domingo, 27 de dezembro de 2015

UM BRINDE à VIDA







Existe uma canção de Barbra Streisand, chamada "Here's to Life" - Um Brinde à Vida - que é belíssima, e eu gostaria de compartilhar a letra traduzida com vocês: 


Um Brinde à Vida


Sem queixas e sem arrependimentos
Eu ainda acredito em perseguir sonhos e fazer apostas
Mas eu aprendi que tudo o que você dá é tudo que você tem,
Então dê tudo o que você tem
Eu tive minha parte, eu bebi a minha dose,
E embora eu esteja satisfeita, eu estou com fome ainda
Para ver o que está na outra estrada, além da montanha e fazer tudo de novo
Então um brinde à vida e toda a alegria que ela traz
Um brinde à vida, e aos os sonhadores e  seus sonhos

Engraçado como o tempo só voa
Como o amor pode se transformar de saudações calorosas a despedidas tristes
E deixá-lo com as lembranças que você memorizou
Para manter seus invernos quentes
Mas não há "sim" no dia de ontem
E quem sabe o que o amanhã traz ou tira
Enquanto eu ainda estou no jogo eu quero jogar
Pelos risos, pela a vida, pelo  amor

Então um brinde à vida e toda a alegria que ela traz
Um brinde à vida, aos sonhadores e  seus sonhos
Que todos os seus tempestades possam ser fracas
E tudo que é bom ficar melhor
Um brinde à vida, um brinde ao amor, um brinde a você


Não é linda?

Espero que em 2016 você tenha mil motivos para brindar e agradecer. Que sua casa esteja literalmente abarrotada de alegria.




segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

FELIZ NATAL!










Tomara que seu Natal seja o melhor de toda a sua vida, e que você possa lembrar-se dele para sempre!

Vista sua melhor roupa, nem que seja para ficar sentado na sala; ponha na mesa sua melhor louça - aquela, que é usada apenas nas ocasiões especiais - escolha a toalha mais bonita e limpe bem a casa. Prepare uma ceia apetitosa, por mais simples que ela seja. Fique perto das pessoas que ama, e se isso não for possível, envie a elas os seus melhores pensamentos. À meia-noite, recolha-se em um canto da casa, e olhe para o céu. Pense em como foi o seu ano, em todas as coisas boas que aconteceram, e agradeça muito por tudo. Não seja pessimista! Nem que este tenha sido o pior ano de sua vida, se pensar com carinho, você verá que houve coisas muito boas também.

Se for distribuir presentes, coloque em cada um deles a sua melhor  e mais sincera intenção. Quem compra presentes com carinho e de forma bem intencionada, agradará a quem os recebe, não importa o quanto eles custaram. 

Pense em como você deseja que o ano de 2016 comece, e passe o resto deste ano se preparando para recebê-lo. 


Deixo a todos os leitores do blog meus votos sinceros de um Natal Feliz, e meu muito obrigada a todos que leram, curtiram, partilharam ou deram só uma passadinha vez ou outra!




quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Um Canto Para o Silêncio

Imagem: Ana Bailune



Descobri em minha varanda um cantinho que sempre esteve ali, mas eu nunca havia notado. É do lado direito, perto da janela da sala. Sob a janela, há uma mesinha com duas cadeiras, mas o espaço à direita ficava desocupado - até que um dia, a fim de proteger uma cadeira do jardim da chuva, coloquei-a ali e sentei-me nela para descansar.

Naquele momento, meu cão Mootley pulou no meu colo, antes mesmo que eu acabasse de sentar-me devidamente, e formando um rolinho com seu corpo sobre as minhas pernas, adormeceu. Lembrei-me de uma vez ter lido que os cães gostam dos lugares em uma casa nos quais eles sentem que as vibrações de energia são boas. Respirei fundo, recostei-me. 

Vi as árvores da floresta que fica do outro lado da rua de um ângulo ao qual eu não estava acostumada. Naquele dia, o céu estava cinza-chumbo, e alguns dos raios de sol que conseguiam passar pelas nuvens e cortar os pingos de chuva, deixavam as copas das árvores escuras e brilhantes. Havia muitos pássaros também, e dali do meu novo cantinho, eu tinha uma visão privilegiada dos inúmeros canarinhos da terra e outros pássaros que vem pousar na grande pedra, junto ao portão, a fim de "filar" um pouco da canjiquinha e das frutas que eu ponho para eles.

Resultado: deixei a cadeira lá. Pode não ter ficado grande coisa esteticamente, mas só eu sei do prazer que eu sinto quando estou sentada ali.

E você? Tem um cantinho na sua casa do qual você goste de espiar a vida?




segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

ESPELHOS




Eu sou do tipo de pessoa que pensa que tudo que nos cerca - especialmente em se falando de casa - deva ter algum significado. Nós nos cercamos de coisas demais, e muitas vezes, não paramos para nos perguntar por que o fazemos; muitas vezes, adquirimos algo porque precisamos dele para nosso uso na vida prática (liquidificadores, poltronas, cadeiras, colheres e muitas outras coisas). Mas também há aqueles objetos que nós compramos simplesmente porque gostamos deles. Talvez nos sintamos atraídos pela cor ou pelo formato, ou quem sabe, por alguma lembrança que ele nos desperte.

Pensei em fazer uma publicação sobre os espelhos e suas funções em uma casa, e de repente, lembrei-me de que havia feito uma postagem assim em meu outro blogue, o Passagem, há alguns anos, onde partilhei um texto de Hilda Ikeda onde ela fala sobre os espelhos; assim, vou partilhá-lo novamente neste espaço:


Trecho do livro "Curar a Casa", por Hilda Ikeda






Os espelhos


Os espelhos, dentro do Feng Shui, são considerados uma verdadeira panaceia capaz de curar diferentes males. Para começar, resolvem problemas de sensação espacial, ampliando um pequeno ambiente enquanto refletem e multiplicam.

