria - nestes casos, o emissor das más energias poderá até mesmo recorrer à magia negra.

Mas como saber se estamos realmente sofrendo um ataque psíquico - emanações propositais de energias negativas em nossa direção? Bem, há alguns sinais muito óbvios, e se você os sente, é possível que esteja acontecendo; mas é preciso ter bom senso e não entrar em conclusões paranoicas, suspeitando de tudo e de todos e usando estes sinais como desculpa para justificar acontecimentos em sua vida que se devem unicamente às suas próprias atitudes. De acordo com os muitos livros e artigos que li a respeito, estes sinais podem ser:

-Sensação de peso sobre os ombros e intenso cansaço, mesmo quando não executou nenhuma tarefa cansativa; tristeza e depressão sem razão de ser.

-Ficar doente muitas vezes seguidas, tendo sempre algum problema de saúde, como dores estomacais, gripes, dores de cabeça e na nuca, dores inexplicáveis nos joelhos e pés, enfim, qualquer dor cujo motivo não possa ser diagnosticado através de exames médicos.

-Pesadelos recorrentes, sonhos repetitivos, terror noturno (uma condição na qual a pessoa se movimenta bruscamente e chega a gritar enquanto dorme) e insônia; acordar sempre à mesma hora durante a noite - o que pode significar que a pessoa usa aquela hora para concentrar-se em você - especialmente, às três da manhã.

-Confusão mental e dificuldade de concentrar-se ; perda de memória; ao rezar, incapacidade de lembrar-se da oração ou perder a concentração durante a reza, começando a pensar em outros assuntos.

-Sentir-se mal em presença  de uma determinada pessoa, por mais gentil que ela seja.

-Infestações anormais de animais na casa ou no jardim, principalmente ratos, formigas, moscas, abelhas, aranhas, mosquitos e outros insetos nocivos.

-Animais de estimação adoecendo e/ou morrendo. Infelizmente, estas criaturas inocentes estão propensas a absorver as más energias de uma casa, pois sendo puras e indefesas, tem seu campo áurico aberto. 

-As plantas murcham, ou adquirem doenças nas quais as folhas se crispam, causando a morte das mesmas; botões de flores caem de repente.

-Aparelhos eletrodomésticos que quebram de repente, deixando de funcionar sem nenhum motivo, ou quando as coisas da casa vivem caindo de suas mãos e se espatifando no chão; também outros fenômenos elétricos, como luzes piscando ou que se queimam após um curto período de uso. 

-Acidentes, como quedas, batidas de carro e luxações.

-Brigas e desentendimentos constantes entre as pessoas da casa.

-Perda de emprego, endividamento, ruína financeira.

-Desejo sexual exagerado ou total falta de desejo sexual.

-Estar sempre com o pensamento fixo em determinada pessoa na qual antes nem sequer pensava.

Segundo Dione Fortune em seu livro Autodefesa Psíquica, devemos cortar relações com pessoas cujas energias sentimos como incompatíveis com as nossas; mas nem sempre isto será possível, especialmente quando se trata de alguém próximo - um parente ou colega de trabalho, por exemplo. Mas em seu livro, ela oferece algumas sugestões, como quebrar os contatos, construindo algumas barreiras temporárias. Tais barreiras podem ser construídas através de orações e banhos de limpeza. Tais banhos devem visar não apenas a limpeza física, mas deve-se concentrar energias no momento do banho e pedir também a nossa limpeza espiritual. Ela também sugere que se troque os móveis de lugar dentro da casa, especialmente a cama. Se possível, passar alguns dias fora de casa, hospedado em um hotel caso o ataque psíquico seja realmente forte. Dione Fortune sugere que alguns dias em algum local onde haja uma cachoeira ou perto do mar também poderá ajudar, pois a água corta o efeito magnético daquilo que está sendo enviado.

