sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Em Qualquer Lugar





Seria possível sentir-se feliz em qualquer lugar? O que torna um lugar importante, especial? As condições de vida que oferece, como transporte de qualidade, boas escolas, empregos próximos? A beleza?

Acho que a resposta principal a esta pergunta, é: as pessoas! Mesmo que eu morasse em um lugar maravilhoso como o que acabei de descrever - belo, cheio de conveniências e facilidades - não conseguiria ficar muito tempo se tivesse vizinhos ruins. Não precisam ser daqueles vizinhos que se tornam amigos íntimos, desde que haja tolerância, respeito e camaradagem. Graças a Deus, nós temos muita sorte nesse sentido. Temos ótimos vizinhos.

Deve ser terrível chegar em casa cansado após um dia estafante no trabalho, e de repente, sentir os tímpanos sendo sacudidos por música alta ou escândalos na casa ao lado. Deve ser péssimo conviver com pessoas sem educação, que deixam lixo na nossa porta, por exemplo.

Para vivermos bem, é preciso respeitar regras, e sempre colocar-se no lugar do outro: quem gostaria de ser acordado no meio da noite, ou ser impedido de dormir por causa de uma festa barulhenta? É claro que há ocasiões certas, como véspera de domingo, nas quais uma festa barulhenta pode ser compensada na manhã seguinte... mas durante a semana, nunca!

Preservar bancos, árvores, lixeiras, prédios públicos ou particulares e outras coisas que fazem parte do espaço comum, também deve ser observado; afinal, se eu destruo alguma coisa na minha rua ou cidade, estarei prejudicando a mim mesma. E isso é tão básico, que eu não entendo como existem pessoas que ainda não perceberam...

O que faz os lugares serem bons ou ruins, são as pessoas. Somos eu e você.



quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Características

Imagem: casa Irlandesa construída entre pedras


Minha casa é uma antiga casa reformada, e o construtor do projeto inicial cometeu alguns erros que só percebemos depois que começamos a reforma - e que até hoje, não conseguimos consertar, por mais que tentemos. Por exemplo: na parede da sala que fica à direita da porta de entrada, cresce um mofo que se alastra pela parede dianteira, e que faz estourar a tinta com o tempo. Nesses onze anos que vivemos aqui, já tentamos vários recursos, mas o fato é que após um ou dois anos o mofo sempre volta a aparecer. E aí é recomeçar tudo de novo: quebrar o reboco, tentar algum produto mágico e milagroso que, segundo todos prometem, "desta vez resolverá o problema" e aguardar... até que o tal mofo volte a crescer.

Quando compramos a casa, as paredes da sala eram recobertas por lambris de madeira, que aparentemente estavam bons, mas que na verdade, estavam podres e cheios de formigas por trás. Ao retirá-los, deparamos com a realidade: as paredes em frangalhos. Desde então, lidamos com pedreiros, argamassa, isolantes e tintas a pelo menos cada dois anos.

Certa vez sugeri ao meu marido que simplesmente aceitássemos a casa como ela é; que deixássemos o mofo crescer e espalhar-se à vontade, ou que arrancássemos o reboco de vez e deixássemos os tijolos à mostra. Bem, ele não gostou da minha ideia... mas ainda vou tentar convencê-lo. Afinal, lutar contra o inevitável tem sido cansativo e dispendioso! Já pensei em colocar pedras cobrindo a parede, mas achei que ficaria escuro e pesado. A sala não é tão grande assim. Se voltássemos com os tais lambris, estaríamos apenas escondendo o problema e contribuindo para que as paredes mofassem mais rapidamente por trás deles. 

Acho que existem certas coisas nas nossas casas - e nas nossas vidas - às quais só nos resta rendermo-nos. Precisamos aprender a conviver com as coisas e aceitar que nem tudo funciona da maneira que queremos...


sábado, 18 de outubro de 2014

Planeta Água?




Desde pequena, ouço dizer que o nosso planeta - a nossa casa - é formada de mais de 71 por cento de água.

Eu me pergunto de este índice foi recentemente revisto. Tudo o que vemos por aí, são secas, e secas e secas. E queimadas. Estamos tratando muito mal o nosso planeta, e as consequências já se fazem notar: cada vez mais, há menos água no Planeta Água!