Colocados estrategicamente, também são capazes de acrescentar luz natural a um lugar escuro, descobrir entradas, reviver paredes desaparecidas e duplicar janelas e panoramas. Também podem refletir a luz e a paisagem exterior dentro de um local que, de outra maneira, pareceria apagado e murcho.






Os espelhos realçam, ativam e fazem fluir o 'chi' e por isso, são conhecidos como "as aspirinas do Feng Shui."

Frequentemente, nós os vemos em entradas de edifícios, onde dão uma amplitude ilusória. Como regra geral, para o Feng Shui o tamanho indicado do espelho é "quanto maior, melhor". Cobrir uma parede completamente com um espelho duplica o ambiente, tornando-o mais dinâmico, vital e portanto, mais saudável. Pequeno ou médio, todo espelho deve refletir, pelo menos, a cabeça completa da pessoa que se aproxima dele. Do contrário, se essa pessoa precisa ficar na ponta dos pés para ver seu rosto, seu 'chi' se enfraquecerá sensivelmente. Pela mesma razão, são desaconselháveis os espelhos que distorcem a imagem, ou aqueles que não a refletem com absoluta clareza, devido a manchas ou deformações próprias.






A forma do espelho também influirá sobre o uso que lhe é dado ou o lugar onde for colocado. Espelhos ovais ou circulares - formas associadas com o elemento metal - podem ser propícios para as regiões da casa relacionadas com a criatividade e com os filhos... Um espelho vertical, de corpo inteiro, emoldurado com madeira, é um estímulo muito bom para a parte relacionada com a saúde e a família.




Obviamente, como toda ferramenta, os espelhos também apresentam riscos. Colocados ao final de um corredor não fazem mais que duplicar esse corredor sem saída, proporcionando uma sensação de angústia inexplicável, mas tangível. Para isso, é preferível dispô-los em forma transversal, junto das portas que dão para o corredor, e assim, esse corredor se alargará. Colocados em frente da cama, podem incomodar os que aí dormem, provocando dificuldades para conciliar o sono e até mesmo gerando insônia. Os espelhos estimulam e atraem um excesso de energia, o que provoca desequilíbrios e prejudica o descanso. Afinal, fazendo uma comparação, aspirina em excesso também não é saudável.









segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Coisas que às Vezes Acontecem aos Sábados







Antes da pequena reunião, é preciso arrumar tudo para que fique aconchegante e os convidados se sintam bem-vindos. 

Colocamos as luzes coloridas em volta da lareira. Colho um ramo de Hortênsias no jardim e enfeito a mesa. Disponho os pratos que ganhei de presente de casamento, há vinte e cinco anos, e escolho os melhores copos. Selecionamos as músicas no pendrive. Um incenso para perfumar tudo.

Sobre a mesinha da sala, as pastinhas - de gorgonzola e de azeitonas com queijo, as torradinhas, o queijo, o vinho. Abajures acesos. Encomendamos a pizza. Para sobremesa, um panetone maravilhoso, paglia italiana (trazida pelos convidados) e sorvete.

Pouco antes da chegada dos convidados, acendo as velas que estão na varanda e sobre a lareira. Lá fora, a chuva deixa o interior da casa mais acolhedor. A árvore de natal pisca suas luzes azuis perto da porta de entrada.

A campainha toca. Recebemos nossos convidados e as conversas se estendem entre taças de vinho e comidinhas. Horas agradáveis e despretensiosas. 

Mais tarde, quando eles vão embora, recolhemos e guardamos as comidinhas que sobraram,  lavamos, secamos e guardamos a louça e nos sentamos nas poltronas da sala, de mãos dadas, o aparelho de som bem baixinho, desfrutando da paz que nos rodeia. E as lembranças vão brotando, tecendo conversas e considerações sobre acontecimentos passados, planos futuros, e o presente... comentamos as músicas que estão tocando. Cansados, tranquilos e felizes. Fazemos uma breve recapitulação de tudo o que alcançamos este ano, e também tecemos alguns esboços daquilo que pretendemos para o ano vindouro.

O sono torna-se cada vez mais presente e palpável. Desligamos o som, apagamos as luzes do interior da casa e vamos dormir. A chuva continua caindo lá fora, o barulhinho no telhado logo nos conduz a uma noite de sono tranquila e reconfortante.

A casa finalmente fecha seus olhos.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A Árvore de Natal









A árvore de Natal é uma tradição maravilhosa, que remonta aos tempos medievais.  Embora hoje em dia a árvore de natal seja montada justamente em celebração ao nascimento de Cristo, muito antes disto elas já serviam como uma comemoração à fertilidade da natureza. Os romanos as enfeitavam como uma homenagem a Saturno, o deus da agricultura. 

Se fizermos uma pequena pesquisa, descobriremos várias histórias interessantes sobre as árvores de natal; porém, segundo o site Wikepedia, "Nas vésperas do solstício de inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros, levavam para seus lares e os enfeitavam de forma muito semelhante ao que faz nas atuais árvores de Natal. Essa tradição passou aos povos Germânicos. A primeira árvore de Natal foi decorada em Riga, na Letónia, em 1510. No início do século XVIII, o monge beneditino São Bonifácio tentou acabar com essa crença pagã que havia na Turíngia, para onde fora como missionário. Com um machado cortou um pinheiro sagrado que os locais adoravam no alto de um monte. Como teve insucesso na erradicação da crença, decidiu associar o formato triangular do pinheiro à Santíssima Trindade e suas folhas resistentes e perenes à eternidade de Jesus. Nascia aí a Árvore de Natal."

