quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Bons Vizinhos






Para alguém ser feliz em um lugar, é preciso contar com bons vizinhos. Ninguém gosta de morar perto a vizinhos barulhentos, implicantes e fofoqueiros, que jogam lixo na rua ou se comportam de maneira que perturbe os outros vizinhos. Bem, felizmente, eu tive essa sorte, pois em todos os locais onde morei até hoje, pude contar com a graça de ter mais bons do que maus vizinhos. 

Mas não basta ter bons vizinhos: é preciso ser um. 

E para mim, o bom vizinho não é necessariamente aquele que bate à nossa porta o tempo todo, ou frequenta a nossa casa regularmente (pois este pode até chegar a ser inconveniente), mas aquele que sabe ser discreto, respeitar as horas de descanso e silêncio, está sempre pronto a ajudar e a colaborar quando possível sem ser invasivo ou intrometido. Um bom vizinho é cordial. Um bom vizinho é prestativo quando solicitado, e se importa com o bem-estar de quem mora perto dele.

Antigamente, havia mais interação entre os vizinhos. Lembro-me de que minha mãe e nossos vizinhos às vezes se visitavam, e as portas estavam sempre abertas para um café ou uma conversa na cozinha, perto do fogão. As coisas mudaram, infelizmente, e nos dias de hoje, muitas pessoas moram nos lugares durante anos e anos sem sequer ficarem conhecendo quem mora perto delas. Talvez, quem sabe, por medo. Todos nos sentimos inseguros.

Alguns vizinhos tornam-se amigos, e acho maravilhoso quando isso acontece. Mas quer se trate apenas da pessoa que mora próximo a nossa casa, ou de alguém que tornou-se um amigo, é muito fácil ser um bom vizinho; basta observar algumas regras de convívio que são milenares, e elas começam com uma palavra simples cujo significado todos conhecem: respeito.

É preciso colocar-se no lugar do outro. É preciso não agir com os outros de forma a ser inconveniente, intrusivo, grosseiro ou desleal. Para ser um bom vizinho, muitas vezes nem é preciso interagir o tempo todo: basta que haja RESPEITO.


terça-feira, 22 de setembro de 2015

Chuva no Telhado


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A chuva começa a pingar sobre o telhado. Parece um barulhinho de fadas tocando tambores. Logo, o ruído aumenta, transformando-se em um tropel de cavalos mágicos que, mais tarde, vai diminuindo, diminuindo até que sobram apenas uma ou outra gota que cai quase em silêncio. Parecem as fadas que se despedem, recolhendo-se para dormir nas copas das árvores.

Enquanto ouço o barulho da chuva sobre o telhado, penso nos milhões de pessoas ao redor do mundo que não tem um telhado sobre suas cabeças. Seu telhado é o própro céu, e tudo o que cai sobre eles. Alguns românticos dizem que deve ser bonito dormir olhando as estrelas. Eu concordo com eles, mas apenas quando o fazemos por opção, e não por fatalidade.

Seria bom se, todas as noites, todo mundo pudesse desfrutar de paredes e um telhado sobre suas cabeças. Para que o ruído da chuva e do vento não fossem tormentos. Para poderem dormir em paz.





sexta-feira, 11 de setembro de 2015

QUANDO TERMINA O SERVIÇO DE CASA?






Você tira um dia para a faxina - se não tem alguém que a ajude, é claro. Há tanto a se fazer, que o melhor é começar cedo, e não pensar. Começo colocando as roupas na máquina para lavar.

Sempre começo pelo meu quarto; passo o aspirador, troco os lençóis, limpo o banheiro e quando necessário, as janelas. No final, é bom passar um pano úmido no chão.

