quarta-feira, 30 de julho de 2014

TAPETES





Nos meses de outono, inverno e no comecinho da primavera, o clima em minha cidade pode ser bastante frio. Assim, não é muito adequado usar pisos cerâmicos - ou pisos frios - para forrar o chão das casas petropolitanas. E quem o faz, acaba quase sempre estendendo um tapete por cima nos meses mais frios.

O ideal para climas como o nosso, são os pisos de madeira, os carpetes (embora eu não os aprecie muito devido a poeira que acumulam e ao cheiro que adquirem após algum tempo) e os pisos laminados, que oferecem uma variedade enorme de padrões e preços, além da rapidez na colocação e facilidade na hora da limpeza. Aqui temos no chão de toda a casa, exceto cozinha e banheiros, o Duraflor padrão Freijó Rústico, que já vai completar dez anos de uso sem o menor sinal de desgaste. É bonito, liso, silencioso ao pisar e de qualidade impecável.  E o melhor: resistente a arranhões.


Mas eu, particularmente, não vivo sem tapetes. Gosto de trocá-los de lugar sempre - da sala para o quarto, do quarto para a sala ou para o outro quarto, e assim vou. E por causa dessa mania de viver trocando tudo de lugar, os tapetes de minha casa raramente são muito caros, já que eu enjoo facilmente do padrão e acabo quase sempre doando os antigos e adquirindo novos. 

O chão que a gente pisa é uma parte importante da casa. Devemos nos sentir confortáveis andando descalços - pois após um dia cansativo de trabalho, nada melhor que tirar os sapatos e andar descalços pela casa! Por isso, gosto de sentir as fibras macias dos tapetes sob os pés. É relaxante e aconchegante. Tapetes emprestam um colorido especial à decoração, e podem tornar-se seu ponto central. Eu adoro os que tem vermelhos em sua composição. Recentemente, adquirimos um tapete vermelho e laranja para a sala de estar que parece ter dado nova vida ao ambiente. Para equilibrar, no ambiente onde fica a TV, colocamos um tapete preto decorado com tons bege. Acho que ficou bonito. Porque o importante em uma casa, é que a gente ache que ficou bonito.





domingo, 27 de julho de 2014

Canarinhos no Jardim

Pousados no meio da rua, eles comem a canjiquinha. Pombas-rolas, canários, goderos, sabiás...





Canjiquinha: é disto que eles gostam!

Sempre fiquei mordida de inveja ao passear pelas ruas do bairro e ver os canarinhos pousados nos gramados vizinhos. O que eles faziam para atraí-los?

As bananas e outras frutas que eu coloco para trazer as saíras, sanhaços, sabiás e bem-te-vis não fizeram qualquer efeito sobre eles. De repente, reparei que no chão, entre os paralelepípedos, um de meus vizinhos colocara algo amarelo, que ficava cheio de passarinhos de todas as cores. Cheguei mais perto para ver melhor: era canjiquinha!

Foi espalhar canjiquinha pelo gramado, e pronto: eles vieram! São tantos, que parecem pontinhos amarelos de luz sobre o verde. Pena que ainda não consegui fotografá-los - eles são tímidos e espantados, e fogem a qualquer tentativa de aproximação, e minha câmera não tem um zoom muito bom; esta foto foi tirada na rua, de dentro do carro.




Trazer passarinhos para a casa é uma coisa mágica, que faço desde que mudei-me para cá. Mas gosto deles livres, voando soltos, pousando nas árvores, no muro, no gramado, e depois, voando para longe, manchas coloridas no céu... e eu voo com eles.

Que me perdoem os que prendem pássaros em gaiolas e cortam asas de periquitos, maritacas e cacatuas, mas eu sou absolutamente contra estas práticas. Penso que, se tivéssemos asas, não gostaríamos que alguém as cortasse ou nos colocasse entre barras de ferro. Entretanto, é isto o que as pessoas fazem às pobres aves.

Pássaros não cometeram crimes. Tem asas para voar, e merecem ser livres.



quinta-feira, 24 de julho de 2014

Os Bulbos da Callas

Callas


Há alguns meses, ganhei de meu marido dois vasos com esta flor africana, chamada Callas. Parece um Copo de Leite negro, embora sua cor seja, na verdade, a mesma que encontramos nas cascas das berinjelas. Tem ares misteriosos, folhas brilhantes e nenhum perfume - mas uma beleza mágica!