Li em um site sobre o assunto que aconselha que, ao limparmos a casa, podemos usar sal grosso em um balde com água, e ao espalhá-la com um pano limpo (de preferência, novo), devemos orar e pedir aos nossos anjos guardiões ou a um santo de nossa devoção que nos ajude a fazer a limpeza; começar pelo segundo andar ou pelos fundos da casa, varrendo até a porta de saída. Depois, acender uma vela para seu santo de devoção em agradecimento. E sempre que fizermos tais limpezas, o ideal é que se troquem as roupas de cama e de dormir por roupas recentemente lavadas e limpas.

Também é preciso manter sempre uma atitude positiva, e bons pensamentos. É bem mais difícil influenciar negativamente alguém que está ocupado divertindo-se, trabalhando no que gosta ou ajudando outras pessoas. Mas ignorar estes sintomas, achando que assim estará livre deles, é a pior coisa que alguém pode fazer, pois permanecerá indefeso e cada vez mais vulnerável às investidas de seu algoz.

Aprendi, através de minhas leituras, que quando uma pessoa deseja influenciar outra através de magia, é preciso estabelecer um ponto de contato, ou seja, algo no qual ela possa concentrar-se; por exemplo: um objeto que nos pertença (quantas vezes emprestamos coisas a alguém em quem não confiamos ou que não gosta de nos?), mechas de cabelo, roupas, etc; às vezes, tais pessoas nos mandam presentinhos que já estão "preparados" para este fim, e nós de boa vontade os levamos para dentro de nossas casas. Bem, sempre desconfio de pessoas que não são meus amigos e que de repente mandam-me presentinhos... especialmente, se for comida. Nestes casos, a melhor coisa a se fazer é aceitar com um sorriso de agradecimento, e no caminho de casa, despachá-los em algum rio ou água corrente.

Caso perceber que alguém nos olha fixamente, a melhor coisa é cruzar os braços e pernas, movendo o corpo em outra direção. Nunca tentar enfrentar tais olhares. Se possível, ir embora para bem longe de tal pessoa!

Lembro-me de uma ocasião na qual, dias após uma cirurgia, recebi a visita de várias pessoas; eu estava em casa, e sentia-me muito bem, conversando animadamente com todos. Entre os visitantes, havia uma que, ao sair, atrasou-se, a fim de ficar sozinha comigo por alguns instantes, e segredou em meu ouvido: "Cuidado, não fale muito, pois a anestesia pode causar dores de cabeça terríveis." Bem, eu senti dores de cabeça terríveis por mais de uma semana, mesmo tomando os anti-inflamatórios e analgésicos pós-cirúrgicos indicados pelo médico. Ela nada mais fez que lançar-me uma sugestão hipnótica carregada de ódio - compreendi mais tarde. Infelizmente, algumas pessoas são assim, e temos que conviver com elas. 

Mas podemos fazer uma pequena coisa que pode ajudar bastante, quando sabemos que vamos receber este tipo de visita em nossas casas: momentos antes, podemos fazer uma oração pedindo proteção à casa e aos seus habitantes, percorrendo cada cômodo com um incenso aceso e um pratinho com sal grosso (eles servirão para concentração); peçamos pela paz da pessoa que virá, e ao mesmo tempo, que estejamos livres de suas influências; ao final da oração, colocamos o incenso e o pratinho perto da porta de entrada, em algum lugar onde não possam ser vistos. Após o término da visita, jogamos o sal em água corrente.

Se nada adiantar, é preciso pedir ajuda a alguém que realmente tenha a técnica e a força espiritual necessárias para quebrar tais contatos, e caso você realmente esteja se sentindo mal, aconselho-a a não hesitar. Mas onde encontrar esta ajuda? Bem, eu creio que quando batemos, a porta se abre, sempre. Talvez uma pessoa de seu grupo religioso, ou alguém indicado por um amigo, possa ajudar. 

Mais uma vez quero deixar claro que não sou espírita, mãe-de-santo ou especialista no assunto, não dou consultas e não sou médium. Acredito nos rituais como uma maneira de concentrarmos nossas forças e energias para um determinado propósito. Escrevi este artigo motivada pelos dois e-mails que recebi no início da semana. Espero que através dele eu possa ajudar esta pessoa.





terça-feira, 24 de junho de 2014

Tempo Livre




Eu varro a casa, e ela fica varrida; eu limpo o gramado, e ele fica limpo. Passo o pano úmido na cozinha, e dois dias depois, ela ainda está brilhando. Não há marcas de patas no chão, pelos caídos nos cantos (que mesmo com tanto aspirador de pó, jamais iam embora totalmente), almofadas e cobertores das várias caminhas que eu mantinha para ela pela casa.

