terça-feira, 10 de março de 2015

ABANDONO

Eu hoje deixo aqui um poema que fiz sobre uma casa. Uma casa abandonada.  Eu acredito que após construída, habitada por algum tempo, cuidada e amada, uma casa cria sua própria alma - das almas de todos que a habitaram.  Poema baseado nesta figura:


mansion_misteriosa.jpg


-ABANDONO -


No alto da colina esquecida,
A casa sonhava.

Ninguém mais ficava à janela,
Ninguém batia, 
Ninguém entrava!

Por dentro das paredes
Das quais caiam cores desbotadas,
A casa sofria,
A casa chorava...

Sonhava com outros dias:
Havia passos pelos corredores,
Nos quartos, os amores,
As flores nos canteiros,
A chuva pelas calhas...

Uma linda música
Que sempre tocava,
E  a mulher que a encerava!
-Por onde ela andava?

A lida na cozinha,
Crianças correndo,
Brinquedos espalhados
Pelo chão da sala...

"Por que," a casa pensava,
"Deixaram-me assim, abandonada?"

Mas entre as colunas 
Que o tempo gastava,
Ninguém mais passava,
A não ser o vento...

E até as memórias
Há tanto guardadas,
Morriam,
Amareleciam
Entre as paredes
Da casa abandonada...



3 comentários:

  1. A casa sempre guardará as vibrações daqueles que nela habitaram.
    Um poema que emociona...
    Beijos.
    Élys.

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  2. Ai Ana, vc nem imagina o quanto esse poema mexeu comigo. Eu tenho em memória uma casa dessas... A casa da minha avó materna, onde passei grande parte da minha infância. Ela se encontra na mesma rua, porém totalmente modificada, mas nas "reentranhas" dos tijolos há vozes e lamentos e flores e odores, luz e sombra...

    Que poema ímpar minha amiga!! Lindo demais
    bacios caríssima

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  3. É... muito interessante como vc tem esse dom de ver o inanimado como ser que sente... e melhor ainda... passa para gente esse sentimento... e sentimos junto...
    Em mim, seus escritos sempre trazem memorias por vezes esquecidas em algum canto da minha mente... como os Sinos de Vento...
    Te ler... é mergulhar em mim mesma...

    Beijos...

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