terça-feira, 24 de novembro de 2015

Pingos de Chuva - Renovação







Chegou, finalmente, a estação das chuvas. Os pingos cristalinos caem sobre os fios de grama, deixando-os mais verdes, fazendo com que cresçam mais rapidamente. Logo, o gramado seco e desbotado transforma-se em um tapete verde-claro macio e felpudo.

As hortelãs, que ameaçavam morrer e desaparecer, já mostram novos brotinhos, e as plantas que não floresciam, enchem-se de botões ainda tímidos, mas que se aprontam para abrirem. Os passarinhos voltaram, enxameando o comedor. As habituais rações de bananas não são suficientes, e enquanto recolho as cascas vazias, penso que precisarei aumentar a quantidade. O mesmo posso dizer das garrafinhas dos beija-flores, que se antes permaneciam cheias até o final do dia, agora esvaziam-se antes do cair da tarde. 





As minas secas secas voltam a renovar-se, e sobre a pedra da montanha, escorrem pequenos veios d'água, como antes. Eu fico olhando para tudo isso e chego até a me emocionar com tanta beleza e fertilidade.

São os ciclos da vida renovando-se. 





E nós precisamos nos lembrar deles quando estivermos passando por aqueles períodos de seca, que acontecem nas vidas de todo mundo: logo, a chuva voltará a cair. Nossa casa nos dá mais uma chance, apesar de tudo o que temos feito com ela.

A lama de Mariana chegou ao mar. A matança continua. A Terra de Minas cobre-se de tristeza. Mas um dia, tudo voltará a renascer. Pena que desta vez, foram longe demais, e vai demorar muito.




terça-feira, 17 de novembro de 2015

SINAIS DO CAOS










Enquanto eu escrevo, olho pela janela e vejo a paisagem linda que me cerca, e penso nas  milhares de pessoas que neste momento estão cercadas de lama por todos os lados, não tem o que beber ou comer e nem guardam  esperanças para o futuro, pessoas que perderam tudo o que tinham e estão se perguntando o que farão daqui para frente.

Penso nas pessoas que foram mortas em Paris, civis que nada tinham a ver com as guerras que seus governantes promovem, e em seus amigos e familiares que neste momento estão sofrendo, talvez revoltados, não tendo mais aquelas pessoas por perto.

Também penso na Síria e em seu povo, que estão sendo bombardeados por todos os lados, e nos demais países que neste momento estão sofrendo os efeitos da guerra. E aqui, esse silêncio, passarinhos cantando, a vida acontecendo normalmente, graças a Deus, o que me faz lembrar de agradecer por eu estar aqui, e não lá.

Quando forem abrir a boca para reclamar de alguma coisa, lembrem-se de tudo o que está acontecendo no mundo, e calem-se. Agradeçam pela sua saúde, por estarem confortavelmente instalados em uma casa com água potável e comida na geladeira e na despensa, roupas limpas e secas nos armários, computadores, livros, mesas, cadeiras, camas, enfim, o conforto de uma casa. Agradeçam porque seus entes queridos estão em segurança, e você tem um trabalho (se não tem, basta procurar por um e acabará encontrando), olhe em volta e lembre-se de agradecer!

Diante de tudo o que vejo acontecendo no nosso páis e ao redor do mundo, eu às vezes penso que estamos chegando a um ponto final, onde o caminho se bifurcará, e dependerá da nossa decisão sobre qual caminho seguir dali em diante, a sobrevivência ou não da nossa espécie. Com certeza, alguma coisa muito importante está em curso na humanidade neste exato momento, e precisamos abrir os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, o coração para sentir, a cabeça para tomarmos decisões acertadas. 

E todas as nossas bobagens, ranhetices, implicâncias, egocentrismos disfarçados de humildade, hipocrisias, e a amargura coberta com uma camada fina de açúcar - que está derretendo -, perderão a importância. Espero que a maioria de nós estejamos atentos e preparados para o que está por vir, pois acho que ainda vai piorar bastante antes de melhorar.