Às vezes eu acordo num sobressalto, pensando: "Tenho que alimentar a Latifah / preciso dar os remédios da Latifah." E então eu me lembro, e a dor se espalha. Posso fechar os olhos e voltar a dormir, mas não durmo. Acabo me levantando da cama no horário de sempre, e desço as escadas para uma casa vazia. O mesmo sol entra pela janela. Os passarinhos continuam nas árvores, aguardando sua comida - frutas que coloco para eles todas as manhãs. A rotina é quase a mesma.

Acabo de passar a roupa, sozinha na área de serviço. Minha companheira, que sempre ficava comigo enquanto eu passava a roupa, não estava lá. Acabaram-se as brincadeiras e interrupções no serviço para coçar-lhe a barriguinha e fazer-lhe festas.

Mas pensando bem, a casa não mudou; eu mudei. A casa continua a mesma, só que mais vazia. Bem mais vazia. Somente quem já teve um animalzinho de estimação e o perdeu, sabe o que eu sinto. 

Mas assim são os animais: trazem-nos sempre muitas alegrias, momentos que ficarão para sempre na memória. 

Trazem muitas alegrias, e apenas uma tristeza.






quarta-feira, 18 de junho de 2014

Minha Casa Está Sem Alma





Eu hoje acordei de madrugada, e juro, escutei você tossindo no corredor, aonde você ia tossir quando precisava da minha ajuda de madrugada. Levantei-me, olhei pelo vão da escada, e tudo estava vazio...

Desci, preparei meu café, e você não estava na cozinha. Dei a primeira aula do dia, e você não apareceu fazendo barulhos para chamar minha atenção. Não precisei colocar os banquinhos bloqueando a entrada para evitar que você invadisse a sala de aula. A aula terminou, e quando fui levar minha aluna ao portão, um enorme tufo de pelo pousou no tapete da entrada, aos meus pés. Peguei o ancinho e fui varrer as folhas secas do gramado, pois varrer sempre me alivia... e deparei com um último cocozinho seu que passou despercebido entre as folhas secas. 

Ainda vai levar muito tempo até desaparecerem todas as suas marcas, pois você estava em todos os lugares desta casa, deste jardim. Nossa amiga, confidente,  filha, companheira. Há dez anos juntos. 



Abri o armário da área de serviço e deparei com seus remédios de outros tratamentos mais antigos, xampus e cremes, colírios e unguentos. Você sempre tinha algum probleminha de saúde, infelizmente... e eu cuidei tão bem de você! Juntei todas as coisinhas em uma sacola e fui levar para minha vizinha que cuida de cães abandonados, para quem eu já tinha doado suas rações e biscoitos. 

A casa está horrivelmente silenciosa. Não escuto suas unhas no piso da cozinha e da sala. Limpei as últimas marcas de suas patas no chão da cozinha, e doeu passar o pano sobre elas... era como se eu estivesse banindo você. Olho pela janela, e você não está ali, ao sol, esperando eu terminar minha aula.

Minha casa está sem alma, e sabe, eu nem desconfiava que te amava tanto. Meu marido resumiu muito bem tudo o que aconteceu em uma curta frase: "Ela era a minha alegria." Lembro-me dele chegando em casa e perguntando, "Como estão as minhas meninas?"

Recordo-me das últimas vezes, sextas-feiras à tarde, em que eu colocava uma música suave e nós duas nos deitávamos no tapete da sala (o novo, que meu marido dissera que não era para cachorro dormir); você, de barriga para cima, ficava olhando o teto, e parecia sorrir. Estava tão tranquila e satisfeita... a tosse ainda não tinha começado a sufocá-la. Eu encostava meu rosto na sua carinha, e ficávamos tanto tempo assim, até que você dormia. Você está em toda parte. Dominou a nossa casa e as nossas vidas de uma forma eficiente e completa.

