quarta-feira, 29 de março de 2017

SOBRE CURIOSOS BEM INTENCIONADOS






Eu estava sentada no sofá daquela casa, sem pensar muito em nada. De repente, a pergunta inesperada – pois sei que a pessoa que a formulou não tem nenhum interesse solidário na minha vida, e nem faz questão absoluta de me ver feliz; no rosto dela, um ar forçado de preocupação: “Está tudo bem com você?”  Eu respondi que sim, e continuei em silêncio. A conversa continuou em seu ritmo anterior, e dali a alguns minutos, ela repetiu a pergunta, obtendo a mesma resposta monossilábica. Ainda o fez mais uma vez, e após obter a mesma resposta, acrescentou: “É que eu estou te achando tristinha hoje... está tudo bem mesmo?” Eu ri, e disse que estava bem e que não estava triste, encerrando o assunto.

Em outra ocasião, quando fazia obras na minha nova casa, um desses “amigos” interessados veio dar uma olhada. Após percorrer o espaço, fazendo alguns elogios pouco convincentes, começou a fazer observações bem intencionadas: “No lugar de vocês, eu colocaria um jardim de inverno ali (já havia um lavabo e as escadarias para o andar superior) e moveria as escadas mais para lá. Também teria feito a cozinha maior e a área de serviço menor, e blá, blá, blá...” Quando ele foi embora, ficamos andando pelo espaço, calados, ainda afetados pelos comentários dele. Suas críticas veladas nos pegaram despreparados, e quase arruinaram nosso dia. 

Eu e meu marido caminhávamos pela Rua 16 de março em uma linda tarde de sábado, quando a moça bonita e simpática nos parou na calçada, e cheia de sorrisos, começou a reclamar de algo que estava no prédio onde meu marido trabalha (ela mora em frente) e que a incomodava. Ora, meu marido apenas trabalha no prédio, não é síndico ou morador, e não cabe a ele resolver qualquer problema referente a ele. Após falar mal de uma ou duas pessoas, ela soltou mais uma ou duas observações ferinas e se foi, perdendo-se entre a multidão que passava naquela calçada, carregando seus sorrisos sinceros e distribuindo-os entre os que encontrava. Ficamos caminhando em silêncio durante algum tempo, após o qual só pude observar: “Que carga pesada tem essa pessoa!”

Existem pessoas assim, infelizmente. Elas deixam no ar uma observação maldosa – mas tão pequena e casual, que na hora “h” nem nos conscientizamos dela – mas que depois ficam martelando nossos pensamentos, e nos vemos aborrecidos sem saber muito bem qual o motivo. Quem nunca se pegou de mau-humor de repente, sem que houvesse uma explicação para tal? Se prestarmos atenção e fizermos uma curta retrospectiva das pessoas com quem estivemos, talvez encontremos o motivo em um desses comentários “bem intencionados.” E na maioria das vezes, quem o fez, o fez de propósito, a fim de minar sua autoconfiança e cavar um buraco na sua autoestima por onde suas setas de veneno poderão entrar mais facilmente.

Meu primeiro emprego, aos 18 anos de idade, foi em uma das lojas de sapatos que pertencia a uma família próspera, distinta e muito tradicional aqui na minha cidade. A proprietária – uma mulher que naquela época tinha a idade que tenho hoje – um dia me disse: “Ana, quando alguém nos pergunta se estamos bem, devemos dizer apenas que estamos mais ou menos, ou que está tudo indo. Nunca entre em detalhes, nunca dê muitas explicações, porque na maioria das vezes, quem faz esse tipo de pergunta está apenas curioso, só quer saber da sua vida particular, e não é bem intencionado. Nunca devemos entrar em detalhes sobre nossa prosperidade para evitar despertar inveja. Também não devemos fazer confissões quando estamos mal, para não despertar fofoca.” Quando ela me disse aquilo, eu tinha apenas 18 anos, e não compreendi; como não compartilhar com as pessoas que gostam da gente os nossos momentos felizes, as nossas conquistas? Anos depois, eu compreendi o que ela estava querendo me dizer. 

Nem sempre, as pessoas que estão em volta da gente realmente nos apreciam. Elas estão apenas curiosas. Ou então, ao perguntarem sobre nossas vidas, só querem nos comparar a elas, para ver se somos tão infelizes quanto, ou para diminuir as nossas conquistas e alegrias através de comentários sutis e totalmente maldosos. 

