terça-feira, 24 de maio de 2016

Quem Mora Naquelas Casas?






Enquanto caminho, passo por casarões antigos. As portas estão sempre fechadas, as janelas cerradas - parece que há muito tempo - e apenas os caseiros circulam por ali . Nos jardins, vemos criações de galinhas, carros já bem velhos que pertencem às pessoas que trabalham ali, o gramado alto e mal-cuidado, varais cheios de roupas e a casa se deteriorando cada vez mais, aos cuidados de quem definitivamente não faz o seu trabalho, e tem certeza de que sua displicência não será fiscalizada. Dá uma pena enorme, ver estes casarões antigos quase abandonados! Ao passar por eles, surgiu-me um poema:


QUEM MORA NAQUELAS CASAS?


Passando pela calçada,
As casas enfileiradas
De paredes descascadas
Me fizeram perguntar:
Quem mora naquelas casas,
Por trás de tantas fachadas,
E de portas bem fechadas
Onde o sol veio brincar?

O vento assovia mantras
Por entre as venezianas
E as gretas das vidraças:
Quem veio escutar o som,
Diapasão do passado,
As notas dessa canção
Que a vida veio tocar?

Quintais de terra e cimento,
Velocípedes virados,
Brinquedos velhos, quebrados,
E ninguém mais quis brincar...
Margaridas, beijos, rosas,
Balanços abandonados,
Padrões no chão desenhados,
Nas sacadas, dormem gatos.

Quem mora naquelas casas,
Serão os anjos sem asas
Que nunca mais vão voar?
Ou serão só os fantasmas,
Grudados sobre as paredes
Balançando com as redes
De franjas arrebentadas
Que a brisa vem agitar?




sábado, 21 de maio de 2016

Casa & Prosperidade






Estou envolvida com a leitura absolutamente prazerosa do livro de Eddie Van Feu - "Wicca - A Bruxa Tá Solta." Ainda no capítulo inicial sobre a prosperidade, o que ela diz casa direitinho com aquilo que eu sempre defendi: a prosperidade é algo que vem quando a deixamos entrar, ao invés de nos trancarmos dentro de ideias antigas e erradas que enfiaram em nossas cabeças, de que a pobreza é louvável e a riqueza é ruim. 

Abrir caminho para a prosperidade entrar em nossa casa significa que antes precisamos, literalmente, desatravancar o ambiente: jogar fora todas as coisas velhas, quebradas, feias ou inúteis, que temos guardadas dentro de caixas, sob camas, nos sótãos e gavetas, garagens e armários. Enquanto estivermos cercados destas coisas horríveis e cheias de poeira, a prosperidade ficará do lado de fora. A mente das pessoas que acumulam coisas inúteis e que se recusam a partilhar com os outros aquilo que não mais necessitam (desde que estejam em bom estado) é cheia de medos: medo de perder, de empobrecer, de vir a precisar daquilo um dia. Geralmente, suas casas são sujas, mal-cuidadas e atravancadas. Cultivam a energia do medo e da perda, enquanto sonham com a prosperidade.

E eu acho - ou melhor, tenho certeza - que se elas não mudarem de pensamento e de modo de agir, viverão todas as suas vidas afundadas em dívidas, medo, pobreza e infelicidade. 

Ninguém deveria gastar mais do que ganha, ninguém deveria achar que pagar as contas daquilo que é desfrutado seja ruim! Afinal, a honestidade traz a prosperidade verdadeira, aquela que é duradoura, pois não tirou nada de ninguém, não veio através de atos que visam enganar, calotear e prejudicar quem nos prestou um serviço ou nos vendeu algo.  

Energia é uma coisa que deve estar sempre circulando, em movimento. Ela fica estagnada em casas sujas, cheias de objetos inúteis, quebrados ou feios (muitas vezes, presenteados por outras pessoas) e dos quais não gostamos. O dinheiro é uma forma de energia. Ter dinheiro para gastar com as coisas que gostamos não é algo ruim, e não significa estar explorando alguém. 

A casa, assim como a mente, deve estar limpa e bem cuidada, e com espaço para circulação. A prosperidade agradece.




quinta-feira, 12 de maio de 2016

Esfriou...






Finalmente, chegou aqui o tal friozinho que eu tanto esperava. E veio com chuva, o que é ótimo, pois andávamos pecisando muito dela! E com o frio e  a chuva, o estômago pede coisas bem quentinhas e apetitosas: chocolates, vinhos, queijos, massas, pães... o problema, é que tudo isso engorda... 

Mas não temam! Existem também as sopas e cremes de legumes para nos salvar de um aumento de peso astronômico! E é a respeito de uma delas que eu venho falar hoje. Recebi a receita de uma de minhas alunas, que me disse ser uma sopa emagrecedora e milagrosa, e confesso que olhei-a com um pouco de desonfiança; eis os ingredientes:

1) Uma berinjela
2) Nabo
3) Dois Maços de cebolinha
4) Uma ou duas latas de purê de tomate, ou tomates picados (usei ambos)
5) Um repolho (usei repolho roxo)
6) Uma cebola picada (dispensei, pois não gosto de cebola)
7) três cenouras
8) Duas xícaras de vagem picada
9) Um alho-poró
10) Couve, bertalha, espinafrem salsinha - se desejar.