Agora, como seguir em frente nesta casa vazia de você? Tudo está tão sem-graça...


quinta-feira, 12 de junho de 2014

De Madrugada





De madrugada a vida continua. A casa semi-escurecida e silenciosa não dorme jamais. Os fantasmas brincam de esconde-esconde entre as colunas, e riem enquanto eu passo. Esquento o chá de limão e mel, e massageio seu tórax agoniado.

Vou passando e acendendo as luzes. Chega o sol, e me salva. Vapores de neblina escapam do muro de hera, em direção ao céu. Começam os ruídos do dia - cortadores de grama, carros, pessoas, outros cães. Desperto da minha semi-insônia, agradecida pelo ar que ainda respiras.


domingo, 8 de junho de 2014

Orquídeas

Uma das orquídeas que comprei e depois que as flores murcharam,  pedi ao jardineiro que colocasse no tronco do ipê

Moro bem próximo a um orquidário, e por isso, sempre tenho orquídeas em casa. Gosto de enfeitar o parapeito da janela da sala com elas, e quando as flores murcham, costumo pedir ao jardineiro que as coloque em árvores pelo jardim. Elas sempre rebrotam.

Orquidário Binot

As orquídeas são flores delicadas, e precisam de cuidados especiais, como por exemplo: não deixá-las expostas ao sol forte e direto, não aguar demais (no verão duas regas por semana serão suficientes, e no inverno, uma), deixá-las sempre sob luz abundante e tomar cuidado com as praguinhas. Mas felizmente, a floração das orquídeas pode durar meses! Tive uma que ficou florida durante quase quatro meses.


Outra das minhas...


As orquídeas enfeitam e encantam. Algumas espécies são perfumadas - tive uma com cheirinho de chocolate! Flores delicadas, demoram a florir, mas vale a pena esperar.


Pequena ajuda à natureza: orquídeas azuis!

Passear pelo orquidário, entre as flores... fotografá-las, apreciá-las, sentir seu perfume e conversar com as pessoas que trabalham por lá, é um exercício de higiene mental.


Nada como a natureza para nos limpar por dentro, deixando-nos melhores.


Cada espécie tem suas próprias características, manifestadas em cores, perfumes e formas que merecem apreciação calma e cuidadosa...


Nenhuma orquídea é igual às outras; todas são únicas.


Às vezes, parecem que tem personalidade... esta aí em baixo parece uma menina sentada em uma flor.


Há espécies muito grandes e altas, podendo chegar a mais de um metro de altura...  como esta:



E há espécies minúsculas, apenas para os olhos sensíveis que enxergam a beleza das pequenas coisas...


Existem espécies muito caras, como esta, que fica pendurada no ar, as raízes expostas:


Há também as mais 'humildes' e mais acessíveis:


Mas seja qual for a sua orquídea preferida, ela certamente trará beleza e espiritualidade para sua casa.


Eu adoro todas.


Um verdadeiro descanso para os olhos e para a alma.



E quando não se pode comprá-las, basta fotografá-las e apreciá-las enquanto caminhamos por entre elas. Não deixa de ser uma forma de trazermos sua energia para os nossos lares.


Para mim, não existe presente mais lindo!


































terça-feira, 3 de junho de 2014

LEVEZA NO VIVER





Às vezes, o dia pesa. Há noites mal-dormidas, coisas que não dão certo, resfriados que demoram a curar, pessoas intransigentes e arrogantes pelo caminho. Às vezes, dá vontade de trancar a porta da casa e deixar o mundo lá fora. 

E é justamente o que eu faço nesses momentos: tranco a porta e deixo o mundo lá fora, até que eu me sinta melhor. E enquanto eu não estiver melhor, fico aqui, protegida, ao invés de sair por aí aborrecendo todo mundo. Mas assim como estes maus momentos nos chegam, da mesma forma eles vão embora, e na maioria das vezes, sem que precisemos fazer nada... basta que tenhamos paciência. E enquanto isso, eu fico aqui em casa, quietinha.

Afinal, casa também é para proteger os outros dos nossos maus dias.