Moro nesta casa há dez anos, e quando viemos para cá, havia água em abundância provida por duas minas, que até hoje, abastecem todas as casas por aqui. Em minha garagem há duas torneiras - uma de cada mina - e uma mangueira, com a qual eu costumava regar o jardim quase toda noite ou tarde. Sempre jorrava água de ambas as torneiras, e nas raras ocasiões em que havia um período de estiagem, pelo menos em uma delas havia água.

Há meses não cai uma só gota de qualquer das torneiras. Há um fiozinho correndo de uma das minas que abastece o reservatório e é jogado por bomba para as caixas d'água que ficam no telhado, mas não tem pressão para chegar às torneiras. Há meses não tenho água para minhas plantas, e a grama está cada vez mais seca...

Vejo que o bambuzal em frente à casa está com suas folhas amarelecidas, assim como algumas das árvores. Quando molho os canteiros (usando um regador), a terra fica seca e farinhenta apenas uma ou duas horas após a rega. 

O Planeta Água está mudando, e ninguém percebe. Continuam pondo fogo às matas, matando várias espécies de animais e plantas, e contribuindo para que o ar fique irrespirável, a atmosfera, suja e poeirenta e as minas d'água, cada vez mais raras.

Em Petrópolis, à sombra de minha varanda, o termômetro marca trinta graus! Isso nunca aconteceu antes, em plena primavera!

Neste momento, sopra um vento quente que traz muitas folhas secas e resíduos de florestas queimadas. O sol queima forte, e o ar está translúcido de tanta fumaça e poluição. 

Rezo para que venham as chuvas e nos devolvam a água do Planeta Água.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

As Casas dos Filmes de Terror


Amity Ville


Quem não se lembra de Amity Ville? Ou de Rose Red?  Ou da Casa da Noite Eterna? As casas dos filmes de terror tem personalidades muito fortes, pois embora fictícias (dizem que muitos filmes são baseados em histórias reais), elas abrigam as almas daqueles que nelas habitaram... e se recusaram a sair! Eu me considero uma pessoa com um gosto excêntrico para filmes, pois ao contrário da maioria das pessoas, eu amo filmes de terror. Gosto daquela atmosfera sombria em clima de suspense; gosto de histórias de fantasmas. Basta ter uma casa antiga em uma floresta e pronto: é o suficiente para que o desejo de assistir a um filme me cative.

Eu realmente acredito em fantasmas. Crendo na vida após a morte, e tendo lido muitos livros sobre espiritismo - e também tido as minhas próprias experiências - sei que existem muitas coisas que não podemos ver. Muitas mesmo. E elas são mais numerosas e contundentes do que as coisas que podemos ver. 

Rose Red - casa criada por Stephen King, que nunca parava de construir a si mesma.


Sei também que a presença de espíritos em uma casa deixa seus sinais: Lâmpadas que, apesar de novas, vivem queimando ou piscando; aparelhos eletrodomésticos que ligam e desligam sozinhos; ambientes demasiadamente frios; locais onde um cão não quer permanecer, ou age de maneira estranha, parecendo observar coisas ou pessoas que não estão lá, ou latem repetidamente ao estar neles; cheiro forte de podre ou outros cheiros ruins; aparelhos cujas baterias 'caem' de repente; plantas que murcham ou secam da noite para o dia sem motivo aparente (dizem que fantasmas podem "alimentar-se" delas) e também pesadelos constantes e  sentimentos de cansaço ou medo infundado nas pessoas que moram nestes lugares.


Tive todas estas experiências em uma das casas onde morei, e chamamos um grupo espírita para ajudar-nos. Após benzerem toda a casa, eles nos falaram das "pessoas" que estavam por ali. Foi arrepiante... bem, depois daquilo, a atmosfera da casa melhorou bastante. Inclusive o nosso estado de saúde. Portanto, acho que sempre que deparamos com estes 'sintomas', a melhor coisa a se fazer é procurar ajuda, já que eles somente são interessantes nos filmes de terror.



quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Coisas que Ficam, Coisas que Vão...





Final de ano chegando; hora das grandes faxinas anuais, e de se avaliar, nos armários e gavetas, o que fica e o que vai embora; o que se doa, o que se joga fora. Hora de pegar todas aquelas coisas que estão lá no fundo, e olhar para elas com olhos bem sinceros, estabelecendo um diálogo: "Há quanto tempo não uso isto? Ainda tem a ver comigo e com o meu momento? Gosto/preciso realmente disto?" Depois de tomada a decisão, deixar ir ou deixar ficar.