É... ele aprendeu logo que àquilo que não podemos modificar, devemos nos adaptar...

Mas para mim, não importa tanto de onde ela veio, e sim a intenção de quem a enfeita. Eu gosto de montar a minha árvore de natal logo no início de novembro, pois assim ela fica enfeitando a casa por mais tempo, e geralmente a desmonto após o Dia de Reis, no dia 6 de janeiro. Confesso que desmontar a árvore é uma atividade que considero melancólica... seria bonito, mantê-la enfeitada e acesa o ano todo, para que nos lembrássemos sempre daquela solidariedade que geralmente só surge no mês de dezembro.

Gosto tanto de árvores de natal, que eu montaria uma mesmo que fosse atéia. Acho que elas dão um aconchego especial à casa e à alma.








terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pingos de Chuva - Renovação







Chegou, finalmente, a estação das chuvas. Os pingos cristalinos caem sobre os fios de grama, deixando-os mais verdes, fazendo com que cresçam mais rapidamente. Logo, o gramado seco e desbotado transforma-se em um tapete verde-claro macio e felpudo.

As hortelãs, que ameaçavam morrer e desaparecer, já mostram novos brotinhos, e as plantas que não floresciam, enchem-se de botões ainda tímidos, mas que se aprontam para abrirem. Os passarinhos voltaram, enxameando o comedor. As habituais rações de bananas não são suficientes, e enquanto recolho as cascas vazias, penso que precisarei aumentar a quantidade. O mesmo posso dizer das garrafinhas dos beija-flores, que se antes permaneciam cheias até o final do dia, agora esvaziam-se antes do cair da tarde. 





As minas secas secas voltam a renovar-se, e sobre a pedra da montanha, escorrem pequenos veios d'água, como antes. Eu fico olhando para tudo isso e chego até a me emocionar com tanta beleza e fertilidade.

São os ciclos da vida renovando-se. 





E nós precisamos nos lembrar deles quando estivermos passando por aqueles períodos de seca, que acontecem nas vidas de todo mundo: logo, a chuva voltará a cair. Nossa casa nos dá mais uma chance, apesar de tudo o que temos feito com ela.

A lama de Mariana chegou ao mar. A matança continua. A Terra de Minas cobre-se de tristeza. Mas um dia, tudo voltará a renascer. Pena que desta vez, foram longe demais, e vai demorar muito.




terça-feira, 17 de novembro de 2015

SINAIS DO CAOS










Enquanto eu escrevo, olho pela janela e vejo a paisagem linda que me cerca, e penso nas  milhares de pessoas que neste momento estão cercadas de lama por todos os lados, não tem o que beber ou comer e nem guardam  esperanças para o futuro, pessoas que perderam tudo o que tinham e estão se perguntando o que farão daqui para frente.

Penso nas pessoas que foram mortas em Paris, civis que nada tinham a ver com as guerras que seus governantes promovem, e em seus amigos e familiares que neste momento estão sofrendo, talvez revoltados, não tendo mais aquelas pessoas por perto.

Também penso na Síria e em seu povo, que estão sendo bombardeados por todos os lados, e nos demais países que neste momento estão sofrendo os efeitos da guerra. E aqui, esse silêncio, passarinhos cantando, a vida acontecendo normalmente, graças a Deus, o que me faz lembrar de agradecer por eu estar aqui, e não lá.

Quando forem abrir a boca para reclamar de alguma coisa, lembrem-se de tudo o que está acontecendo no mundo, e calem-se. Agradeçam pela sua saúde, por estarem confortavelmente instalados em uma casa com água potável e comida na geladeira e na despensa, roupas limpas e secas nos armários, computadores, livros, mesas, cadeiras, camas, enfim, o conforto de uma casa. Agradeçam porque seus entes queridos estão em segurança, e você tem um trabalho (se não tem, basta procurar por um e acabará encontrando), olhe em volta e lembre-se de agradecer!

Diante de tudo o que vejo acontecendo no nosso páis e ao redor do mundo, eu às vezes penso que estamos chegando a um ponto final, onde o caminho se bifurcará, e dependerá da nossa decisão sobre qual caminho seguir dali em diante, a sobrevivência ou não da nossa espécie. Com certeza, alguma coisa muito importante está em curso na humanidade neste exato momento, e precisamos abrir os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, o coração para sentir, a cabeça para tomarmos decisões acertadas. 

E todas as nossas bobagens, ranhetices, implicâncias, egocentrismos disfarçados de humildade, hipocrisias, e a amargura coberta com uma camada fina de açúcar - que está derretendo -, perderão a importância. Espero que a maioria de nós estejamos atentos e preparados para o que está por vir, pois acho que ainda vai piorar bastante antes de melhorar.

Acho que estamos em transição. Estamos mudando. O caos que precede o recomeço.

Mas este recomeço só acontecerá se, ao chegarmos àquele ponto de bifurcação, tomarmos as decisões acertadas.







quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Novos Enfeites

minha árvore do ano passado - e de todos os anos - será dourada em 2015








Tenho usado os mesmos enfeites em minha árvore de natal há muitos anos - com alguns acréscimos, é claro. Mas não sei o que me deu: quis mudar tudo este ano. Vou pelo dourado. Hoje comprei novos enfeites, e não vejo a hora de começar a montar a minha árvore. Alguns enfeites antigos permanecerão, mas a maioria ficará dentro das caixas. 