É importante identificar estas pessoas – elas podem estar entre os amigos, colegas de trabalho e até mesmo membros familiares – e evitar fazer comentários muito otimistas ou pessimistas sobre as nossas vidas. Por trás de uma simples pergunta casual, pode haver uma seta envenenada. Por que nos expormos ao veneno da curiosidade alheia?






terça-feira, 28 de março de 2017

#EuNãoTenhoGatos






Eu ali, concentrada, dando minha aula. De repente, meu aluno indaga: "Ué, Ana... você tem gatos?" Eu olho para ele (eu estava escrevendo no quadro) e respondo, surpresa; afinal, aquela pergunta estava totalmente fora do contexto da aula: "Não! Por que?" Ele aponta para a porta da sala de aula, e diz: "Porque tem um gato bem ali!"


Olho para fora, e vejo essa gatinha passeando pela minha sala de jantar. Logo a reconheci, pois numa noite em que meu marido ainda não estava em casa, ela me deu um baita susto: passei pelo corredor, e dei com aquela sombra sinuosa e silenciosa descendo as escadas. Eu me arrepiei até o último ossinho da coluna, e ela estancou entre um degrau e outro, me olhando, as pupilas dilatadas em estado de alerta. Esclarecida a situação, ainda ficamos ali paradas, nos olhando e testando nossas reações. De repente, eu sorri, e esfreguei os dedos da mão, chamando-a. Ela ergueu a calda, e acabou de descer as escadas, ronronando, e veio para o meu colo.




Desde então, ela vem me fazendo visitas frequentes. Quando havia uma moça aqui me ajudando na limpeza, chego na varanda e a vejo sentada naquela posição de iogue, olhando a moça limpar as vidraças da porta. Explico que ela não é minha, e ela diz: "Pensei que fosse! Está aí há algum tempo, me vigiando..." Quando olhei de novo, ela já tinha ido embora.


É bom tê-la aqui de vez em quando, sabendo que ela logo vai embora. Mas ela nunca tinha se deitado na cama do quarto de hóspedes antes. Pelo menos, não que eu tenha visto. E está chovendo muito lá fora; como eu poderia abrir a janela e mandá-la sair, debaixo desse aguaceiro? Seria cruel. E ela sabe disso. Já percebeu que pode me manipular. 


Como vocês podem ver, ela não tá nem aí pra mim...


Só espero que ela seja castrada - tem dono, pois está muito bonitinha e bem tratada. Se ela não for, tomara que não venha trazer bebês para eu cuidar.


Não quero ter netos.




terça-feira, 21 de março de 2017

Outono






Eu acho que o outono é uma prova de que Deus nos ama.

 Dias mais curtos, noites mais longas, brisa soprando e refrescando, chuva, convite ao recolhimento. Adoro esse céu meio-cinza, o sol que não agride a pele e a paciência, a volta dos passarinhos às árvores do meu jardim, pois não se sentem mais fustigados pelo calor.

As orquídeas e as Impatients também preparam seus botões. Dormimos melhor, mais aconchegados, e acordamos mais bem-dispostos, sabendo que o dia será mais fácil. Comemos melhor - voltam as sopas de legumes, tão saudáveis e saborosas, os chocolates quentes ao final da tarde - e temos os filmes e livros enrolados em mantas macias.

Outono - preparação para o inverno, que é tempo de recolhimento e reflexão. 

O frio nos convida a ficarmos mais próximos, em volta de lareiras, sob cobertores, em rodas de bate-papo regados a vinhos e bebidas quentes. Eu amo. Muito.





sábado, 18 de março de 2017

Poema de Lúcia Constantino - A Casa do Sol Poente






Hoje, trago um poema de minha amiga no Recanto das Letras e no Facebook, Lúcia Constantino, que muito me encanta:




A casa do Sol Poente

Tudo dorme na casa vazia.
As cartas nas gavetas,
os livros empoeirados nas estantes.
O passado passeia pela casa,
como eterno visitante.

De repente, saltam dos espelhos delírios e sorrisos.
Os sonhos em trajes de graça.
Tudo que permaneceu vivo
e o que nunca chegou na vida que passa.