Ela permaneceu florida durante muito tempo, mas aos poucos, as folhas foram murchando e caindo, juntamente com as flores. Restaram apenas os vasos com terra e adubo.

Ontem, quando procurava um vaso para plantar um molho de rúcula que veio com a raiz, deparei com os vasos de terra, ricos em adubo, e pensei em utilizá-los. Enquanto revolvia a terra, senti na ponta da pazinha algo duro. Eram os bulbos da Callas, cheios de brotos! Replantei-os em um canto do jardim, e espero que renasçam.

Assim é a vida. Nunca sabemos o que está por dentro da terra...



segunda-feira, 21 de julho de 2014

Música



A tarde penetra pela porta aberta da casa, trazendo consigo alguns raios mornos do sol de inverno. Ligo meu aparelho de CD e escolho: "Solaris." Música maravilhosa ecoando pela casa, subindo as escadas, chegando aos quartos, saindo pela janela e indo fazer fundo ao canto dos passarinhos nos galhos do cedro... 

Nada como boa música para encher a casa de boas energias!

Gosto de música desde que me recordo de mim mesma. Quando eu era pequena, minhas irmãs ouviam as músicas daqueles tempos, os anos sessenta: Roberto e Erasmo, Wanderléa, Os Mutantes, Paulo Sérgio, The Beatles, Jerry Adriani. Eu não gostava de todos eles, mas de tanto escutar, acabei aprendendo a cantar várias músicas, e se as ouço hoje, lembro-me daqueles tempos em que minhas irmãs mais velhas usavam sutiãs com enchimento de espuma e sapatilhas de bico fino. Lembro-me da velha rádio-vitrola automática, na qual minhas irmãs colocavam vários discos de vinil ao mesmo tempo, e eles iam caindo e tocando um a um. 

Havia um disco totalmente empenado, pois elas o levaram para a praia com elas: um disco dos Fevers. Estava tão empenado, que só tocava as últimas músicas. 

A música tem esse poder de evocar memórias, despertar sensações, acalmar, agitar, comover e até irritar. É preciso ter cuidado com o tipo de música que tocamos na casa, conforme a ocasião. 

Quando estou faxinando, gosto de ouvir um rock mais agitado, pois ele me ajuda a ter energias para fazer uma boa limpeza. Quando termino, coloco uma música suave - Enya, New Age ou outra neste estilo - e deixo que as camadas de energia se assentem devagarinho.

Mas nada melhor do que as músicas da coleção Solaris para um final de tarde ensolarado... e há sempre aqueles momentos nos quais a melhor música, é o silêncio!



terça-feira, 15 de julho de 2014

Quando as Coisas se Quebram




Quando eu me casei, há vinte e quatro anos, ganhei de presente do meu sogro um abajur que, apesar de não ser peça de designer, eu muito gostava. Era encontrado em lojas populares, e tinha lâminas de vidro na cúpula com desenhos delicados de flores. Mas o que eu mais gostava nele, era a praticidade: bastava que eu o tocasse, e ele acendia. Quando tocado pela segunda vez, a intensidade da luz aumentava, e uma terceira vez, a luz ficava bem forte. 

Eu o mantinha em minha mesa de cabeceira, desfrutando de sua praticidade durante a noite quando precisava levantar-me para usar o banheiro. Certo dia, ao varrer o chão, sem querer derrubei-o com o cabo da vassoura, fazendo com que fosse ao chão e se espatifasse em vários pedaços pequenos (era todo feito de vidro). Não sei porque, tive uma reação que eu nunca tivera antes em relação a um objeto: chorei muito de frustração por tê-lo quebrado.

Chorei tanto, que meu marido ficou preocupado, trazendo-me um copo de água com açúcar para eu me acalmar. Até hoje, não compreendi o porquê daquela reação exagerada a um objeto que não era caro ou difícil de encontrar; mesmo assim, não comprei outro igual.