Acrescentei um pedaço de abóbora e uma batata doce pequena, para dar mais "sustância." Usei também as folhas do aipo - coloquei muito mais aipo do que pede a receita, e adaptei as quantidades da receita para servir apenas duas pessoas, reduzindo o restante dos ingredientes à metade, mais ou menos. A sopa pode ser temperada com sal, pimenta, curry ou qualquer outro tempero a gosto. 

Para o preparo, basta picar todos os ingredientes, despejando a lata de massa de tomate e cobrir com água fria, deixando refogar por quarenta minutos.

Bem, quando ficou pronta, olhei dentro da panela (o aroma do alho poró encheu a casa toda). Pensei: "Será que vou conseguir comer isto? Parece ser forte demais." Bem, a cor era avermelhada, devido ao extrato de tomates, com um toque roxo, do repolho. Uma verdadeira sopa de bruxa. As verduras cozidas boiavam no líquido colorido e aromático, e a maioria dos legumes tinha desmanchado, a não ser o aipo e a cenoura.

Provei: Momento de glória! Não sei se essa mistura emagrece, mas que ficou bom, ficou! Muito bom, aliás. Saborosa, cheia de texturas (o aipo cozido faz um barulhinho macio quando a gente mastiga) e as folhas foram excelentes para meu intestino preso. 

A receita manda comer desta sopa o máximo que desejar, a qualquer momento do dia, pois quanto mais  comermos dela, mais emagreceremos - caso sigamos também a dieta que a acompanha, ela promete reduzir no mínimo 4,5Kg em uma semana. Se é verdade, eu não sei... mas valeu a pena cozinhá-la, pois o sabor é delicioso e diferente das sopas 'normais.' Recomendo aos vegetarianos, pois ela não leva carne.

Façam e me digam se gostaram (e se emagreceram)!




quinta-feira, 5 de maio de 2016

Do Lar







Antigamente, a palavra "lar" imediatamente nos invocava imagens de nosso cantinho preferido em casa, aconchego, segurança. Um lugar no qual poderíamos estar à vontade, totalmente desprovidos das máscaras sociais que precisamos, muitas vezes, usar durante o dia. Ah, o lar! O lugar mágico onde podíamos nos entregar a um bom livro, receber os amigos, fazer uma boa refeição...

Ultimamente, quando uma mulher é classificada como sendo 'do lar,' várias críticas surgem: entendem que ela é submissa, dependente, alienada. É preciso estar engajada em algum movimento. É preciso ser livre, emancipada, e 'do bar.' Bem, que cada um viva a vida da forma que escolher, mas o que eu sinto, é que as pessoas estão deixando que escolham por elas, e nem percebem.

A maioria das pessoas vivem em dois pontos extremos: ou aqui, ou lá. E quem não estiver onde estamos, merece todo o nosso desprezo, a nossa crítica e também todas as acusações. Acho isso triste, porque o que deveria ser importante, não é a preocupação com rótulos, as classificações que surgem a todo momento nas redes sociais, baseadas na idiotia que rege uma minoria não-pensante e que lastra como vírus contaminando cabeças antes sensatas. O importante, é aprender a ler nas entrelinhas daquilo que tentam nos fazer engolir, e deixar de ter tanto medo de julgamentos alheios. É importante ter coragem para dizer 'não' quando necessário, sem medo de parecer ridículo, já que os inteligentes e sensatos estão fazendo um papel muito feio.

Eu me sinto triste quando percebo que nos dias de hoje, muitas mulheres consideram uma desonra cuidar de uma casa, cozinhar ou ficar em casa tomando conta das crianças. Que mal há nisso? Façamos as nossas escolhas baseadas naquilo que realmente queremos, e não no que nos impõe! Após anos lutando contra a ditadura do mundo masculino, as feministas acabaram caindo em uma armadilha muito pior e ainda mais difícil de se livrarem: a ditadura feminista. 

Todo extremismo é sinal de medo, vontade de cercar-se de muros e carapaças que evitem que arranhem a superfície de nossas convicções - pois não estamos, realmente, convencidos de que elas estão certas. Sejamos 'do lar' ou 'do bar', ou ambas as coisas, mas sem que para isso precisemos massacrar quem fez uma escolha diferente.


Um poema:



Correntes


Eu tiro tuas correntes,
E elas caem, pesadas
Rudes e enferrujadas
Sobre os dedos dos teus pés.

Conserto as asas quebradas
Ensinando-te a voar,
Te mostro a mesa de bar,
E o grito na garganta.

Te faço ter esperança
Desejando a liberdade,
Te ajudo a fazer alarde
E a mirar tua arma.

Mas depois que eu te deixar,
Jamais serás como eras:
A ave que antes cantava,
Gritará como uma fera!

Te levarei onde eu for,
E o amor que aprendeste
Será visto como um elo
Da tua antiga corrente!

Odiarás tua casa,
Teu espelho, teu irmão,
Mordendo, sem distinção,
Quem tentar chegar mais perto...

E quando tu perceberes,
estarás em um deserto,
Não mais lembrarás teu nome
(No teu ventre, uma outra fome...)