quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma Caixa Onde Vivemos






Hoje em dia, a vida é tão corrida que a maioria das pessoas só vai em casa para dormir e / ou fazer alguma refeição. A casa nada representa, a não ser uma caixa de guardar pessoas adormecidas ou cansadas demais para olharem em volta ou se importarem com ela. 

Você já entrou em uma casa sem alma? É mais ou menos assim: parece que as coisas foram colocadas ao acaso em qualquer lugar. Não há fotografias, ou vasos de flores e plantas. Não há tapetes, e se houver algum, estará velho, gasto e muitas vezes, sujo. As paredes parecem terem sido pintadas apenas quando a casa foi construída. Não há cores. Abundam os pisos frios. 

Sobre as cadeiras, mesas e móveis, pilhas de tranqueiras e objetos quebrados que jamais serão consertados, roupas velhas e coisas que ninguém mais usa. Uma vez, entrei em uma casa na qual a pessoa mantinha dois computadores antigos e ultrapassados,  quebrados,  dentro do quarto! Porém, muito mais do que tudo isso, é aquela sensação que nos dá ao entrarmos: vontade de sair correndo. Um peso inexplicável nos ombros, total falta de aconchego. Parece que estamos em um lugar abandonado que alguém ocupou sem permissão, instalando-se como pôde, porque a qualquer momento, o dono da casa vai chegar e expulsar todo mundo.

A casa não pode ser apenas uma caixa onde vivemos! É nela que descansamos, passamos tempo com a família, sonhamos, planejamos o futuro, estudamos, lemos, dormimos, comemos, crescemos, envelhecemos. Ela precisa significar alguma coisa. Ela precisa ser como um templo, e dar ao morador a sensação de aconchego. Por mais simples que seja uma casa, é sempre possível cuidar dela, mantê-la limpa, colocar um galho verde e uma flor em um vasinho feito de garrafa usada, e encontrar maneiras de fazer com que as pessoas sintam-se bem dentro dela.

Pense: como anda a sua casa? A resposta pode abranger também uma outra questão: como anda a sua vida?

Será que você não precisa trabalhar um pouco menos e ter tempo para cuidar de si, da casa, da família e fazer coisas que vem adiando por falta de tempo? Será que não existe, perto de você, um animal de estimação triste e solitário, negligenciado, querendo brincar? Quantos livros você separou para ler e jamais começou? Como vão as crianças na escola? 

Como vai você?



5 comentários:

  1. Boa pergunta, Ana!
    "Como vai você?"
    Como eu vou?
    Vou te dizer...
    Vou me achando, entre tudo que ficou parado, mas amando cada patinha do meu lado!!!
    Felizes dias, abraços carinhosos
    Maria Teresa

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  2. Vou bem cansada entre um país e outro... tentando dar vida as duas casas...e vida a minha vida...

    Beijos...

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  3. Vou bem cansada entre um país e outro... tentando dar vida as duas casas...e vida a minha vida...

    Beijos...

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  4. Belo texto, Ana, gosto de ler você, você aborda o nosso cotidiano com muita sensibilidade, coisas que parecem tão triviais, se tornam quase como principais - se não forem! A vida é simples, mas parece que isso não nos basta.
    Beijinho, um bom fim de semana.

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  5. Eu nunca havia pensado dessa maneira - uma casa, uma caixa de guardar pessoas adormecidas...
    Tantas reflexões boas traz teu texto! Um beijo.

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