Acho que na vida a gente precisa trocar os enfeites também, pois eles vão ficando gastos, pesados e encardidos. De repente, a gente olha e não vê mais o antigo brilho na velha árvore de natal. Daí, trocamos os enfeites e a árvore fica bonita de novo.

Mas pode chegar o dia em que tenhamos que trocar a árvore inteira... quando eu tiver que fazer isso, optarei por alguma árvore natural, um pinheirinho plantado que deixe seu perfume fresco dentro da casa. Ando sentindo vontade de renovar. Aliás, sempre tenho vontade de renovar; a mesmice e a estagnação me entediam. Gosto de olhar em volta e ver novas cores e brilhos.

Tanto na árvore de natal quanto na vida.






sábado, 7 de novembro de 2015

Lembrancinhas


casinha presenteada por uma ex-aluna, a Camila





Meus alunos frequentemente me trazem lembrancinhas de suas viagens. São pequenos objetos, coisas típicas dos lugares de onde vieram. 

O Marcelo me trouxe uma daquelas bonequinhas russas, que tem bonequinhas dentro delas, e vamos abrindo a bonequinha e encontrando outra bonequinha por dentro. Ele sempre me traz presentes quando viaja. O Ronaldo, um ex-aluno, me trouxe um olho grego quando esteve na Grécia, e um lindo ímã de geladeira todo esculpido em madeira, de Praga. 

O Rafael me trouxe uma linda miniatura de cabine telefônica de Londres, e um vidrinho com terra santa de Jerusalém. A Luciana me trouxe café de Minas, e de vez em quando, bolos maravilhosos que comemos acompanhados de café nos intervalos das aulas. Também ganho rapaduras, doces de leite e pés de moleque de Minas Gerais, do meu outro aluno também chamado Rafael. 

A Priscila me trouxe um livro de presente de aniversário, e uma linda caixa de madeira pintada à mão, que está lá na minha banheira, guardando meus sabonetes. A Dani me presenteou com uma maiô maravilhoso, fabricação dela, e também fez cartões de visita para mim. 

A Thuany trouxe uma caneta da Disney com a carinha do Pato Donald, e a Nancy, um lindo echarpe, chocolates e incensos dos Estados Unidos. Outros ex-alunos também trouxeram ímas de geladeira lindos de vários lugares, pois eles sabem o quanto eu gosto deles: da França, Dinamarca, Itália, Espanha, Grécia, Rússia, Estados Unidos, enfim, do mundo todo.

No dia do meu aniversário, tive uma linda surpresa quando, ao abrir a porta para minha aluna Lorena, deparei com uma velinha acesa sobre um pavê e ela cantando parabéns para mim! Momentos assim jamais são esquecidos.

Quando eu e meu marido viajamos, também sempre trazemos lembranças de nossas viagens, que eu vou espalhando pelos cantinhos da casa. 

Minha casa é cheia de lembranças. É bom olhar para estas coisas e saber que, quando estiveram longe daqui, a passeio ou a negócios, meus alunos se lembraram de mim e se importaram em dedicar um pouco do seu tempo me comprando coisas. 



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A Minha Casa é Brega

Minha casa brega





A minha casa é brega. Brega de espantar qualquer decorador ou arquiteto. Brega de ter um cômodo de cada cor, paninhos de tricô sobre alguns dos móveis e misturas de diferentes estilos e cores na decoração.

Minha casa é brega porque tem vasos de flores nos parapeitos das janelas e bibelôs de passarinhos na mesinha da sala. Há cachorros circulando livremente pela cozinha, jardim e área de serviço, e por isso, meu jardim é um pedacinho caótico do paraíso. Há marcas de patinhas pelo piso da área e da cozinha, que por mais que eu limpe, voltam a aparecer a cada vinte minutos. 

Minha casa é brega porque tem casinhas de passarinhos, castiçais e fadas pendurados na varanda, onde também sempre tenho  redes bem coloridas. Quem chega, pode ver logo na entrada o ancinho e o cortador de grama, e na varanda, meu regador grandão.

O canteiro nos fundos da casa é todo misturado, e nele eu coloquei uma roseira, algumas plantas que peguei em minhas caminhadas pela rua, plantas que os outros olham e chamam de "mato" mas que produzem lindas florzinhas. Tem um canteiro quase todo vazio, onde tento cultivar meus hortelãs, mas eles nunca parecem muito animados. 

Minha casa é brega, pois na salinha de aula, os móveis são cobertos de lembrancinhas que meus alunos trouxeram para mim de suas viagens a lugares como a Grécia, Inglaterra, Rússia, Disney, Tiradentes, e também algumas lembrancinhas que colegas de blog me mandaram pelo correio.

Minha geladeira é a coisa mais brega de todas, pois é coberta de ímãs que recebi de presente de amigos, alunos e sobrinhos, de suas viagens ao redor do mundo - Portugal, Inglaterra, Rússia, Argentina, Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Irlanda, enfim, lugares que eu adoraria visitar mas a oportunidade nunca chega... pelo menos, tenho ali pedacinhos destes lugares. 

Meu lavabo é brega, porque é roxo e tem toalhinha debruada em crochê. 

Há sinos de vento pendurados nas árvores, varandas e portais na casa toda. Quando venta, eles começam a soar, espalhando aquele som maravilhoso, relaxante e totalmente brega. 