Acho que estamos em transição. Estamos mudando. O caos que precede o recomeço.

Mas este recomeço só acontecerá se, ao chegarmos àquele ponto de bifurcação, tomarmos as decisões acertadas.







quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Novos Enfeites

minha árvore do ano passado - e de todos os anos - será dourada em 2015








Tenho usado os mesmos enfeites em minha árvore de natal há muitos anos - com alguns acréscimos, é claro. Mas não sei o que me deu: quis mudar tudo este ano. Vou pelo dourado. Hoje comprei novos enfeites, e não vejo a hora de começar a montar a minha árvore. Alguns enfeites antigos permanecerão, mas a maioria ficará dentro das caixas. 

Acho que na vida a gente precisa trocar os enfeites também, pois eles vão ficando gastos, pesados e encardidos. De repente, a gente olha e não vê mais o antigo brilho na velha árvore de natal. Daí, trocamos os enfeites e a árvore fica bonita de novo.

Mas pode chegar o dia em que tenhamos que trocar a árvore inteira... quando eu tiver que fazer isso, optarei por alguma árvore natural, um pinheirinho plantado que deixe seu perfume fresco dentro da casa. Ando sentindo vontade de renovar. Aliás, sempre tenho vontade de renovar; a mesmice e a estagnação me entediam. Gosto de olhar em volta e ver novas cores e brilhos.

Tanto na árvore de natal quanto na vida.






sábado, 7 de novembro de 2015

Lembrancinhas


casinha presenteada por uma ex-aluna, a Camila





Meus alunos frequentemente me trazem lembrancinhas de suas viagens. São pequenos objetos, coisas típicas dos lugares de onde vieram. 

O Marcelo me trouxe uma daquelas bonequinhas russas, que tem bonequinhas dentro delas, e vamos abrindo a bonequinha e encontrando outra bonequinha por dentro. Ele sempre me traz presentes quando viaja. O Ronaldo, um ex-aluno, me trouxe um olho grego quando esteve na Grécia, e um lindo ímã de geladeira todo esculpido em madeira, de Praga. 

O Rafael me trouxe uma linda miniatura de cabine telefônica de Londres, e um vidrinho com terra santa de Jerusalém. A Luciana me trouxe café de Minas, e de vez em quando, bolos maravilhosos que comemos acompanhados de café nos intervalos das aulas. Também ganho rapaduras, doces de leite e pés de moleque de Minas Gerais, do meu outro aluno também chamado Rafael. 

A Priscila me trouxe um livro de presente de aniversário, e uma linda caixa de madeira pintada à mão, que está lá na minha banheira, guardando meus sabonetes. A Dani me presenteou com uma maiô maravilhoso, fabricação dela, e também fez cartões de visita para mim. 

A Thuany trouxe uma caneta da Disney com a carinha do Pato Donald, e a Nancy, um lindo echarpe, chocolates e incensos dos Estados Unidos. Outros ex-alunos também trouxeram ímas de geladeira lindos de vários lugares, pois eles sabem o quanto eu gosto deles: da França, Dinamarca, Itália, Espanha, Grécia, Rússia, Estados Unidos, enfim, do mundo todo.

No dia do meu aniversário, tive uma linda surpresa quando, ao abrir a porta para minha aluna Lorena, deparei com uma velinha acesa sobre um pavê e ela cantando parabéns para mim! Momentos assim jamais são esquecidos.

Quando eu e meu marido viajamos, também sempre trazemos lembranças de nossas viagens, que eu vou espalhando pelos cantinhos da casa. 

Minha casa é cheia de lembranças. É bom olhar para estas coisas e saber que, quando estiveram longe daqui, a passeio ou a negócios, meus alunos se lembraram de mim e se importaram em dedicar um pouco do seu tempo me comprando coisas.