Hora de revisar papéis e contas pagas, e ver o que já pode ser jogado fora. É incrível a quantidade de coisas desnecessárias que guardamos: clipes velhos, tampas de garrafa e rolhas de vinho, pedaços de fitas que vieram com os presentes que alguém nos deu, papéis de presente tão amassados que jamais nos atreveríamos a embrulhar alguma coisa com eles, tubos de cola já seca e imprestável, botões que não mais pertencem a roupa nenhuma... lixo, lixo, lixo.

Ao mesmo tempo, também podemos avaliar aqueles relacionamentos que mantemos e que já não nos fazem mais bem - pelo contrário, nos tolhem, nos machucam. Pessoas que não nos valorizam, não tem mais nada em comum conosco (incrível que quando mexemos com este aspecto de nossas vidas, descobrimos pessoas que jamais tiveram alguma coisa a ver conosco). Fazer uma oração por elas e deixá-las ir embora.

É tão bom, mais tarde, constatar o quanto abrimos espaço em nossos armários, gavetas, cômodos e principalmente, vidas. É maravilhoso andar pela casa e respirar melhor. Assim, amos dando espaço à mudanças, ao que vem de novo, pois tudo o que estanca, simboliza a morte. O mofo, a poeira, o acúmulo, o apego... tudo isso é morte.

A vida é fluida.



domingo, 5 de outubro de 2014

DO PÓ AO PÓ







DO PÓ AO PÓ... PÔ!
(CRÔNICA ESCRITA EM UM PERÍODO DE OBRAS NA CASA - OS CÃES MENCIONADOS ERAM MEUS QUERIDOS E SAUDOSOS ROTTWEILERS, ALEPH E LATIFAH)


Ai, ai... há muito desisti de lutar contra a poeira... ela se deita suavemente sobre tudo o que me cerca, deixando os móveis translúcidos e o piso, cheio de pegadas. A obra, que deveria terminar em um mês, talvez se estenda por três ou quatro... 

Vou passando, respirando o pó (nem espirro mais, pois já me acostumei) e de vez em quando, baixa um "Caboclo Trabaiador" (geralmente, nos finais de semana) e decido jogar água na varanda e nas escadas, passar pano na casa toda, retirar pelo menos um pouco da poeira, para que durante os finais de semana, possamos viver em um local mais ou menos limpo...

Mas dizem que do pó viemos, e ao pó voltaremos. Só não pensei que fosse tão cedo! Sinceramente, o mal é necessário, mas não vejo a hora de ter a minha casa todinha para nós de novo, limpinha, sem açúcar derramado na mesinha da cozinha, sem bate-bate- de martelos, sem sacos de entulho na garagem, e especialmente, sem poeira!




Qual é o pó? Bem, acostumei-me com silêncio e privacidade! E não tenho tido nem uma coisa, nem outra, apesar do rapaz que trabalha aqui - o Almir - ser uma pessoa educadíssima, discreta e de inteira confiança.

Mas tenho saudades de poder olhar pela vidraça da janela e ver - literalmente, enxergar - o lado de fora... receber meus alunos e ouvi-los novamente dizer o quanto minha casa é organizada, silenciosa e aconchegante... mas vai valer a pena esperar.

Até o pelo dos cachorros está empoeirado! Morro de dó, ao olhar aquelas caras pretas e translúcidas, deitados no meio do pó de cimento - pois não ficam no canil durante o dia, preferindo a varanda, que é mais fresca. A água deles é trocada a cada uma ou duas horas, pois se eu não fizer isso, fica uma nata grossa de pó boiando sobre ela.



Terça-feira passada, nem precisei brigar com eles para dar banho: só chamei, e ambos submeteram-se voluntariamente, acho que cansados de carregar quilos de poeira no lombo! Não sei porque, mas depois do banho, eles ficaram bem mais serelepes, como se estivessem mais leves!

Mas a poeira pode ser encarada de uma forma filosófica; por exemplo, dá para fazer alguns desenhos de casinhas com montanhas atrás na mesinha de vidro da sala. Não preciso preocupar-me em varrer, pois de nada adianta, então tenho uma boa desculpa para relaxar e ser natural e literalmente... relaxada! Com isso, sobra mais tempo para escrever, dormir, preparar minhas aulas. 

Lembrei-me até daquela velha piada, em que duas mineirinhas preparavam café na cozinha da fazenda; a primeira pergunta: "Pó Pô o pó?" A segunda responde: "Pó! Pó pô o pó!"

E querem saber? Até que ficou bonitinho, o sol desenhado com o dedo na vidraça.