Uma vez, alguém deixou um comentário em uma de minhas postagens sugerindo que ter um estilo próprio é perigoso, pois  a gente pode ser considerado brega. Ela estava certíssima! Só que o que ela não sabia, é que eu nem ligo, contanto que esteja cercada por coisas que eu gosto, que me deixam feliz e confortavelmente... brega!




terça-feira, 27 de outubro de 2015

Violetas Africanas




As violetas estão entre minhas flores favoritas, embora seu cultivo seja bem difícil. Quando as compramos, acomodadas em vasinhos, elas estão lindas e floridas; assim que a floração acaba, ficam as folhas, felpudas e abundantes, e pode até ser que o vasinho venha a florir novamente após algum tempo. Depois, elas começam a adoecer ou "melar". Mas por que isso acontece? A fim de obter respostas e aprender mais sobre o cultivo destas flores tão temperamentais, decidi fazer uma pequena pesquisa; eis o que eu descobri:

-Elas gostam muito de luz, mas não suportam o sol. O melhor é mantê-las em locais iluminados, mas longe da luz solar!




-As variedades que tem folhas mais escuras precisam de mais claridade. Já as de folhas claras, devem ser mantidas em locais claros, mas não tão iluminados.

-Violetas não gostam de excessos: evitem locais quentes demais ou muito frios.

-Podemos encontrar violetas comercializadas em vasos plásticos, mas o ideal é transferi-las para vasos de barro, que tem boa aeração.

-As regas não podem ser muito exageradas, ou as flores e folhas tendem a "melar" ou murchar, causando a morte da planta. Regar com pouca água, apenas a terra, evitando molhar as flores. O ideal é verificar com o dedo se a terra está seca, e só regar quando ela estiver. No inverno, uma vez por semana é o suficiente, enquanto no verão, duas regas semanais são suficientes.




-Estas flores não resistem a canteiros do lado de fora, devido à chuva e ao sol em excesso. Já tentei fazer canteiros de violetas, plantando-as no chão, e elas morrem! O ideal é que sejam cultivadas em vasos de barro, e colocadas em parapeitos de janela (desde que não haja sol em excesso).

-Se aparecerem doenças, o ideal é usar um produto acaricida para matar os bichinhos que às vezes aparecem nas folhas. Uma boa floricultura saberá indicar um.




-Retire as folhas mais velhas e as flores secas para que o vaso esteja sempre bonito. Através das folhas mais velhas que são retiradas, você pode fazer mudas.

-Adube a cada quinze dias usando uma colherinha de café de adubo para violetas, encontrado em floriculturas. Não deixe que o adubo caia sobre as folhas e flores! Jogue apenas em volta da planta.


Violetas são plantas bonitas e que duram bastante. Excelentes para serem usadas na decoração da casa, e também para dar de presente.




Imagens: Ana Bailune

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

OS SAPOS E A CASA







"O que é aquilo ali no cantinho, entre a pia e o fogão?", perguntou meu marido ontem à noite. Eu, que estava na pia lavando verduras, logo fiquei pensando que pudesse ser uma aranha, e senti um calafrio correndo pela minha espinha. Com a lanterna do celular, descobrimos que se tratava de um pequeno sapo. Teve sorte de ter sobrevivido aos meus dois cães, Leona e Mootley, que não devem ter visto quando ele entrou e se acomodou ali. Apesar de todo calor e dessa seca que está se arrastando há vários meses e acabando com nossas minas d'água, o sapinho sobreviveu, e veio procurar abrigo em minha cozinha. 

Meu marido colocou-o em uma latinha, que guardamos para resgatar insetos que entram em casa, e levou-o para o jardim, soltando-o em um canteiro. Jogou-lhe um pouco d'água sobre a pele, e deixou-o ao seu próprio destino. Bem, não podemos conviver com um sapinho dentro da casa.

Antes, quando as chuvas eram abundantes, contávamos com um verdadeiro coral de sapos e rãs em nosso jardim, quando anoitecia; principalmente após uma chuva. Mas aos poucos, eles foram rareando até sumirem completamente. Meus dois outros cães não mexiam com os sapos; isto, após tentarem intrometer-se com um um: vi quando eles vieram babando em nossa direção, com cara de quem quebrou a louça. Dei-lhes água para beber, e depois daquilo, nunca mais mexeram com sapo nenhum, o que fez com que os anfíbios fizessem do nosso jardim o seu playground noturno. Eu gostava da presença deles. Havia um bem grande, que eu chamava de Príncipe. Algumas de minhas alunas tinham medo de passar por ele quando entravam e saiam, mas eu lhes assegurava de que Príncipe era totalmente inofensivo. Ele era quieto, observador e meio-zen. Uma ou duas vezes, acariciei sua pele áspera, e ele continuou "na sua", como se eu nem estivesse ali.

Segundo a Revista Fapemat de Ciências, além de trabalharem no controle de insetos e pragas, "...Já se sabe que esses animais são bioindicadores, ou seja, sua presença num local funciona como indicador de que o ambiente está em equilíbrio ecológico. “Os anuros são altamente sensíveis às alterações do ambiente. Por depender de ambientes aquáticos e terrestres em bom estado de conservação, qualquer alteração na qualidade da água e na temperatura pode extinguir espécies. Então, quando eles começam a desaparecer algum dano ao ambiente pode estar acontecendo”, afirma Adelina Ferreira, doutora de biologia que trabalha com a reprodução dos anuros e professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)."

E também: 

"Estes anfíbios apresentam substâncias em sua pele com funções de proteção, o que tem atraído a atenção de grandes laboratórios farmacêuticos. “Os anuros não tem garras nem dentes poderosos, por isso eles usam a secreção para se proteger de fungos, bactérias, protozoários e de predadores maiores. São diversas espécies com compostos químicos muito variados, visados para estudos de substâncias novas que possam servir para várias utilidades”, aponta Marcos André de Carvalho, doutor em zoologia e professor da UFMT."