Desperta a casa.
Despertam  vozes vivas,
orações,  acalantos, 
as lágrimas de tantos.
Também  estrelas nas vidraças dissolvidas
pelos ventos dos desencantos.

De frente para o sol poente,
fortaleza como uma grande árvore
a casa ousa sua solidão de gente:
- sonha em ser ninho nos fins de tarde.




quarta-feira, 15 de março de 2017

CAOS




Se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida, é que tudo passa. Não importa qual a situação que você esteja vivendo hoje, seja ela boa ou ruim, agradável ou desagradável, ela passa. Não significa, necessariamente, que se você é feliz hoje, será infeliz amanhã; mas que haverá percalços, obstáculos a serem superados, e se você souber como lidar com eles, eles não terão o poder de afetar você de maneira permanente; basta vivenciá-los, aprender com eles e esperar que eles passem, focando naquilo que há de positivo e agradável. 

Há algum tempo, entre 2014 e 2015, nós sofríamos com a falta d'água aqui em Petrópolis. Após dois anos praticamente sem chuva, as minas d'água começaram a secar, e tivemos que passar por um longo período de racionamento. Eu estava no quintal em um domingo à tarde, descansando na minha cadeira, tentando aliviar-me do forte calor, quando de repente, a torneirinha do jardim - que é diretamente ligada à caixa d'água, que fica no sótão, e não possui um registro para ligar ou desligar a água caso haja um vazamento- estourou, e a água começou a descer pelo cano com grande pressão. 

Eu entrei em pânico: Com um pedaço de pano, tentava conter a água que espirrava em jorros, esvaziando todo o nosso reservatório, enquanto meu marido, nervoso, pegava a escada para subir ao sótão e tentar desligar a água. Neste trajeto, devido à pressa, ele levou dois tombos e machucou-se bastante. Eu fiquei completamente encharcada, e tão nervosa, que após o problema ter sido controlado com a ajuda de um vizinho, eu comecei a tremer e me sentir muito mal. Tive uma dor de cabeça fortíssima, falta de ar e não conseguia ficar de pé; passei o resto do domingo deitada. Tudo porque eu me deixei envolver emocionalmente com o que estava acontecendo, ao invés de manter a calma e resolver o problema - ou aguardar até que ele fosse resolvido. Não me mantive centrada. Deixei o pessimismo me dominar. 


De qualquer maneira, o problema foi resolvido; se tivéssemos ficado totalmente sem água - o que não foi o caso - haveria uma solução: chamar um carro-pipa. Eu não precisava ter ficado tão nervosa. Meu marido não precisava ter corrido feito um doido e levado dois tombos horrorosos. O pior sempre acontece quando perdemos o controle. Um dia que começou bem, no qual eu me sentia maravilhosa, terminou muito mal devido à nossa falta de controle emocional. 


Passei por isso também quando minha mãe adoeceu; vê-la naquela cama de hospital, cheia de tubos entrando e saindo do seu corpo, me deixava desesperada. Parecia que aquilo nunca ia ter fim. Eu chegava no hospital cansada, desanimada, querendo fugir para longe dali, querendo que tudo aquilo acabasse. Ficava nervosa, mal-humorada, deixando que o medo e a impotência tomassem conta de mim. No fim, aconteceu o que tinha que acontecer. Depois, passou. Eu me recuperei, estou bem de novo, estou aqui. Se tivesse sido capaz de manter a calma, talvez tivesse sido mais fácil.


Hoje, vejo as pessoas que perderam seus empregos no Brasil, sem saber do que viverão, como pagarão suas contas. Elas perdem noites de sono, perdem o apetite, entram em depressão e acabam com sua saúde e vida familiar, porque perdem o controle emocional. Nas piores horas, não compreendem que essa crise não vai durar para sempre, que ela vai passar, as coisas vão voltar a se normalizar e elas conseguirão trabalho de novo. Enquanto isso, com certeza, elas podem contar com a ajuda de alguém, tentar um emprego inferior ao seu grau de formação, temporariamente, ou prestar algum serviço para sobreviver. Quem sabe, descubram um novo talento, e acabem nem querendo mais um emprego regular?  