Ontem, ao usar o forno de microondas, coloquei o alimento a ser aquecido em um prato de louça azul que eu adorava, e que já tinha usado no forno várias vezes. Mas ontem, enquanto o forno estava ligado, ouvi um forte ruído, e ao abri-lo, deparei com o prato rachado ao meio... Não sei o motivo, mas imediatamente lembrei-me do abajur que quebrei há tantos anos...

E cheguei a algumas conclusões:

Acho que, naquela época, minha vida andava tão conturbada, que eu só precisava de um pequeno motivo para chorar. Tantas coisas estavam rachadas, que a quebra do objeto representou a quebra de muitas outras coisas - mais tarde, realmente aconteceu. Mas ontem, o prato rachado deu-me uma sensação diferente: senti que era como se a vida, através daquele objeto, estivesse me dizendo que estava na hora de recomeçar: jogar fora os cacos e renovar-me. Renovar minha casa e a maneira como tenho interagido com ela. Abrir portas e janelas, queimar incensos, chamar os anjos para que eles entrem e levem com eles os fantasmas que cismo em manter aqui.

Compreendi imediatamente a mensagem enquanto jogava fora as duas metades daquele prato azul.

Quando um objeto se quebra - dizem - é porque algo precisa ir embora: um pensamento ruim, uma má energia, um hábito que está nos prejudicando. No meu caso, sei exatamente do que se trata...



sábado, 12 de julho de 2014

A casa dos Pais

Minha bisavó Gênova, à porta da nossa casinha, sobre as escadas onde eu brincava e sonhava



Voltar à casa dos pais após muitos anos é uma experiência estranha... depois que me casei, a casa de meus pais foi alugada durante bastante tempo. Mais tarde, uma de minhas irmãs voltou a viver nela, e quando finalmente voltei lá, ela me pareceu bem menor do que eu conseguia lembrar.

Mesmo assim, foi como reencontrar uma parte importante de mim. Andar por aqueles cômodos cheios de recordações e ouvir novamente os ecos de tantas conversas, risadas e lágrimas foi como reviver um pedaço de minha vida que tinha ficado esquecido entre as brumas do tempo.

Sentei-me nas escadinhas que levam à sala de estar, e me lembrei das muitas vezes em que brinquei de casinha ali, espalhando meus brinquedos, panelinhas e bonecas, cozinhando bolinhos de terra e salada de capim. Naquelas escadas, anos mais tarde, eu me sentava para sonhar; passava horas com o queixo apoiado nas mãos, olhos perdidos em algum lugar invisível onde estava - eu pensava - meu futuro. Também era ali que eu esperava pelo ônibus que me levaria ao trabalho todas as manhãs: assim que ele aparecia na curva da rua lá em cima, eu descia as escadas da casa correndo para chegar ao ponto de ônibus a tempo. E era ali que eu esperava pela chegada do namorado, ansiosamente... 

Na cozinha, sentada a uma velha mesa de madeira, eu escutava as histórias de vida de minha mãe; ela me falava de sua infância no colégio interno, suas amigas de escola, suas primas... ali ela me mostrou as estradas da sua vida, que eu seguia, enquanto ficava conhecendo uma parte da vida de minha mãe que os filhos geralmente não conhecem.

Tudo isso se deu na pequena casinha centenária, comprada pelos meus bisavós quando chegaram da Itália no início do século passado. Casinha esta que ficou de herança para meu avô, que a doou à meus pais quando eles se casaram, e onde nascemos e crescemos todos - eu, minhas três irmãs e meu irmão - pelas mãos da parteira Dona Maria Carioca. 

Uma casa cheia de histórias e lembranças...



sábado, 5 de julho de 2014

Novos Ângulos






Gosto de mudar as coisas de lugar de vez em quando. Parece que a casa dá uma respirada depois disso... é gostoso sentar-se em uma poltrona e ver coisas que não eram vistas antes; novos ângulos, novas percepções do espaço.

É bom andar pela mesma casa e percorrer caminhos novos. 

Faço sempre uma mudança: troco as cortinas, as almofadas, a posição dos móveis, os enfeites... A mesmice me incomoda, gosto de estar em movimento dentro do meu espaço. Acredito que tudo na vida precisa de movimento: nossos relacionamentos, concepções, escolhas...

O contrário do movimento, é a estagnação.