O desaparecimento dos meus sapinhos confirmam o que diz a revista. As chuvas diminuiram drasticamente, e elas são essenciais para o equilíbrio do ambiente. Mas quem sabe, o sapinho de ontem à noite tenha surgido para dar-nos esperanças, avisando-nos de que as coisas vão mudar para melhor?

Algumas culturas, como a japonesa, acreditam que a presença de sapos traz sorte a uma casa. Andar com um sapinho de madeira ou porcelana, segundo acreditam, atrai prosperidade e sorte, riqueza e felicidade. O sapinho em japonês se chama "Kaeru" que significa "VOLTAR".
Carregando-o na bolsa ou na carteira, terá a sorte de ter de volta o dinheiro que gastou. Bem, não custa tentar!

Espero que após esta leitura você pense duas vezes antes de espantar um sapo do seu quintal ou jardim. Jamais maltrate um, pois além de serem úteis, eles merecem o nosso respeito, pois tem o mesmo direito que nós temos de morarem nessa grande casa, que é o Planeta Terra!




quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Onde Tudo Começa


O relógio que está na parede de minha sala de aula





"Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa em que nasceu."
Mario Quintana

Em minha salinha de aula, existe um relógio de parede no qual está escrito: "Home is where your story begins", ou seja, "O lar é onde sua história começa." Apaixonei-me pelo relógio na mesma hora em que o vi. Há um ninho de pássaros, representando o lar, e acima destes dizeres, o velho cliché (velho, mas verdadeiro): "Home, Sweet Home."

Algumas pessoas não dão importância à casa. Uma conhecida minha me disse certa vez que "casa é coisa de caramujo ou tartaruga." Bem, então acho que preciso descobrir a qual destes grupos eu pertenço! Enquanto alguns veem na casa apenas um lugar para dormir, outros fazem dela um lar, um refúgio onde recuperam as forças, exercitam sua criatividade e andam descalços. Principalmente, um lugar onde guardam as lembranças.

Minha casa é um lar, e sinto-me muito bem dentro dela. Tão bem, que não me sinto nem um pouco presa ou desconfortável por trabalhar em casa e raramente poder sair. E embora a minha história não tenha começado nesta casa, ela continua aqui. Ela me conhece bem. Suas paredes sabem dos meus humores, já me viram rir e chorar muitas vezes, e também guardam as passagens de pessoas que foram importantes em minha vida e que já se foram. Às vezes, quando penso neles, eu me lembro: "Sentaram-se aqui," ou então "Passaram por este corredor" e também "Olharam por esta janela."

Quando eu me sento lá fora e olho para a minha casa lá do jardim, eu sinto vontade de entrar nela. Acho muito bom quando alguém gosta da casa onde mora e sente-se bem dentro dela. Não sou apegada a bens materiais, e sei que um dia, cedo ou tarde, terei que ir embora daqui, pois ela é grande e tem escadas demais para que um casal de idosos viva bem nela. E quando isso acontecer, eu sei que eu vou chorar, mas vou fechar a porta e levar comigo o lar que ela foi para mim. 

Desejarei que seus novos moradores tenham por ela o mesmo carinho que eu tenho, e que preservem todas as árvores do jardim - algumas, plantadas por nós. Guardarei comigo as lembranças dos dias felizes que vivi aqui, e eles servirão como incentivo para reconstruir o meu lar em outro lugar que, com certeza, já está aguardando a minha chegada, lá no futuro...






quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A Casa do Meu Passado

Minha bisavó Genova à porta da casa, de pé sobre as escadas onde eu brinquei de casinha




A casa de minha mãe, onde nascemos todos pelas mãos da parteira Dona Maria Carioca, era pequena e simples. Foi comprada pelos avós de minha mãe quando eles chegaram ao Brasil no início do século XX, vindos da Itália. Trouxeram com eles meu avô, ainda bebê. 

A casa tinha apenas dois quartos, onde dormíamos eu e minhas três irmãs. Meu irmão dormia na sala. Tudo era pequeno, mas havia um quintal onde, quando eu era ainda bem criança, meu pai plantava abóboras. Mais tarde, como as abóboras ocupavam todo o espaço do quintal dos fundos, Meu pai desistiu delas. Mas sempre tivemos pés de frutas, como abacate, figo, limão, ameixa, banana, pêssego. Durante um certo tempo, eu e minha irmã cultivamos couves, alface e cheiro verde. Minha mãe jogava sementes de tomate aleatoriamente pelo chão, e os tomateiros cresciam em pouco tempo, espalhando seus frutinhos vermelhos. 

O chão da casa era feito de tábuas de madeira, que minha mãe gostava de encerar. O chão da cozinha era de cimento, tudo muito rústico. Minha mãe jogava água e sabão naquele chão toda sexta-feira, e esfregava com a vassoura. Enquanto escrevo, posso me lembrar do som da vassoura sobre o cimento... ela ralhava com  a gente se tentássemos passar pela cozinha quando ela a estava lavando, e então utilizávamos a porta da sala para ir brincar no quintal. Naquelas escadinhas de cimento que conduziam à entrada principal, eu me sentei muitas vezes, e construí muitos sonhos. Fazia sobre elas a minha casa de mentirinha, e cada degrau representava um cômodo. Por muitos anos, habitei naquela casa de mentirinha após a escola, quando eu chegava em casa escutando o canto das cigarras nas tardes de verão. Gostava de olhar para as montanhas lá em baixo, à esquerda, e ver o sol indo embora.


Meu avô Rogério, pai de minha mãe



Quando chovia, o barulho da chuva forte caindo sobre as telhas de zinco era ensurdecedor! Se havia trovões, eu me escondia debaixo da mesa mineira de madeira que ficava bem no centro da cozinha, fechando os olhos. Minha mãe não permitia que abríssemos torneiras ou segurássemos tesouras quando havia tempestades, pois dizia que objetos metálicos poderiam atrair os raios. 