Há soluções. Mas o nervosismo e o pessimismo não deixa que vejamos com clareza. Acho que em momentos difíceis, devemos respirar fundo, tentar nos acalmar e pensar devagar: o que pode ser feito? Se nada puder ser feito, a não ser esperar, esperemos. Se nos concentrarmos com calma, uma solução - mesmo que temporária - acabará aparecendo. 

Esta crise vai acabar, vai passar. Ninguém vai ficar desempregado para sempre, isso vai ter que passar! Enquanto isso, vamos tentar encarar esta crise como uma fase ruim, que teve começo, tem meio e terá fim. 





segunda-feira, 13 de março de 2017

Um Pequeno Templo


Todas as imagens: Google


Sou do tipo que não se sente bem rezando em locais como igrejas, templos públicos ou centros espíritas; acabo perdendo a concentração. Prefiro fazer as minhas orações sozinha, em algum lugar junto à natureza ou então em um cantinho especialmente preparado para tal atividade em minha própria casa. Respeito quem se sente bem em locais públicos como igrejas e templos, mas eu simplesmente não consigo... acho que a energia nestes locais acaba sendo dispersa, devido ao número de pessoas que os frequentam e que não têm, realmente, o objetivo ao qual eles originalmente se propõe. 


Acho importante exercitar a fé. Algumas pessoas rezam sem precisar desses templos e cantinhos, mas eu às vezes preciso. Coloco neles meus livros favoritos,  que contém pensamentos que me esclareçam e me elevem, imagens que me agradam, uma fonte...


E não precisa ser nada muito grande ou luxuoso! Um cantinho apenas, o topo de uma prateleira, uma mesinha de cabeceira ou um aparador. Se for possível, que tenha um tapete ou almofada confortável onde você possa sentar-se ou deitar-se. 


Coloque ali objetos de fé, da sua fé. Não importa se você acredita em anjos, santos católicos, fadas, duendes, o Buda ou entidades do candomblé; o que importa, é o quanto suas intenções sejam boas e o quanto seus pensamentos sejam limpos. As imagens nem são necessárias, se você não gostar de usá-las. O verdadeiro sentido das imagens, é facilitar a nossa concentração e direcionar a intenção. 




Algumas pessoas gostam de acender velas - sou uma delas, embora não o faça toda vez que rezo. Observar a chama de uma vela me acalma. Importante não se esquecer de apagá-la mais tarde, e tomar muito cuidado com correntes de ar e materiais inflamáveis.





Acho que todo mundo precisa ter fé em alguma coisa! E também penso que não existe fé verdadeira que nunca tenha sido testada e até mesmo, temporariamente perdida. Não sei viver sem questionar o que me cerca; mas aprendi que a fé é o que está além do questionamento, é alguma coisa que nos fortalece, mesmo que não saibamos de onde vem a Ordem que rege o Universo, e como ela funciona. O importante, é saber que existe uma ordem, e que ela funciona. Nem sempre da forma como queremos, entretanto. 










quinta-feira, 9 de março de 2017

ORAR PELOS OUTROS





Sou uma pessoa que crê no poder da fé, da oração e das afirmações. Acima de tudo, acredito que toda pessoa pode emanar energias – positivas ou não – em direção a outras pessoas, e até mesmo, influenciá-las através disto, de maneira consciente ou não. É claro que orações desacompanhadas de atitudes não têm o efeito desejado: é preciso que juntemos a força do pensamento às intenções. Mesmo assim, quando não há ações físicas em direção a um objetivo, toda vez que alguém ora, abre uma porta em direção a alguma coisa. Como afirma o ocultismo, “ No oculto, quando abraçamos alguma coisa, ela nos abraça de volta.”

Por este motivo, aprendi uma coisa importante sobre as orações para ajudar outras pessoas: elas são perigosas. Geralmente, quando alguém reza pelo outro, pede para que este corrija-se de algum comportamento que considera indigno ou errado, segundo suas próprias concepções e seu próprio entendimento e vivência. Não sabe que desta forma, está tentando dobrar o outro artificialmente a ser ou comportar-se de forma contrária àquilo que ele é, forçando-o a ir contra suas inclinações naturais. Toda pessoa tem que vivenciar coisas que servem para o desenvolvimento de seu caráter, e às vezes, um comportamento que consideramos distorcido é apenas uma maneira que o outro tem de aprender sobre si mesmo e entender suas próprias verdades, aprendendo a distinguir o certo do errado através da própria experiência.