Depois, vou para o quarto menor, varanda e escadas. Chego até a sala de estar (coloco uma música para animar) e então corredor, sala de jantar e sala de aula. Depois, os banheiros do andar de baixo...Se sobrar um pouco de fôlego, vou para a cozinha e área de serviço. Daí eu penso, lá pelas quatro ou cinco horas da tarde: "Hora de descansar!" Tomo meu banho e me deito na rede da varanda... começo a olhar em volta e descubro que esqueci de varrer a varanda, e se eu for varrer a varanda, melhor aproveitar e dar um jeitinho no jardim, rapidinho.

Meia hora depois, eu me deito na rede, pronta para relaxar. E descubro as teias de aranha entre os caibros e telhas. Ai, ai, lá vou eu de novo! Pego minha vassoura de teto e dou cabo das bichinhas e suas teias. Agora sim! Me deito na rede outra vez, bem no ângulo em que meus olhos veem a mesinha empoeirada. Vou lá dentro pegar um paninho. Já são quase seis da tarde, e esqueci de estender a roupa para secar. Aproveito que estou na área de serviço e faço isso. 

Quase sete da noite, e o canil está bem sujo... não é justo deixar os cães passeando naquela sujeira, e então pego vassoura, balde e desinfetante. Sete e vinte. O dia acabou. Me sento no sofá um pouquinho para assistir TV, e o marido chega. Hora de fazer alguma coisa para lanchar. Depois, a cozinha para arrumar de novo.

Às quase onze da noite, a visão da cama é como o paraíso...

No dia seguinte, as aulas para preparar e dar. A roupa secou, e é hora de passá-las. O canil está sujo de novo, e acabei me esquecendo da mesinha empoeirada da varanda, afinal. Melhor deixar o jantar pronto. Vou deixar os armários para arrumar outro dia... mais uma vez!

Toda dona de casa sabe muito bem do que eu estou falando. Serviço de casa não acaba nunca. Às vezes, fico imaginando o que seria de uma casa que ninguém cuidasse. Penso naqueles programas de TV que mostram acumuladores vivendo em casas lotadas de objetos, poeira, e roupas e louças sujas. 

Mas apesar do trabalho, dá um prazer enorme caminhar por uma casa limpa e arrumada, principalmente quando a gente mora nela.


quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Bicho Carpinteiro





Quando eu era pequena e não sossegava, minha mãe bradava: "Você parece que tem bicho carpinteiro! Não para o dia inteiro, não para o dia inteiro!" Ela estava cantando a letra de uma antiga marchinha de carnaval. 

Na verdade, eu era uma criança quieta. Ela sempre dizia que nem parecia que tinha criança em casa. 

Em relação à casa, gosto de mudar feito bicho carpinteiro que não para o dia inteiro. Troco móveis de lugar, cortinas, quadros, cores nas paredes, almofadas, colchas... depois, eu me sento e fico curtindo as mudanças. Por um tempo, estará bom...Mas chega novamente o dia em que eu olho em volta e penso: "Enjoei!" E lá vou eu de novo... e a cortina da sala vai parar no quarto, e as capas das almofadas são trocadas, e o sofá muda de lugar. Meu marido chega em casa e diz: "Acho que errei de endereço de novo."

Mas isso não acontece apenas em relação à casa; gosto também de trocar meu estilo de vestir. Tenho fases de cores, ou seja, períodos em que olho em meu armário e a maioria das coisas são verdes, ou pretas, ou azuis. Às vezes tenho mais vestidos do que calças compridas, e então, vice-versa. 

Será que tem cura?

Acho que sigo uma tendência que é mundial, ou seja, a fugacidade. Hoje em dia, as pessoas mudam muito, o tempo todo: elas mudam de endereço, mudam de emprego, de carro, de relacionamento, de computador, de telefone... tudo é muito rápido e impermanente. Não sei se isso é bom ou ruim. Existem certas coisas que não desejo mudar nunca em minha vida, e se for possível, ficarei com elas até morrer, mas as mais superficiais, eu estou sempre mudando. Consumismo? Talvez... Mas acho que está tudo bem em consumir, desde que não nos deixemos ser consumidos.

Não vou matar meu bicho carpinteiro.