Nossa mobília ainda era a dos tempos que meus pais se casaram, toda ela já usada, doada por meu avô. No quarto de meus pais, havia um conjunto de armário e penteadeira muito bonito e antigo. Meu avô o ganhara quando trabalhou no Hotel Majestic, onde hoje funciona a Faculdade de Medicina de Petrópolis. O armário, de pinho de riga,  tinha espelho de cristal bisotado na porta, e sobre a cômoda, havia um tampo de mármore branco. Nas laterais, um par de altares, um de cada lado. Eram móveis grandes, antigos e estilosos, que não soubemos valorizar. Mais tarde, meus pais acabaram substituindo-os por móveis mais modernos, mas de qualidade inferior. 

No verão, havia muitos besouros e joaninhas pelo quintal. Eu adorava brincar com eles, e uma vez, peguei uma quantidade razoável de joaninhas e coloquei em uma caixa, que acabou se abrindo, e elas se espalharam pelas paredes dentro da casa. Os besouros eram marrons, cinzentos, pretos, listrados, bege-nacarados, verdes, furta-cor ou azulados. Eu enchia caixas com eles, e depois me sentava no quintal enquanto eles passeavam pelos meus braços. Também gostava de lagartas, a maioria delas listradas, muito engraçadinhas. Posso ainda sentir o toque macio e gelado delas sobre a minha pele. 

Meus bisavós Heitor e Genova



Tínhamos muitos bichos: cães, gatos, galinhas, hamsters. Uma vez tive uma pata branca que me seguia para todos os lados, inclusive quando eu ia até a venda do "seu" Manuel buscar alguma coisa que minha mãe pedia. Naquele tempo, não tinha essa coisa de castrar os animais, e as cadelas e gatas tinham sempre muitos filhotes, mas conseguíamos doar a maioria deles. Os mais feinhos iam ficando... também não existia ração de cachorro, e nós os alimentávamos com fubá e restos de comida. Quando dava, acrescentávamos pedaços de bofe ou frango à sua refeição. Eram todos muito saudáveis, e ficavam soltos, podendo passear pelo meio do mato ou pela rua. Às vezes, um deles aparecia morto, atropelado ou envenenado. Eu ficava muito triste quando isso acontecia, mas ao mesmo tempo, entendia que era parte da vida, e afinal, havia muitos outros cães. A vida era assim.

Eu, na época da escola, dando discurso no aniversário de D. Franci, a diretora


Cães e gatos conviviam no mesmo espaço, sem brigas. Dormiam e comiam juntos. Separávamos a comida dos gatos porque os cães comiam mais depressa. Às vezes havia  'desentendimentos' que nós resolvíamos com alguns gritos. As coisas eram mais naturais, e iam acontecendo sem que ninguém as controlasse. A vida era mais devagar. 

Era bom, acordar de madrugada quando ainda estava escuro, e escutar meus pais conversando na cozinha antes que meu pai saísse para o trabalho. A melhor coisa do mundo é ter os pais vivos e ainda jovens zelando pela gente. Vivíamos com algumas dificuldades financeiras, mas nunca nos faltou nada. Os  mais novos herdavam as roupas de primos e irmãos mais velhos, que eram reformadas para que servissem melhor. Sapatos eram comprados uma ou duas vezes ao ano. Na escola, usávamos os cadernos e lápis mais simples. As árvores de natal eram pontas de pinheiros enfeitadas com bolinhas de vidro coloridas e chumaços de algodão para fingir que era neve. Ganhávamos presentes apenas nos natais e aniversários. Brincávamos na rua com os colegas, e todos os vizinhos se conheciam e conversavam sempre. Se a televisão de alguém quimasse, a família toda ia para a casa de algum vizinho para assistir aos programas favoritos. Era comum dividir, partilhar e ajudar, mesmo tendo pouco.

Foi bom viver na casa do meu passado.





quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Um Gambazinho


O gambázinho, minutos após ser encontrado



Era uma quinta-feira à noite, e ouvimos os cães latindo no quintal. Sempre recebemos visitas noturnas de morcegos, corujas, ouriços e gambás, portanto, não nos surpreendemos a princípio. Mas os latidos foram aumentando e tornando-se mais ferozes, e então fomos lá fora ver o que estava acontecendo:

Em cima do muro, um gambá caminhava lentamente, e pendurados em seu corpo, os seus filhotes. Estava escuro e não conseguimos ver quantos eram, mas um deles desprendeu-se de repente e ficou preso na hera do muro. Antes que desse tempo de fazermos qualquer coisa, minha cadela Leona deu um pulo alto e o abocanhou. Aos gritos, meu marido conseguiu fazer com que ela o largasse. Fechamos o portão do canil, islolando os cães do lado de fora, mas o bebê gambá, assustado, entrou por um dos tijolos furados do muro e desapareceu lá dentro. Ainda ficamos lá algum tempo esperando que ele saísse, mas após quase uma hora, concluimos que ele tinha ido embora caminhando por dentro do muro, e entramos, colocando os cães novamente no canil.

De manhã cedo, cheguei da sacada da minha varanda e, ao olhar lá para baixo, vi um corpinho imóvel e todo molhado, caído na escada. Exclamei: "Ah, não!" Desci as escadas desanimada, pois tinha certeza absoluta de que o bebê gambá estaria morto, mas para minha surpresa, ele estava respirando. Peguei um pano na área de serviço, e ao tocá-lo, ele abriu os olhinhos e fez aquele som característico dos gambás.