É lícito orar por alguém doente para que se cure; ou para alguém que está perdido na vida encontrar seu caminho; mas que oremos para que ele encontre seu próprio caminho, e não o caminho que concebemos para ele como sendo o certo! Não é sinal de bondade orar para que o outro se dobre e se formate em outra coisa que nos agrade, deixando de ser ele mesmo. Isto é egoísmo e vontade de manipulação, e só trará dores e percalços, tanto para quem ora quanto para a vítima de suas orações. Sim, vítima, pois às vezes uma pessoa pode adoecer devido a pensamentos enviados em sua direção desejando que ela siga um caminho que não é o seu. 

Já cometi muitos erros ao orar pelos outros, mas hoje, se sinto necessidade de fazer alguma oração por alguém, peço que a pessoa em questão sinta-se liberta, aprenda a caminhar com os próprios pés, tenha saúde, seja sensata,  forte e feliz. E não é nada fácil pedir apenas isto! Quantas e quantas vezes eu refreei minha fala, ao vê-la distanciar-se desta meta e partir pelos caminhos da manipulação através da oração! Mas tenho sido cada vez mais capaz de perceber quando estes momentos me chegam, e calando-me, recomeço a orar dentro dos padrões que estabeleci acima. 

Creio que todos estamos aqui com um objetivo. E este objetivo tem mais a ver conosco mesmos do que com os outros. Não podemos tomar vidas alheias em nossas mãos e vivê-las, não podemos aconselhar mais do que seria sensato, não podemos e nem devemos resolver os problemas alheios. Se fizermos isso, estaremos tirando o poder que a outra pessoa tem sobre sua própria vida, e fazendo com que ela se torne fraca, dependente e preguiçosa. Ajudar é uma coisa, substituir é outra bem diferente. Saibamos respeitar o caminho dos outros, mesmo que isto signifique que estes caminhos não nos incluam ou não nos agradem. 





quarta-feira, 1 de março de 2017

Prosperidade






Prosperidade é dinheiro e fartura. É não ter que fazer tantas contas no final do mês, e poder desfrutar de alguns luxos, sem ter que viver contando as moedinhas. Certo.

Mas para mim, prosperidade não é só isso. Ela está bem além do conceito financeiro. 

Acho que ser próspero é estar feliz e ter saúde também. É ser capaz de lutar pelo próprio sustento, sendo independente o máximo que for possível. É poder estar sozinho sem desesperar-se, porque existem boas lembranças a serem trazidas à tona e também alguns planos e sonhos a se realizarem. E é claro, um bom livro para exercitar o cérebro e a criatividade. 

Pode considerar-se próspero toda pessoa que não inveja ninguém, pois está satisfeita consigo mesma e com o que a vida lhe oferece, mesmo que ainda tenha sonhos a realizar. 

A prosperidade também descansa na GRATIDÃO - essa palavrinha tão esquecida nos dias de hoje.

Sentir-se grato é expressar sua gratidão à vida através do reconhecimento por tudo o que tem recebido, e também às pessoas que ajudaram a proporcionar estas coisas: isto é fundamental! Pessoas ingratas não desfrutam de prosperidade.

Eu posso fazer uma lista pelas coisas que eu sou grata. Por exemplo, sou grata:

-Pela minha casa
-Pelo meu marido
-Meus cães
-Meu trabalho e meus alunos
-Minha capacidade de andar, falar, enxergar, ouvir,aprender,ensinar
-Pelas árvores que cercam a minha casa
-Pelas minas que abastecem-nos com água pura e cristalina
-Pela comida que temos à mesa todos os dias
-Por cada uma das pessoas que já passaram pela minha vida, seja pela amizade que me ofereceram ou pelas lições que me deixaram
-Por trabalhar fazendo aquilo que mais gosto
-Por poder escrever.


Apesar de não ser rica - frequentemente as pessoas me perguntam se eu sou rica, como se ser rico significasse algum abono ou desabono de caráter- eu me considero uma pessoa muito próspera. E você? O que significa  prosperidade, em sua opinião? Adoraria saber.