Ele era bem pequeno; tinha mais ou menos o tamanho de um rato comum. Com cuidado, embrulhei-o no pano e verifiquei se estava ferido. Tinha um pequeno corte em uma das patinhas, nada sério, mas o restante do corpo estava normal. Enxuguei-o cuidadosamente, e coloquei-o em uma caixa, enrolado em um paninho de lã. Ele se aconchegou, enrolando-se a ele, e dormiu.

Corri para o Google: o que come um gambá? Leite com mel e gema de ovo. Bananas e maçã picada. Insetos. Bem, descartei a última parte... "Encontre uma entidade responsável para resgatar o animal." Tentei, durante horas, mas ninguém atendeu minha ligação. Suspirei e fui para a cozinha. Consegui uma seringa descartável no banheiro, descartando a agulha, e enchi-a com a mistura. Ao chegar perto dele, segurando-o todo enroladinho na palma da minha mão, o bebê rosnou para mim, baixando as orelhas. Mas forcei um pouquinho, e ele abriu a boca, sugando o líquido da seringa. A cada duas horas, o processo se repetia, às vezes sendo substituído por banana amassada. Ele não gostou de maçã. 

Lembrei-me de outros filhotes que apareceram em outras ocasiões, e não consegui salvar, apesar dos meus cuidados: uma rolinha. Um sabiá. Duraram apenas um dia, e depois morreram. Olhei para o filhote em minhas mãos - que já estava acostumado comigo e nem rosnava mais, apenas abria a boca quando me via, esperando comida. Pensei: "O que eu vou fazer com você? O que vou fazer com um gambá?" Cocei a barriga dele, como havia aprendido no Google, a fim de estimular suas funções excretoras, e ele enroscou a cauda em meu dedo e dormiu.

Mais tarde, peguei um ursinho de pelúcia e coloquei-o na caixa, para que ele pensasse que era a mãe. Ele se aconchegou todo no ursinho, indo descansar sob o braço dele.

Minha única esperança seria tentar devolvê-lo à mãe, e à noite, quando meu marido chegou, alimentei o gambá pela última vez e entreguei-lhe esta missão, pois precisava ir dormir para acordar muito cedo no dia seguinte. Às duas da manhã, escutei meu marido abrindo a porta do quarto:

-A mãe apareceu! Eu o soltei em cima do muro, e ele foi atrás dela. Não sei se eles se encontraram, mas foi a melhor coisa que pudemos fazer por ele...

Pensei que só nos restava torcer para que mãe e bebê pudessem ter se encontrado.

De manhã, ao ver a caixinha do gambá vazia, senti uma certa melancolia...



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Bons Vizinhos






Para alguém ser feliz em um lugar, é preciso contar com bons vizinhos. Ninguém gosta de morar perto a vizinhos barulhentos, implicantes e fofoqueiros, que jogam lixo na rua ou se comportam de maneira que perturbe os outros vizinhos. Bem, felizmente, eu tive essa sorte, pois em todos os locais onde morei até hoje, pude contar com a graça de ter mais bons do que maus vizinhos. 

Mas não basta ter bons vizinhos: é preciso ser um. 

E para mim, o bom vizinho não é necessariamente aquele que bate à nossa porta o tempo todo, ou frequenta a nossa casa regularmente (pois este pode até chegar a ser inconveniente), mas aquele que sabe ser discreto, respeitar as horas de descanso e silêncio, está sempre pronto a ajudar e a colaborar quando possível sem ser invasivo ou intrometido. Um bom vizinho é cordial. Um bom vizinho é prestativo quando solicitado, e se importa com o bem-estar de quem mora perto dele.

Antigamente, havia mais interação entre os vizinhos. Lembro-me de que minha mãe e nossos vizinhos às vezes se visitavam, e as portas estavam sempre abertas para um café ou uma conversa na cozinha, perto do fogão. As coisas mudaram, infelizmente, e nos dias de hoje, muitas pessoas moram nos lugares durante anos e anos sem sequer ficarem conhecendo quem mora perto delas. Talvez, quem sabe, por medo. Todos nos sentimos inseguros.

Alguns vizinhos tornam-se amigos, e acho maravilhoso quando isso acontece. Mas quer se trate apenas da pessoa que mora próximo a nossa casa, ou de alguém que tornou-se um amigo, é muito fácil ser um bom vizinho; basta observar algumas regras de convívio que são milenares, e elas começam com uma palavra simples cujo significado todos conhecem: respeito.

É preciso colocar-se no lugar do outro. É preciso não agir com os outros de forma a ser inconveniente, intrusivo, grosseiro ou desleal. Para ser um bom vizinho, muitas vezes nem é preciso interagir o tempo todo: basta que haja RESPEITO.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chuva no Telhado


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A chuva começa a pingar sobre o telhado. Parece um barulhinho de fadas tocando tambores. Logo, o ruído aumenta, transformando-se em um tropel de cavalos mágicos que, mais tarde, vai diminuindo, diminuindo até que sobram apenas uma ou outra gota que cai quase em silêncio. Parecem as fadas que se despedem, recolhendo-se para dormir nas copas das árvores.

Enquanto ouço o barulho da chuva sobre o telhado, penso nos milhões de pessoas ao redor do mundo que não tem um telhado sobre suas cabeças. Seu telhado é o própro céu, e tudo o que cai sobre eles. Alguns românticos dizem que deve ser bonito dormir olhando as estrelas. Eu concordo com eles, mas apenas quando o fazemos por opção, e não por fatalidade.

Seria bom se, todas as noites, todo mundo pudesse desfrutar de paredes e um telhado sobre suas cabeças. Para que o ruído da chuva e do vento não fossem tormentos. Para poderem dormir em paz.